Comunidade autossustentável precisa que alguém a sustente

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Eu acho comunistas uma classe de pessoas fascinantes. São dignos de serem observados por um zoólogo. O mais interessante de comunistas é que eles adoram as maravilhas do Capitalismo. Não só adoram, como praticam; mas parece que não sabem disso. outra coisa que eles não sabem é o mínimo de Biologia e isso acarreta em certas peculiaridades, como uma certa ONG que resolveu plantar arroz orgânico, sem estes venenos que o agronegócio malvado usa, tendo enormes gastos, porque se tem uma coisa que o Capitalismo Opressor gosta é de gastar dinheiro em demasia. O problema foi que eles perderam toda safra de arroz e agora estão pedindo ajuda aos universitários ao pessoal para doar dinheiro pra eles, porque é assim que o mundinho deles funciona: não deu certo, pede dinheiro pro papai, pros amiguinhos, para a Internet inteira.

A Comuna Pachamama, segundo sua própria definição, é um grupo político, feminista, que se localiza dentro de um Assentamento da Reforma Agrária no município de São Gabriel. Eles desenvolvem algo chamado “agroecologia” e se tornou autônoma financeiramente (prestem atenção nisso) e mantém um ponto de resistência aos agrotóxicos e às demandas do mercado malvado, com recursos primariamente retirados da venda do arroz e do mel orgânico.

Pois é. O Mercado é malvado, mas vamos ganhar dinheiro vendendo nossos produtos. Para uma fazenda autossustentável e financeiramente autônoma, que não depende de ninguém, não estou entendendo por que precisam vender as coisas. Provavelmente para ter uma boa reserva caso algo dê errado, mas ok, né? Eles plantam arroz e produzem mel. Mel orgânico, claro!


Mel dá força. Mel dá energia. Mel dá tudo!

Colocar água no mel ainda o faz ser orgânico, não? Porque eu já vi mel de camelô mais barato e “mais mel” que essa tranqueira aguada.

Com relação ao arroz, os exímios fazendeiros colheram e armazenaram e… perderam toda a produção. Sério, como o miserável perde 99% da produção de arroz? Simples: pragas.

Uma vez eu plantei com minhas crianças uma safra de agrião. Totalmente orgânico, sem pesticida, inseticida, homicida ou Emicida. Obviamente, eu sabia o que ia acontecer, mas as crianças não. Todo mundo feliz da vida com a hortinha saudável, linda e maravilhosa. Mãe Natureza pulando de alegria e coisa e tal. Daí veio umas borboletinhas coloridinhas e colocaram lindos ovinhos, dali apareceram lagartinhas e elas devoraram 80% dos agriões.

Daí veio o ensinamento: o agronegócio (aquele agronegócio malvado que, sem ele, 200 milhões de pessoas passariam fome) gasta milhões de reais em pesticidas porque, ou eles adoram gastar dinheiro à toa, ou sabem tão bem quanto alguém que tem um tomateiro em casa ou um pezinho de manjericão que sem pesticidas suas lavouras vão pro saco. Hortinha orgânica é linda, mas quando você precisa abastecer diariamente os mercados, hortifrútis, supermercados e quitandas (pergunte ao seu avô), não dá para esperar 3 meses por um pé de alface e perder tudo por causa de Dona Lagarta.

O que a autodemonimada “Comuna Pachamama” pareceu esquecer é que mamãe Natureza está mais para a Madrasta Malvada da Branca de Neve. Daí o que fazem? Pedem ajuda mostrando que comunidade é legal, mas depender de pai, mãe ou qualquer um que venha salvar a pátria por meio do bom e velho Capitalismo é muito melhor, ainda mais que eles reconhecem que o Catarse abocanha 13% do que é doado (mas deve ser porque o Catarse quer ter fundos para finalmente começar a Grande Revolução Mundial, e levar o paraíso comunista para todo mundo, inclusive os que fogem dos regimes comunistas). Por sinal, é muito interessante as fotos que estão no Facebook deles (Facebook, vocês sabem, é uma ONG comunista com sede na Coreia do Norte, fundada por Kim Jong Il). Deu pra ver bem a representação quilombola entre eles, verdadeiros exemplos da cultura afro, diretamente saídos do Congo.

Na revista O Viés (thanks, Cadoso), temos um belo registro do dia-a-dia dessa fantástica comunidade formada por uma resistência indígena, negra, quilombola e popular, vivendo num mundo de muito trabalho, labutando de sol-a-sol, com um cronograma muito exaustivo.

Até eu fiquei cansado com esta grande atividade laboral que começa com um café da manhã às 10h.

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Sobre André Carvalho

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