Você acha que enxerga com nitidez? Tenho mas notícias

Nós, macacada pelada, achamos que temos órgãos muito bem feitinhos. É um engando. Nós achamos que enxergamos excelentemente bem (exceto eu, que uso óculos), mas também é um engano. Enxergamos ridiculamente mal em comparação a várias outras espécies, e se você consegue ler todas as letrinhas daquele quadro que tem nos consultórios de oftalmologia – independente de ali ter o nome do seu amigo polonês ou não – tenho péssimas notícias: é tudo criação do seu cérebro troll, que lhe ilude da maneira mais tosca possível.

O dr. Arvid Herwig é pesquisador do Departamento de Psicologia Neuro-Cognitiva da Universidade de Bielefeld, na Alemanha. Ele e qualquer pessoa mediamente inteligente e que lê o Ceticismo.net sabe que o cérebro é uma grande gambiarra evolutiva, mas não tanto quanto o olho humano, essa tosqueira com um ponto cego. Herr Herwig sabe também que apenas uma pequena área é realmente a que enxergamos, sendo o restante um borrão inútil, que só serve para termos ideia que há algum predador por perto, pronto para seguir os preceitos de Nosso Senhor Darwin.

Os olhos varrem o ambiente e o cérebro monta a imagem, de forma que possamos ter uma espécie de "quadro geral" do que está em nosso campo de visão. Mas, curiosamente, o cérebro ainda faz outra coisa (e essa é a melhor coisa que o cérebro faz): trapaceia. Herwig usou cobaias humanas (MUAHAHAHAHAHA!!!!) para testar como o cérebro faz esta mágica.

O que eles descobriram é que a imagem que o cérebro constrói usa pequenas informações previamente gravadas no cérebro. Assim, o cérebro percebe que o olho está se movendo, intui que a imagem sairá borrada, deixa a imagem que seus olhos estrão acompanhando nítida (mesmo efetivamente não estar sendo vista de forma nítida), encapa tudo e e voilà! Taí a imagem que você pensa que está vendo, apesar de não ter colher nenhuma ali.

Herwig e seus colaboradores fizeram experimentos de rastreamento ocular para testar a hipótese. Usando a técnica de rastreamento ocular, movimentos oculares são medidos com precisão com uma câmera específica que registra 1.000 imagens por segundo. Em seus experimentos, os cientistas registraram rápidos movimentos oculares conhecidos como "Movimentos sacádicos"[1] [2].

O movimento sacádico é um movimento rápido de olhos, cabeça ou outra parte do corpo ou em um dispositivo. Ele também pode ser uma rápida mudança de frequência de um sinal emitido ou outra mudança rápida. Os movimentos sacádicos são rápidos e simultâneos de ambos os olhos na mesma direção.


Sim, dá medo se for visto de3 noite, numa TV de 40" e toda a sala escura.

Como cientista é um bicho sacana, no experimento de Herwig as imagens eram trocadas durante o movimento dos olhos, e ninguém percebia. O cérebro tosco pouco se importava, ele já te deu a informação e se fode aí, mermão! O resultado mostrou que a ligação entre a impressão visual grosseira e a detalhada ocorreu depois de apenas alguns minutos. As impressões visuais grosseiras tornaram-se semelhantes às impressões visuais detalhados recém-adquiridas.

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Experimental Psychology: General

Nós somos frutos de nossas experiências, as mesmas experiências que influenciam nossa visão. Claro, independente disso, se alguma caravela atracar na enseada de sua ilha, você VAI VER a porra da caravela. E, obviamente, ficar´[a mais fácil para você descrever aquele canoão que atracou ali, mas no mundo muito rápido, nem sempre conseguiremos ver detalhes, nuances ou quem realmente matou a srª McGilligham, fazendo das testemunhas oculares as criaturas mais inúteis que existem.


Você contou, não foi?

4 comentários em “Você acha que enxerga com nitidez? Tenho mas notícias

      1. @André, Nunca tinha visto o vídeo antes. Na verdade, na hora que estava vendo pela primeira vez, eu notei algo estranho passando, apenas um vulto, só fiquei sabendo que era um urso depois.

  1. Existe uma maneira mais prosaica de notar que não se ‘enxerga’ bem (ainda no nível ótico): quando se coloca um óculos nunca tendo usado um e necessitando do mesmo. É o que acontece com crianças (e muitos adultos) quando fazem um exame e passam a usar correção. Simplesmente não temos outro referencial de “enxergar bem” além do nosso próprio e tão logo isso é corrigido ficamos boquiabertos… bem, isso vale para muitas coisas…

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