Pesquisa testa qual a melhor máscara caseira. Ah, e aprenda sobre tecidos também

Por causa do coronavírus, em muitas cidades – como o Rio de Janeiro – os prefeitos determinaram obrigatoriedade de sair à rua com máscaras. Seguindo a linha “enquanto alguns choram, outros vendem lenços”, começou um festival de pessoas faturando um dinheiro vendendo máscaras de tudo que é tipo, principalmente porque as pessoas são porcas e ficam tossindo e espirrando sem nem colocar a mão na boca (o que já estaria errado), espalhando perdigotos coronguentos para tudo que é canto.

Todo mundo atrás de máscaras tipo N95 ou PFF-2, mas dá para se proteger com máscaras caseiras. A questão é: qual máscara usar? Receita na Internet é o que não falta. Mas são úteis?

O Ministério da Saúde tem um mini tutorial de como fazer uma máscara caseira usando uma camiseta de algodão velha. Mas seria realmente a adequada? Como se proteger do Coronga vírus? Quem poderá nos ajudar? Oh, Deus, teria uma classe de seres majestosos, incríveis, inteligentes e capazes de nos proteger? Haveria esse tipo de gente, ó Deus, Todo-Poderoso, que vossa graça tenha sido derramada sobre ele?

Sim, químicos.

O dr. Supratik Guha é químico, com ele a oração e a paz. Ok, ele não é bem químico, é engenheiro metalúrgico com doutorado em Ciência dos Materiais, mas isso são detalhes de menor importância.

Guha é professor de Engenharia Molecular na Faculdade de Engenharia Molecular da Universidade de Chicago e consultor sênior da diretoria de Ciências Físicas e Engenharia do Laboratório Nacional de Argonne. Ele resolveu analizar em nanoescala quais os melhores tecidos para se fazermáscaras. Bem, segundo suas pesquisas, ele descobriu que eram o algodão ou chifon. Isso foi o máximo! O problema foi eu descobrir o que diabos era essa porcaria de chifon.

Depois de ser humilhado em casa, com todo mundo rindo por eu não saber o que é chifon (culpo meu cromossomo Y), fui pesquisar que bosta é essa, já que divulgação científica anda em baixa e ninguém aqui em casa se prestou a dizer o que diabos era isso.

Chifon não é apenas um tipo de tecido, mas uma técnica que pode ser feita usando diferentes tipos de fibras., resultando num tecido transparente, ou semi-transparente, produzido com linhas bem finas de uma determinada fibra.

Chifon vem árabe siff, ou “diáfano”, o que acarretou a a palavra francesa “chiffe”, muitas vezes usada como xingamento, mas não tão usual, de forma a chamar alguém de molenga.

O chifon é um tecido bem leve, fino, com um toque áspero bem característico e que varia do transparente ao translúcido, com fibras tendo que ter uma costura especial, ou rasgaria facilmente, dada a finura de sua trama e de seus fios, como dito anteriormente. É usado em roupas, encharpes, lenços ou mesmo lingerie. Foi um máximo durante os anos da década de 1930 por causa de sua transparência sedutora.

Os primeiros chifons eram feitos puramente de seda, mas depois da invenção do nylon (em 1927, por Carothers) aos poucos foram substituindo a seda (caríssima) pelo tecido sintético de menor custo, e uma versão do chifon feito em nylon foi lançado em 1938. Como a busca por fibras têxteis sintéticas foi uma correria, todo mundo criou sua própria fibra. Algumas foram um sucesso, outras nem tanto. Uma mostra de sucesso foi o poliéster, e em 1958 foi produzido o primeiro chifon de poliéster, excelente fibra, resistente, não rasgava facilmente, ao contrário dos antecessores, e, melhor ainda, custo muito baixo!


Tem uma roupa de chifon aí. Juro!

Com isso, um festival de roupas foi produzido, desde lenços até vestidos de noite, já que seu aspecto elegante e sedutor o deixa ideal para camisolas e negligês (ahá! Isso eu sei muito bem, pois vejo muito. Wink! Wink!), além de lingeries, como dito antes, mas resolvi repetir, pois muito me interessa (Wink! Wink!). A forma como suas tramas eram feitas diferencia o chifon de outros tecidos, como a organza e o voal, como podemos ver abaixo:

Para finalizar o assunto de tramas de chifon, organza entre outros, este blog fez um teste por si só e colocou vários tecidos sob a lente de um microscópio.

Voltemos para o caso do coronavírus, ou corona vírus, ou SARS-CoV-2, ou COVID-19 ou qualquer outra forma que o Google aponte pra cá, pois não sou burro.

Sim, eu admito. Vem cá, paraquedista. Vem, vem!

O coronga se espalha pelo ar por causa dos perdigotos que saem da sua boca, nariz e outros orifícios (sim, este também). Essas gotículas possuem uma ampla variedade de tamanhos, mas as menores, chamadas “aerossóis”, podem facilmente deslizar pelas aberturas entre certas fibras de tecido, levando algumas pessoas a questionar se as máscaras de pano podem realmente ajudar a prevenir doenças.

Qual seria a melhor o melhor então?

Segundo Guha, que deve ter pego a roupa da esposa para fazer testes, usou um ventilador para espalhar partículas de aerossóis de tamanho entre 10 nm a 10 ?m de diâmetro (1 nm = 10-9 metros, ou bilionésimo de metro; 1 ?m = 10-6 metros, ou um milionésimo de metro) e fez estas partículas passar por diferentes tipos de tecido.

Embora as eficiências de filtração para vários tecidos quando uma única camada foi usada variasse de 5 a 80% e 5 a 95% para tamanhos de partículas inferiores a 300 nm e superiores 300 nm, respectivamente, as eficiências melhoraram quando várias camadas foram usadas e ao usar uma combinação específica de tecidos diferentes.

Segundo seus testes, uma camada de um lençol de algodão bem tecido combinado com duas camadas de chifon de poliéster filtrou a maioria das partículas de aerossol (80-99%, dependendo do tamanho da partícula), com desempenho próximo ao de um material de máscara N95. Ao substituir o chifon por seda ou flanela natural ou simplesmente usar uma colcha de algodão com manta de poliéster e algodão produziu resultados semelhantes.

Claro, não basta material, mas como o material foi utilizado para tecer a peça. Guha e seu pessoal perceberam que tecidos bem tecidos (argh!), como o algodão, atuam como uma barreira mecânica para partículas, enquanto tecidos que carregam uma carga estática, como certos tipos de chifon e seda natural, servem como barreira eletrostática, no mesmo molde daquele experimento de você esfregar uma bexiga de borracha no cabelo e brincar de futebol com uma lata de alumínio, em que a carga eletrostática oriunda da fricção atrai a latinha.

No entanto, nem tudo são flores. Uma variação de 1% na feitura da trama reduziu a eficiência de filtragem de todas as máscaras pela metade ou mais, enfatizando a importância de uma máscara adequadamente ajustada. E não vou nem falar nas pessoas que não ajustam a desgracenta direito, abrindo uma espécie de porta de serviço para o vírus

A pesquisa foi publicada no periódico ACS Nano


PS: Viram como se faz? Ninguém é obrigado a saber tudo (mentira, é obrigado a saber matéria de 6º ano SIM!). Mas aí a gente senta a bunda e vai ler para poder escrever, ao invés de ter ataque de pelanca. E é por isso que meu blog é melhor que qualquer clubinho de millenial metido a divulgadô çientificu

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