
A prática de evocar maldições através de textos escritos é um fenômeno recorrente em várias culturas ao longo da História. Desejar o pior pro amiguinho é algo contumaz e muitos textos oferecem uma visão única das crenças e práticas espirituais de seus tatatatataravós. Por exemplo, no Monte Ebal, em Israel, foi descoberto uma tábua contendo maldições; esta tábua data do final da Idade do Bronze II, e foi escrita em um script proto-alfabético, considerada a inscrição hebraica mais antiga já descoberta em Israel.
Mas nem só de tábuas de argila vive o pessoal que roga praga em tudo. Era muito comum escrever maldições em placas de chumbo, como as que foram achadas no Mediterrâneo; nesse caso, eram cerca de seiscentos textos de maldições latinas datando do século II A.E.C.. Agora, a mais recente descoberta foi feita em Rostock, Alemanha, em que uma tábua contendo maldições do século XV foi encontrada e é… interessante.
O dr. Jörg Ansorge é pesquisador do Departamento de Geologia da Universidade de Greifswald. Além disso, ele coordena a escavação no sítio arqueológico de Rostock, uma cidadeca independente no nordeste da Alemanha, cuja população é cerca de 209 mil pessoas.
Ansorge e seu pessoal ficaram consternados com o achado feito em dezembro de 2023. O objeto, inicialmente considerado um pedaço de metal sem importância, revelou-se uma tábua de maldição quando desenrolado. Assim como o achado no Mediterrâneo, esta tábua é feita de chumbo e continha as palavras “sathanas taleke belzebuk hinrik berith”.

A maldição foi aparentemente dirigida a uma mulher chamada Taleke e a um homem chamado Heinrich, invocando Satanás, Belzebu e Berith, este último não deve ser conhecido por você. É um Duque do Inferno que comanda 26 legiões de espíritos malignos. Praticamente um orientador pedagógico e sua equipe.
A tábua foi encontrada no fundo de uma latrina em uma extremidade da propriedade. A escrita em minúsculas góticas é quase imperceptível a olho nu. Embora o local da construção tenha produzido poucos artefatos, os que foram encontrados são de “qualidade superior”.
Esta descoberta arqueológica em Rostock oferece uma visão fascinante da prática medieval de maldições e feitiços. Quando o sistema legal falhava, a saída para quem não tinha grana pro processinho era xingar muito, mas como o Twitter ainda não tinha sido inventado, o lance era xingar muito numa placa e soltar os demônios em cima dos desafetos.
Pelo visto, Heinrich foi nas carnes da Taleke e maridão não gostou muito, mas como tomou duas coisas (um par de chifres e um pé na bunda), restou apenas escrever umas maldições. Chato quando isso acontece.

A ótima série Roma do HBO, mostra uma cena onde a personagem invoca uma maldição contra o Cesar escrevendo em uma placa de metal.
Legal saber que tem algum fundamento.
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