A neurobiologia de quem faz bullying

De onde vem a sanha de infernizar os outros, ser agressivo e praticar bullying? Alguns dirão que é preciso examinar textos de filósofos para saber as origens da moral e ética, mas filósofos, além de não servirem para nada além de dar aula de Filosofia, ignoram que nós somos o que nossos genes fazem conosco. Mas, claro, ninguém espera que professor de Filosofia saiba dessas coisas, certo? Nisso, pesquisadores descobriram como uma proteína de fator de crescimento afeta a dominância social em camundongos.

E acredite: esses sacripantas psicóticos são bem diferentes do Jerry, que também era um camundongo psicótico e não por acaso ele foi batizado assim (“Jerry” era o apelido que os alemães tinham na época da Segunda Guerra. “Tom” era o apelido dos ingleses. Pense no que significa).

O dr. Hyunsoo Shawn Je é professor-adjunto de Neurociência e Desordens de Comportamento. Sua pesquisa enfoca formação de sinapses como unidades fundamentais de conectividade neuronal no cérebro e investiga princípios de aprendizagem e memória, bem como processos subjacentes aos comportamentos animais e ecanismos patológicos de vários distúrbios neurológicos e psiquiátricos.

O dr. Je levou em conta que, assim como seres humanos, roedores são animais sociais também (alguns humanos se comportam como ratos, mas vamos deixar isso de lado); em que cada interação nossa segue regras de acordo com uma hierarquia social. Mas seria apenas uma condição social dominada pelo grupo? E quando há subversão de comportamento social, o que fazer? Qual a origem disso? outro tipo de formação moral? Influência de outro tipo de grupos? Fake News pelo WhatsApp? Sim e não. As fontes disso estão muito mais fundas em nosso ser: nossos genes.

Dentro do nosso querido cérebro, há uma guerra em andamento. A atividade neurológica é mediada por circuitos compostos de neurônios excitatórios, que aumentam a atividade, e interneurônios que inibem e acalmam a atividade excitatória. É como você ter alguém falando pra uma pessoa “isso mermo, mete o louco!”, enquanto que tem outro que diz “Cê tá maluco, rapá? Sossega esse facho!”

Jê e seu pessoal resolveram examinar isso de mais perto. Daí fez uns camundonguinhos em laboratório que não possuíam receptores de tirosina cinase. Estas substâncias são componentes essenciais das vias de transdução de sinal que medeiam a comunicação entre células, ou seja, é o guarda de trânsito que facilita o tráfego, senão de carros, mas de impulsos neuroquímicos de um neurônio pro outro. Estes receptores estão localizados na membrana plasmática e captam o sinal externo através da ligação ao seu respetivo ligando polipeptídico, nomeadamente fatores de crescimento, também chamados de “Fator neurotrófico derivado do cérebro”, uma proteína secretada que ajuda na sobrevivência dos neurônios e auxilia na neurogênese.

Je e seu pessoal resolveram ver o que acontecia quando os receptores de tirosina cinase eram removidos na área do cérebro que regula o comportamento emocional e social, conhecido como sistema corticolímbico. Os camundongos transgênicos exibiram comportamento agressivo incomum quando colocados com camundongos normais. Só faltaram xingar no WhatsApp, mandar fake news no Twitter e postar meme político no Facebook e bater na sua porta às 8 da manhã num domingo. Sim, verdadeiros maníacos!

Para entender a origem desse comportamento, Je botou seus colabradores pra trabalhar e estes realizaram alguns testes comportamentais. Eles descobriram que os ratos não estavam sendo agressivos para proteger seu território. Eles também não estavam sendo agressivos porque eram mais fortes; os camundongos transgênicos foram lesionados mais do que outros ratos durante atos de agressão. Em vez disso, seu comportamento agressivo foi resultado do aumento da luta por status e domínio sobre outros ratos do grupo. Em suma: viraram camundonguinhos diabólicos porque… sim.

A única explicação foi a mudança genética que fez com que os genes não fossem mais expressados para produzir receptores de tirosina cinase, fazendo com que as células excitatórias circundantes ficassem louconas de tão hiperativas que ficaram. Sabe aquela parte que manda você meter o louco? Pois é, ele meteu a porrada na parte boazinha e saiu enlouquecido pelo cérebro pintando e bordando, meio quando você enche a cara de cachaça barata e sai tocando o terror pela vizinhança sem ter a polícia por perto.

Tem sido um lugar-comum que família, amigos, igrejas, redes sociais e coisas afins contribuem para um comportamento bullynístico (isso não soou exatamente como imaginei). Até pode ser, mas é inegável que há um safadinho de um processo genético só esperando uma oportunidade para aflorar o sociopata que há nas pessoas.

A pesquisa foi publicada na PNAS, e quando você bancar o malvado, já sabe em quem culpar: seus pais, na Seleção Natural ou em qualquer coisa. Afinal, um maníaco como você jamais admitira que tem uma parcela de culpa, certo?

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