Reino Unido manda bem e a maior parte da geração de energia tem emissão zero de carbono

Geração de energia é algo muito complicado. Um país industrializado precisa de uma política de geração de energia bem planejada. Como o Brasil não é uma coisa, não pode ter a outra. O Brasil tem momentos que sofre picos de consumo de energia e, por isso, precisa ativar as usinas termelétricas. Sendo majoritariamente uma produção de energia por meio de hidrelétricas, a quantidade de carbono lançado na atmosfera sobe muito quando precisa ligar as esquentadinhas. As usinas nucleares seriam uma melhor pedida, mas os silvícolas deste país ainda têm medinho de isso aqui virar Chernobyl, sendo que nem somos tão incompetentes assim.

Já a Inglaterra e o restante do Reino Unido (não são a mesma coisa) estão no caminho contrário. Sendo sua geração elétrica por meio de combustíveis fósseis, pela primeira vez desde a Revolução Industrial, a geração de energia com emissão zero de carbono ultrapassa a geração por meio de carvão e gás no final de maio.

Nos primeiros cinco meses de 2019, as fontes de energia renováveis, como a energia eólica, hídrica e nuclear, avançaram à frente dos combustíveis fósseis como os principais geradores de eletricidade do Reino Unido. De acordo com a National Grid, a energia limpa foi responsável por 47,9% da energia do país entre janeiro e maio, com 46,7% de carbono.

Isto significa dizer que o Reino Unido está gerando mais energia com fontes zero de carbono do que combustíveis fósseis pela primeira vez. Isso está sendo descrito como um marco histórico e um momento decisivo, segundo a National Grid, a empresa de serviços públicos de eletricidade e gás sediada em Warwick, mas que também enveredou para pesquisa em geração de energia limpa… ou menos suja, já que não existe energia grátis. Sempre tem alguma poluição, nem que seja sonora, como é o caso da energia eólica; mas prossigamos.

Para vocês terem uma ideia em termos de realiazdo de investimentos em infra-estrutura, há apenas 10 anos, mais de três quartos da eletricidade da Grã-Bretanha era produzida por meio de combustíveis fósseis, sendo 30% derivados do carvão, enquanto a energia eólica contribuiu com apenas 1,3%.

Agora, no sacrossanto ano de 2019, 19% da energia gerada a partir de usinas eólicas (era apenas 1,3% em 2009), 18% por meio de usinas nucleares. O carvão, por sua vez, foi responsável por apenas 3% da eletricidade do Reino Unido em 2019, que se somado com o gás, gerou 46,7% da rede de energia da Grã-Bretanha, sendo que a geração elétrica com emissão de carbono zerada foi de 47,9%.

A meta de todo o Reino Unido é continuar investindo nisso. Agora, os planos estão mirando a rede hidrelétrica da Noruega com um cabo por mais de 700 km. Isso ajudará a fornecer energia para cerca de 750.000 residências no Reino Unido, lembrando que a população lá é de quase 70 milhões de habitantes,

O projeto de 1,5 bilhão de libras esterlinas tem conclusão prevista para 2021, indo de Blyth, em Northumberland, até o reservatório de Blasjo, em Kvilldal, o local da maior usina hidrelétrica do norte da Europa, num empreendimento cujas estimativas estabelecem uma economia às famílias britânicas algo em torno de 3,5 bilhões de libras ao longo de 25 anos. Afinal, estamos falando de país que não vive no Brasocapitalismo, em que se algo barateia, o valor pro consumidor final aumenta.

Tá bm até aqui? Ótimo, pois vai ficar melhor ainda, já que a National Grid planeja usar a mesma tecnologia das baterias dos carros elétricos da tesla Motors para armazenar a energia produzida por usinas eólicas e hidrelétricas, e então alimentar essa energia de volta para a rede por meio de pontos de carregamento durante o pico de consumo de energia.

E como fica o Brasil nisso?

Bem, o Brasil não tem investimento energético e ficamos sempre com cagaço cada vez que chega o verão. Acaba sobrando para nós quando ligam as termelétricas, já que usinas nucleares são coisa do Demonho. A saída seria a geração por painéis fotovoltaicos (energia solar, pros íntimos), com uma previsão de investimentos da ordem de 97 bilhões de dólares até 2040. O problema não é a tecnologia ou o investimento. Como sempre, é uma questão política. Quando se quer, se faz, ainda mais quando estamos falando algo que não é nenhuma novidade. Mas… Brasil, né?


Fonte: BBC

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