Humanos: o terror dos animais

Desde os primórdios, o Homo sapiens tem que lutar pela a sobrevivência, como qualquer ser vivo. Não somos predadores, somos macacos pelados com pouco mais de 20 mil anos. Não temos garras, não temos presas, não temos dentes afiados, não temos força muscular, não temos nada. Ursos, lobos, pumas, cobras… nós estamos à mercê da Natureza e só conseguimos dominá-la (muito mal) graças ao nosso intelecto, desenvolvendo tecnologia, como um machadão do mal feito de pedra.

Como bullies de colégio, resolvemos mostrar que somos malvadões com outras espécies e nos tornamos a besta-fera, os arautos do Apocalipse, nos dispondo a aterrorizar criaturas bem ao nosso estilo. Recebemos a alcunha de “super predador”, o terror de incríveis seres poderosos como os…

Texugos

A drª Liana Zanette é professora de Ecologia das Populações do Departamento de Biologia da Western University, Canadá. Ela estuda como as diferentes populações vivem e convivem entre si. No caso, sua pesquisa enfatizou aquilo que todos nós sabemos: seres humanos são maníacos por natureza e saem aniquilando outros animais, mas não é apenas isso.

O estudo da drª Danette, digo, drª Zanette demonstra que os carnívoros menores, como texugos europeus reconhecem os seres humanos com a figura mais assustadora, dignos de pesadelos que fariam Stephen King acordar berrando. Ainda mais levando em conta que seres humanos matam carnívoros menores em taxas muito mais elevadas do que os grandes carnívoros malvadões costumam fazer, acarretando na corrida pela sobrevivência em que pequenos mamíferos fogem de humanos como pessoal de Humanas foge de um sabonete.

Zanette conseguiu demonstrar experimentalmente que carnívoros menores, como texugos, raposas e guaxinins, podem parecer estar habituados a seres humanos porque eles vivem entre nós, mas a realidade é bem diferente. Eles experimentam elevados níveis de medo quando tem humanos por perto. Mas aí temos algo interessante. Parte desse medo vem de nossa urbanização, já que, assim, expulsamos predadores maiores, que estariam de forma indireta protegendo os animais menores das pessoas. Grandes carnívoros, portanto, ajudam a manter ecossistemas mais saudáveis, impedindo carnívoros menores de comer tudo à vista, e protegendo estes seres pequenininhos de carnívoros de médio porte (nós).

Janete, digo, Zanette testou como texugos europeus reagem mediante a sns de diversos animais. Analisaram os comportamentos dos texugos mediante sons de ursos, lobos, cães e seres humanos em seu habitat natural, registrando em vídeo o que eles faziam. Ouvir ursos e cães tinham algum efeito, mas ao ouvir o som de pessoas falando, em conversa, ou lendo trechos de livros, a maioria dos texugos parou a alimentação inteiramente, e reduziu drasticamente o tempo gasto com seus “almoços”, ralando peito dali o mais rápido possível. Alguns mais corajosinhos iam ver do que se tratava, e é assim que Darwin escolhe os seus.

A pesquisa foi publicada no periódico Behavioral Ecology.

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