Pesquisadores estudam mutantes para melhorar a vida do Homo sapiens

A vida de mutantes não é fácil. Os Homo sapiens estão de frente para pessoas (podemos dizer que mutante é gente?) com diferentes características, capacidades e habilidades. Muitos deles só querem viver em paz com os chamados “normais”, mas quando seus genes mutantes se apresentam, e fica evidente a sua diferença, muitas pessoas chegam a ficar com medo. Alguns acham que uma simples cirurgia resolve a parte diferente. Será mesmo? Eu acho que podemos aprender muito com nossos irmãos mutantes.

Como os que possuem polidactilia.

Polidactilia é uma condição que a pessoa pode apresentar mais dedos do que deveria se esperar (poli = muitos; dáctilo = dedos). Uma das doenças que pode causar polidactilia é a Síndrome de Bardet-Biedl, em que, pelo menos, 14 genes estão envolvidos, e pode causar, além da polidactilia, obesidade, distrofia retiniana, atraso mental e hipogenitalismo. E isso porque somos um projeto inteligentemente desenhado! Mas nem sempre quem tem polidactilia tem este pacotão completo.

No caso de crianças com dedos extras em suas mãos, normalmente têm seu dedo extra removido por cirurgia, mas alguns conservam todos os dedos por toda a vida, mas isso não as impede de ter uma vida normal.

O dr. Carsten Mehring, pesquisador especializado em interface cérebro-máquina da Universidade de Freiburg queria avaliar como os dedos extras são manipulados pelo cérebro e se isso poderia significar qualquer coisa para o desenvolvimento de próteses.

Péra! Próteses? Para que alguém que tem um dedo a mais vai precisar de algo que normalmente é usado por quem tem partes a menos? Por um motivo simples: para entender como o cérebro processa cada parte do corpo, de forma a termos próteses que, se não são 100% iguais na atuação em comparação com a original, chegue muito perto disso.

Como próteses são projetadas para mimetizar a parte que deveria estar lá mas ou foi perdido ao longo da vida ou mesmo nasceu-se sem ela, é importante entender como o cérebro reconhece cada parte individualmente, e que melhor meio de fazer isso é comparar uma pessoa com todos os dedos iguais e pessoas com dedos que vieram de brinde da Black Friday?

Mehring e seu pessoal recrutaram dois participantes com polidactilia, uma mãe e um filho com ambas as mãos (polidactilia é causada por um gene dominante. Se um dos pais tiver, a prole tem 50% de chances de desenvolver polidactilia também), com seis dedos totalmente desenvolvidos e independentes.

Os pesquisadores estavam interessados em saber se os voluntários tinham habilidades motoras além das pessoas com cinco dedos, bem como saber como o cérebro é capaz de controlar os graus adicionais de liberdade. Para descobrir isso, solicitaram que os voluntários fizessem vários testes motores enquanto eram monitorados por meio de ressonância magnética funcional (fMRI).

Os resultados mostraram que os dedos extras de mãe e filho são movidos pelos próprios músculos. Isso permite que os sujeitos movam seus dedos extras o máximo possível, independentemente de todos os outros dedos, podendo usar seus dedos extras de forma independente, semelhante a um polegar adicional, sozinho ou em conjunto com os outros cinco dedos, o que torna a manipulação extraordinariamente versátil e hábil.

Não apenas isso, os pesquisadores descobriram que nas duas pessoas examinadas, as regiões extras do cérebro no córtex motor eram responsáveis ??pelos dedos extras. Além disso, dava à mãe e ao filho habilidades impressionantes, como amarrar cadarços com uma das mãos, apenas.

Sim, tem vídeo!

A importância disso é que entendendo como o cérebro consegue processar todas as essas informações, talvez, possa ensiná-lo a usar membros artificiais de forma tão automática quanto qualquer parte natural do seu corpo, e, de repente, estimulando-o a processar novos tipos de sinais. Algum membro extra? Vai saber!

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Communications

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