Como o cérebro decide meter o focinho no pó

A todo momento estamos tomando decisões, ainda que inconscientemente. Pegamos o controle remoto para colocar no nosso programa favorito, e existe um longo processo neurológico para isso. Até mesmo o momento de decidirmos qual pé nós colocamos no chinelo primeiro é um processo de decisão.

Não apenas isso, esta tomada de decisão é feita de uma maneira semelhante ao que faz uma pessoa ser dependente química. É praticamente o mesmo processo bioquímico no cérebro. Sabemos que tudo é uma questão de qual região do cérebro é responsável por isso. O problema é saber qual região é essa, e é exatamente isso que pesquisadores se debruçam para saber.

O dr. Konstantinos Meletis, é professor do Departamento de Neurociência do Karolinska Institutet, da Suécia. Meletis adora um cérebro e quer muito saber como anda as coisas dentro dele e, mais que tudo, como nós decidimos pelas coisas, como decidimos e o que acontece quando decidimos. Não importa o que. Desde as incríveis ideias até as decisões mais imbecis, como ligar pra ex quando se está bêbado, é tudo uma questão de como os neurônios trabalham, e normalmente, trabalham como se estivessem a fim de nos sacanear. Ou não.

Meletis e seus colaboradores resolveram abordar o tema: Por que as pessoas se viciam? Em que ponto o cérebro decide isso? Sendo assim, os pesquisadores chegaram procuraram entender como a parte do cérebro que é central para a tomada de decisões e o desenvolvimento do vício é organizada em nível molecular.

Meletis e seu pessoal observaram em modelos de camundongos (Just Say In Mice) e com métodos usados ??para mapear tipos de células e tecido cerebral a organização de diferentes ilhas opioides no corpo estriado, a estação de entrada principal do sistema dos gânglios basais que é dividido por um intervalo de substância branca chamada cápsula interna em dois setores chamado o núcleo caudado e o putâmen.

O corpo estriado é a parte interna do cérebro que regula recompensas, motivação, impulsos e função motora. É considerado central para a tomada de decisões e o desenvolvimento de vários vícios. Você tomou uma decisão? É culpa dele. Mesmo suas péssimas decisões. Pronto, você já pode usar a desculpa “não fui eu, foi meu corpo estriado”. Se vai colar é outra história. Não me responsabilizo.

Para esta pesquisa, o grupo liderado por Meletis criou um mapa molecular em 3D das células nervosas alvo de opioides, como morfina e heroína. Estas células alvo são as que os referidos opioides correm para ficar grudados, no velho esquema chave-fechadura.

Com este mapa, é fácil entender como as substâncias se agarram lá de preferência, mas não em outros neurônios. Para encontrar o “código molecular” que propicia isso, os pesquisadores usaram o sequenciamento de RNA de núcleo único, um método para estudar pequenas diferenças em células individuais e o mapeamento da expressão do gene estriatal.

Os resultados fornecem a primeira demonstração de códigos moleculares que dividem o corpo estriado em três níveis principais de classificação: uma organização espacial, uma matriz de remendo e uma célula específica.

Agora, você vai perguntar o porquê disso. E eu respondo: porque entendendo como os opioides safados ficam lá grudados, será possível desenvolver medicamentos se sirvam para descolarem os sem-vergonhas dos neurônios. Basta fazer com que estes neurônios sejam como os demais, imunes ao “grudamento” dos opioides.

A pesquisa foi publicada no periódico Cell Reports.

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