Com um pouco de lubrificação, peixe espada vem com tudo

O peixe-espada é, além de um peixe-trocadilho, um belo animal. Só tem um detalhe: ele precisa nadar rápido, o que normalmente é complicado por causa do arrasto causado pela água, por causa da força de atrito. Sendo assim, Jesus, digo, a Seleção Natural selecionou certas vantagens que, bem… são vantajosas, ainda mais quando se é um peixe que nada muito, muito rápido. Assim, o peixão precisa ter o mínimo de arrasto hidrodinâmico, o que, em parte, é conferido pela sua morfologia. em outra por uma lubrificação que recobre seu corpo.

O dr. John J. Videler é professor emérito da Universidade de Leiden e de Groningen. Ele se interessa pela morfologia e deslocamento  de aves e peixes, mas é o peixe-espada quem mais lhe chama  a atenção. Videler descobriu que o crânio do peixe espadudo é áspera como uma lixa. Isto limita qualquer turbulência a uma camada fina, além de impedir que a formação de turbilhões, o que desestabilizaria seu nado.

Mas não é só isso! O crânio também contém pequenos furos, interligados perto de sua ponta, impedindo acúmulo de água na frente do peixe, reduzindo o arrasto, impedindo turbulência.

Acharam pouco? Ok, beleza. As características acima foram feitas por meio de ressonância magnética (o plano de saúde do peixe é bom, melhor que o meu!). Quando Videler dissecou o bicho, ele notou uma grande glândula oleosa entre os olhos do animal. Claro, ela não apareceu ali por milagre. Quando foi isso? Lá pelos idos de 2003.

Quando o aluno Roelant Snoek foi examinar a glândula, Videler disse que poderia ter alguma conexão ao sistema olfativo do peixe, só que tais conexões não foram encontradas. Mas até cientistas precisam de sorte e por puro acaso, Snoek descobriu, ao deixar uma lâmpada acesa cair dentro do crânio do peixe em questão, um emaranhado de vasos sanguíneos em torno dos orifícios. Isso pareceu indicar um sistema de aquecimento que ajuda a derreter a oleosidade excretada pela glândula, uma ideia devidamente testada usando um secador de cabelos.

O óleo, como toda substância covalente apolar, é hidrofóbica, isto é, repele a água, diminuindo o atrito desta com a superfície do peixe, diminuindo o arrasto hidrodinâmico. Em uma maneira mais simples: o óleo deixa o bicho mais escorregadio, podendo deslizar na agua, nadando com menos dificuldade, podendo alcançar velocidade maiores.

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Experimental Biology e mostra como os milhões de anos de evolução biológica deram características únicas ao peixe-espada. Claro, soa como um grande “meh!”, mas são o somatório desses “meh” que vamos entendendo um pouco mais o mundo, sem falar que sempre podemos aproveitar os zilhões de tentativas, erros, extinções e adaptações para produzir máquinas bem semelhantes aos seres vivos. Quem sabe se isso não vira uma obra de engenharia naval?

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