Toyota lança carro movido a lágrimas de unicórnios

O mundo mágico do Marketing faz com que esqueçamos alguns detalhes que eles julgam de pouca importância. Eles usam o princípio do judô: use a força do seu oponente contra ele mesmo. Assim, eles usam a própria tendência estúpida das pessoas em acreditar em coisinhas mirabolantes para divulgar seus trecos e vender produtos. Alguns detalhes são devidamente ignorados, afinal, ninguém quer saber a verdade, e se o idiota quer se separar do seu dinheiro, quem os vendedores são para se oporem a isso?

A Toytoa lançou um incrível carro movido a hidrogênio, e isso significa emissão poluente zero,certo? Bem, é o que eles querem que você pense, e é o que, de fato, os idiotas dos consumidores acreditarão!

O Iberê me compartilhou uma incrível notícia. A Toyota lançou na segunda-feira passada (18/11) o primeiro carro movido a célula de hidrogênio pro povão! Pro povão de lá, claro. Você que se ferre com seu FIAT 147, mesmo que ele dispute racha com um lamborghini e um porsche. A Toyota divulgou que o Mirai é a aposta do futuro blábláblá emissão zero de gases tóxicos blábláblá nada de efeito estufa blábláblá whiskas sachê.

Esta bagaça custará (lá) o equivalente a 150 mil Dilmas, mas tem o problema de não ter postos de abastecimento para ele. No press release (um bog metido a besta), é dito que:

O hidrogênio pode ser gerado através de uma ampla gama de recursos naturais e de subprodutos de atividades humanas, tais como resíduos de esgoto e lixo industrial. Ele também pode ser obtido a partir da água com o uso de fontes naturais de energia renovável, tais como solar e eólica. Quando comprimido, o hidrogênio tem densidade energética mais alta do que as baterias, sendo relativamente fácil de armazenar e transportar e, portanto, uma potencial fonte de geração de energia.

A tecnologia da célula combustível poderá ajudar a transformar em realidade uma sociedade com base no hidrogênio, contribuindo, portanto, para acelerar a diversificação das fontes de energia limpa.

Eles não explicam, claro, como é essa tal de célula a combustível. É algo como colocar umas pastilhas no carro, um pouco de água e, em seguida:

Eu já expliquei o que é uma célula combustível. Não tem hidrogênio saindo de nenhuma cavidade. É preciso gastar mais energia do que produzir, e se você leu meu artigo sobre Termodinâmica, vai entender o porque. Você teria que armazenar grande quantidade de hidrogênio, e ele é muito seguro. O pessoal do Hindenburg não me deixa mentir.

Agora, como o hidrogênio será usado?

O Mirai possui um motor elétrico, uma bateria, dois tanques de hidrogênio de alta pressão, com capacidade máxima de 70 Mpa, um conversor elevador de tensão, uma central de comando e a célula combustível a hidrogênio – uma estação localizada no centro do assoalho do veículo. É dentro desta estação onde ocorre a reação química para colocar o Mirai em movimento.

Yep. E qual é a energia para pressurizar este hidrogênio. E ela vem da onde? Do Gif acima?

O veículo capta o oxigênio da atmosfera através de sua entrada de ar frontal e o leva até esta estação, para onde o hidrogênio contido nos dois tanques também é direcionado.

Cada litro de ar tem 160mL de oxigênio. E eu nem falarei de poluição.

Dentro dela, a célula combustível divide o hidrogênio em duas moléculas

o.O

gerando uma carga elétrica. Ao mesmo tempo, o oxigênio se une às células de hidrogênio, formando água.

Hidrogênio é ser vivo?

A energia elétrica é direcionada ao conversor, que alimenta o motor do Mirai, e a água é expelida pela válvula de escape.

Que energia elétrica, carai?

O motor também é alimentado diretamente pela bateria, recarregada por energia cinética gerada pela desaceleração e frenagem do automóvel.

Ahá! Agora sabemos!

O Mirai possui dois tanques de hidrogênio com autonomia para rodar 650 km sem necessidade de reabastecimento.

Claro, claro. Claro que eu acredito! E lembrem-se se e quando esta bagaça não funcionar do jeito que foi dito, a culpa é sua que meteu a mão no câmbio de forma errada (desculpável, dada a dimensões diminutas).

4 comentários em “Toyota lança carro movido a lágrimas de unicórnios

  1. Pior que a notícia são os comentários (é, eu sei. Never read the comments, mas eu não resisto). Tem gente achando que esse carro movido a mijo de duende vai acabar com a Venezuela, com os xeiques árabes, com a Petrobrás, com o Pré-Sal, com a British Petroleum e com as sete irmãs do petróleo.

    Será que esse pessoal que comenta em portais de notícias é tão ignorante, estúpido, parvo, idiota, cretino, néscio e boçal que acham que petróleo só serve para produzir gasolina?

  2. Recentemente, em São Paulo, entraram em circulação ônibus movidos a hidrogênio, e me parece seguir esse mesmo princípio, eu tenho uma dúvida, pois já estava sendo noticiado há algum tempo, mas sem qualquer critica ou constatação por artigos. Como eu moro em SC eu fico sabendo em primeira mão sobre o que sai da WEG, que é uma das que detém essa “tecnologia”, mas a explicação deles é meio confusa e não bate com algumas noticias, e olha que trabalho com equipamentos da empresa e tenho contatos (mas parece que nem sabem o que fazem na empresa!!!!), sou formado na área metal mecânica, mas realmente, não consigo achar algum artigo válido e se realmente isso corrobora com a verdade de alguma forma, pois é André, tem como me dar uma luz nesse assunto??

      1. Pois é, eu queria entender bem o por trás disso, os jornais, a gente já tá careca de saber que não levam a ciência com seriedade e eles tem manias de não postar fontes dos artigos, isso já é uma @#%$&!
        Aí o mais legal, é os teóricos da conspiração dizendo que a indústria do petróleo não permite isso e silenciam os inventores e aquela balela sem noção de sempre, então fui a fundo nisso, vi que o hidrogênio é fornecido pela Petrobras!! Onde está a energia limpa??? O pior é que, no site da WEG, eles anunciam isso com aquele hype sensacionalista, e no final a galera jura de pé junto que é verdade. Pra mim, esse assunto ainda é confuso, pois a WEG ainda anuncia esse conceito.
        Mudando um pouco o foco, mas falando em eletrólise, me lembrei agora disso, eu trabalhei pra uma empresa que fabrica protótipos para a Petrobras, isso foi 10 anos atrás, a gente desenvolveu uma máquina que separava resíduos de petróleo, e parte dela desses resíduos era hidrogênio, aquela máquina gastava uma caralhada de watts, que até hoje essa empresa mexe nessa máquina pra conseguir eficiência, pelo que eu sei, inclusive ná época, até saiu um artigo na Science Superinteressante sobre essa tecnologia, e como sempre, sem nenhum link com demais informações.

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