Canabinoides afetam a memória. Maconheiros iam reclamar mas esqueceram

Grandes Nomes da Ciência: Kathleen Drew-Baker
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Atualmente, há um grande movimento para liberar geral a maconha para tratamento médico. Claro, quem fala isso é uma besta, já que tem muita diferença entre usar canabinoides e o jererê. Alguns pacientes fumam maconha para combater a epilepsia, a esclerose múltipla e ocorrências de dores crônicas, mas em países em que isso é permitido é preciso de receituário específico. Em alguns estados norte-americanos, tratamentos com maconha são permitidos, apesar de haver lei federal criminalizando o uso. Sim, é uma bagunça, mas ter estados com leis independentes acabam nisso.

De qualquer forma, uma das alegações é que canabinoides não têm efeito colateral, mas só quem não entende um mínimo de farmacologia vai alegar isso. O problema é que pesquisas recentes estão mostrando que remédios extraídos de princípios ativos encontrados na maconha afeta a memória.

O dr. Neil Dawson é pesquisador do Departamento de Saúde e Medicina da Universidade de Lancaster. Ele pesquisa mecanismos pelos quais os fatores de risco genéticos e ambientais para doenças psiquiátricas e neurodegenerativas afetam o funcionamento, o comportamento e a cognição do cérebro. Por isso, ele resolveu estudar os efeitos do uso da maconha como método terapêutico.

Dawson pesquisou a ação da maconha a longo prazo e determinou a ocorrência de deficiências significativas de memória, nas quais ficavam impossibilitados de discriminar entre um objeto familiar e um objeto novo. É um fato novo a ser analisado, pois o que se tinha certeza até agora era o aumento do risco de desenvolver problemas de saúde mental, como psicose e esquizofrenia.

Nos estudos do dr. Dawson, foi usado o canabinoide WIN 55,212-2, o mesmo que aqui no Brasil usaram para diminuir o bruxismo em ratos (bruxismo é o ato de ranger dentes. É, pois é). Dawson e seu pessoal descobriram que uma exposição a longo prazo prejudica a aprendizagem e a memória nos camundonguinhos. Ao examinar imagens dos cérebros das cobaias ficou evidenciado que a droga prejudicou a função nas principais regiões do cérebro envolvidas no aprendizado e na memória.

Obviamente, virá um pessoal dizer que é mentira, pois maconha é saudável, isso é invenção da Big Pharma etc etc. Os resultados são esses mesmos, e mostram que a conectividade funcional do sistema da habênula, bem como a secreção de serotonina, acaba totalmente prejudicados.

A habênula é uma estrutura tão antiga que está presente em peixes, anfíbios e répteis, e como a Seleção Natural não joga nada fora, ela continuou lá no cérebro, sendo envolta por mais e mais camadas, até chegarmos nessa maravilha de gambiarra cerebral que temos dentro da cabeça.

Esta estrutura apresenta assimetrias que variam entre ambos os hemisférios cerebrais, diferentemente da maioria das estruturas, estando ela associada na organização neural e no comportamento, como reconhecimento social, resposta anti-predadotória e locomoção. Por isso, a neurociência tem dado cada vez mais atenção a esta pequena estrutura, que se mostra tão importante, e é uma das estruturas afetadas pelo canabinoide empregado, o que explica as deficiências de reconhecimento e memória.

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Neurochemistry.

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Sobre André Carvalho

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