Pau velho inglês mostra os segredos dos antigos fazedores de barcos

Eu gosto de coisa velha (não a ponto de querer algum enlace carnal com yo momma, pois não vamos exagerar). Imaginem que descobriram um incrível barco de madeira muito, mas muito, mas muito antigo. Imaginem que esta madeira tem cerca de 8 mil anos, e este barco não era nada pequeno. Pensaram? Imaginem que maravilhoso e que histórias ele teria para contar. Seria mágico e se bobear, parte da história mitológica de alguma religião.

Não, não ESTE barco. Estou falando de uma embarcação encontrada na Ilha de Wight, que fica a sul de Southampton e a leste de Yarmouth, Inglaterra.

O Fundo Arqueológico Marítimo descobriu uma estrutura de madeira bem antiga. Inicialmente, não se sabia o que se tinha ali, cujo sítio arqueológico fora descoberto em 2005 e apresentando um arranjo de madeiras aparadas que poderiam ser plataformas, passagens ou estruturas colapsadas. Ninguém sabia o que era a não ser uma madeirada que possivelmente tinha zero interesse científico. Mas como cientista é curioso, bóra analisar aquele monte de pau.

Pesquisadores usaram técnicas de fotogrametria de última geração para registrar os restos daquilo. Criaram um modelo digital 3D da paisagem para que pudesse ser examinado por não-mergulhadores, tendo sido posteriormente escavado durante o verão e revelou uma plataforma coesa composta de madeira rachada, várias camadas de espessura, apoiada em fundações de madeira redondas horizontais, formadas por cerca de 60 a 70 peças de madeiras, com várias camadas de espessura, fazendo parte de um sítio arqueológico maior, com mais de um quilômetro de extensão.

Análise das peças mostra que a madeira foi cortada tangencialmente, em linhas retas como pranchas modernas, em vez de radialmente. Muito comum para você? Mas não era comum no período neolítico. Isso sugere que as comunidades naquela região já tinham habilidades de carpintaria avançadas. Para datação, a madeira foi examinada sob Carbono-14 e dendrocronologia, a técnica de examinar os anéis de crescimento das árvores, que chega até a ser mais preciso que o C-14, dependendo da situação. Combinados, as informações cronológicas acabam se tornando bem confiáveis.

O local hoje está a 11 metros de profundidade, mas na época que o barco estava zero bala, a região era terra seca com vegetação exuberante, com uma riqueza de evidências de habilidades tecnológicas que não foram pensadas terem existido na referida época, mas demonstrou que os artesãos britânicos daquela época eram bem competentes, dominando uma perfeita técnica de construção, apesar das ferramentas que dispunham então.

Não, nenhum barco gigante que carregou toda a bicharada do mundo foi encontrado, pois madeira é bem difícil, mas não tão difícil quando se é produto inglês.

O problema, entretanto, é que não se sabe por quanto tempo aquele madeirame vai durar, ainda mais que está sendo escavado, e não há leis para proteção de artefatos naquela região. A questão é que, retirados os sedimentos, a madeira antiga estará mais exposta a agentes decompositores, que são extremamente eficientes no seu trabalho: decompor matéria orgânica. Não apenas isso, ainda tem o fator luz e temperatura. Se você olhou feio, aquela madeira se desfaz.


Fonte: National Oceanography Center

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