Japoneses criam hologramas de plasma sensíveis ao toque

O Castelo dos Cárpatos (Le Château des Carpathes) é uma obra de Júlio Verne de 1893. Alguns acham que é graças a ele que Bram Stoker se inspirou para descrever a morada de Drácula, publicado em 1897, já que a história se passa no aldeia de Werst, nas montanhas dos Cárpatos da Transilvânia. Os aldeões temem o lugar, pois coisas misteriosas acontecem naquele castelo, alegadamente obra de Chort, o Diabo. O conde Franz de Télek, está intrigado lá investigar. Ele encontra o proprietário, o Barão Rodolphe de Gortz, com quem disputou o coração da bella La Stilla, que se julgava morta. Mas sua imagem misteriosa aparece lá.

Uma das principais taras da ficção científica são os hologramas. Desde Guerra nas Estrelas (Star Wars my ass) até holodecks, é maravilhoso pensar que manipularíamos objetos virtuais projetados bem à nossa frente. O Google Glass prometeu, mas até agora nada. O hololens é uma aposta arrojada, mas não é para agora. Mas e seu eu tivesse um holograma com o qual eu pudesse manipular fisicamente. Ficção? Não, Ciência!

O dr. Yoichi Ochiai é pesquisador da Universidade de Tóquio, nas áreas de computação gráfica, Engenharia, interações homem-máquinas e criação de monstros através de resíduos poluentes, mas agora ele está brincando de construir coisas que não existem, fazendo-as existir. Não é magia, é tecnologia, ainda mais porque ele não tem o corpo da Joana Prado.

O dr. Yoshi, digo, Yoichi usou lasers de fentossegundos. Esta gracinha usa a técnica chamada "mode-locking" (traduzir para "modo de encaixe cairia na regra 34"). Esta técnica se baseia no princípio em que um laser é emitido por pulsos da ordem entre os picosegundos (10-12s) e os femtoseconds (10-15s). Eu ia escrever uma longa e tediosa explicação. Estou sem paciência e a maioria das pessoas iria pular as explicações (se lerem o primeiro parágrafo, estarei com sorte). Assim, leia isso aqui da Wikipédia.

Tá, você não leu. Veja o videozinho abaixo:

Basicamente, o que o bom dr. Japa desenvolve é uma tecnologia que cria uma espécie de tela de plasma em 3 dimensões, induzidas por um laser de femtossegundo, o qual faz com que as moléculas de ar fiquem ionizadas, chamadas de "voxels" para criar pontos brilhantes de luz.. Os lasers infravermelhos de femtossegundos usados para criar estas voxels são seguros e não servem para fazer Pew! Pew! Pew! Nem para destruir planetas rebeldes. Ainda que conseguisse, ainda seria insignificante perante o poder da Força, mas a Força não faz borboletinhas coloridas flutuando no ar, e o Yoda que se dane!

O maneiro desse holograma é que, como ele manipula moléculas do ar, de fato ele cria imagens materiais de um tom azulado, mas são plasmas que duram muito pouco tempo. A matéria, como você se lembra das aulas de tia Teteca do Fundamental, possui massa e ocupa lugar no espaço. Além disso, sua principal característica é que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Os hologramas interativos podem ser programados para reagir e mudar de forma em reação ao contato. Ou podem simplesmente "desandarem" ao menor toque, desfazendo-se, reagrupando-se em seguida. Tocou neles, eles se desfazem.

Os hologramas criados possuíam 1 cm3, mas de acordo com Ochiai san, este tamanho é escalável, dependendo dos dispositivos ópticos e sua configuração. O artigo que você poderá ler inteirinho digrátis está AQUI (sim, é PDF. Pare de reclamar) e fornece detalhes sobre os princípios, configuração do sistema e avaliação experimental; mas eu sei que o que você quer mesmo é ver a bagaça funcionando. Bem, taí:

Aplicação para isso, não falta. Desde decoração até tecnologia médica ou fazer filme do Homem de Aço. Na história de Júlio Verne, donna La Stilla era apenas uma imagem projetada em alta qualidade acompanhada de uma gravação reproduzida por um fonógrafo. O plasma manipulado e criado por um laser de femtossegundo está ali, é tateável (sim, dá para realmente sentir o objeto).

As maravilhas da moderna tecnologia encantam tanto quanto a ficção de outrora, sem que uma ofusque a beleza da outra, e isso é que é verdadeiramente mágico. E para matar a sua curiosidade, você poderá ler a obra de Júlio Verne AQUI. Divirta-se.

3 comentários em “Japoneses criam hologramas de plasma sensíveis ao toque

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