Por que jogadores de futebol ganham mais que professores?

Uma das coisas que mais ouvi durante esta Copa (que fez o favor de detonar com as minhas visitações. Thanks, Blatter!) foi a indignação, não com o vergonhoso placar do jogo contra a Alemanha (isso também), mas com relação aos salários vultuosos vultosos dos jogadores de futebol, enquanto professores (prazer, André) são tão mal pagados, com a primeira parte também.

Toda vez quando rola algum evento em que temos um grupo bem remunerado, critica-se, comparando com os salários dos professores. O que há de mal nisso? O mal está na burrice, estupidez e hipocrisia.

A burrice está na generalização. Primeiro, nem todo jogador de futebol ganha bem, assim como nem todo professor ganha mal. Algumas estrelas (nos dois lados) se destacam, nem sempre por causa de talento. A maioria (ainda nos dois lados) não ganha tão bem assim. Vamos analisar.

De acordo com o Zero Hora, por exemplo, o gaúcho, digo, o jogador Neymar terá seu salário pago pela FIFA. Neymar ganha cerca de R$ 718,8 mil mensais, mas como ele tomou aquela porrada nas costas enquanto defendia a seleção brasileira, o Barcelona muito provavelmente deve ter chiado, pois ficou sem o jogador por um bom tempo. A FIFA vai depositar a grana no Barça e este irá repassar ao jogador de cabelo esquisito. Mas não é só isso!

Devemos levar em conta que não é só isso. Neymar ainda recebe dinheiro de patrocinadores, e não é pouca coisa, como vemos na Forbes! O que isso significa? Pouca coisa, ainda mais se vocês pesquisarem por times de futebol com salários atrasados.

Meu salário está em dia. Just saying!

Mas não é só isso!

Suponha o Juquinha Pé-de-Sapo do XV de Xingu. Que tal se a L’Oreal o patrocinasse? seria legal, mas temos um problema. O patrocínio não é simplesmente dar dinheiro de graça, sem querer retorno. Nome disso é "doação". Patrocínio implica que o talzinho irá divulgar a sua marca. Qual a exposição do XV de Xingu no campeonato indígena terá em comparação ao Barcelona jogando a Copa da UEFA?

Patrocinador quer que sua marca seja visível a todos. Então, não é pra todo mundo e a L’Oreal não tem tanta verba assim para pagar todos os jogadores brasileiros, de todos os times. Assim, não são jogadores que ganham bem. ALGUNS jogadores ganham.

A estupidez, portanto, é de achar que basta você ir ser jogador de futebol que seu futuro financeiro está garantido. Está tanto que muitos viram comentaristas de TV. E nem mesmo bons jogadores acabam se dando bem, e mesmo maus jogadores acabam na seleção, nem que seja para assistir a Copa de entro do campo, sem fazer muita coisa (oi, Fred! Você por aqui, rapaz?)

Da mesma forma, alguns professores acabam se dando bem. Muitos que conseguem empregos em cursinhos ganham muito, fazendo seu showzinho particular. Ele não está lá para ensinar nada e sim garantir que os alunos se divirtam, continuando no cursinho e enriquecendo o dono. O dono, assim como a L’Oreal (eu falo "L’Oreal", mas pode ser qualquer grande empresa que patrocine bem generosamente, como a Coca-Cola), pagará mais por aqueles que garantam melhor exposição da sua marca atraindo mais clientes.

A verdade é que ninguém ganha bem no Brasil, só alguns poucos., Médicos que atendam por plano de saúde recebem uma verdadeira merreca dos planos, enquanto estes cobram até as pregas das pessoas. Todo mundo ganha pouco e por vários motivos, seja ganância da empresa, seja a alta carga tributária. Não dá para resumir aqui, já que o foco deste artigo não é fazer elucubrações pelo motivo de se ter salários tão ruins aqui no Brasil.

A hipocrisia vem do fato que, na verdade, ninguém se importa com professores. Alguém aí já foi em escola de lugares afastados, com professores ganhando 50 reais por mês para cumprimentá-lo e, quem sabe, deixar um "agradinho"? Não, claro que não. É que nem o pessoal que se "preocupa" com a fome no mundo, mas se vir um mendigo vir em sua direção, já vai dizendo que não tem, hoje tá ruim etc. Veem crianças pedindo dinheiro em ônibus, grávidas vendendo bala no sinal etc. Não interessa o motivo pelo qual você não vai dar o dinheiro. Interessa o fato que você não está preocupado com quem está perto de você, preferindo se preocupar com quem está longe,´pelo simples fato que você dará de ombros e dirá que não pode fazer nada.

As pessoas só gostam de professores em época de eleição ou para atacar outra atividade profissional. Fazem movimentos de doações? Dão desconto em sua loja, quando não é obrigatório por lei (como em alguns eventos culturais)? Não, não dão. Editoras, antigamente, DAVAM os livros, independente de qual livro era, para professores. Depois, só davam os livros didáticos e agora só dão desconto (o mesmo desconto que d~]ao às livrarias, senão menos).

O que as pessoas querem dizer com "este jogador ganha milhões enquanto professores ganham mal" na verdade é "aquele filho da puta não joga nada e tem vários contratos e eu tenho que ganhar esta merreca. Eu devia ter sido jogador".

A vida é assim, cara. Aceite isso! Mas não misture as coisas. Nenhuma empresa patrocinará professores, pois:

1) As pessoas odeiam professores, independente o que digam. Basta reprovar o filho vagabundo delas.

2) Não há exposição de marca. Não há sentido o patrocínio. Expor uma marca para 40 aborrecentes não dará dinheiro a ninguém. Talvez a algum traficante, mas isso ainda é proibido por lei.

Esta e a realidade dos fatos. Quer ganhar bem? Estude, tenha um bom emprego. Porque daqui a alguns anos o Neymar não ganhará este dinheirão todo e suas reservas não estarão lá em cima. Ele vai gastar tudo e quanto mais você ganha, mais você gasta. É assim que acontece. Um bom profissional na sua área ganhará muito, ainda mais se estudar cada vez mais, se especializar mais, tiver bons contatos e fazer coisas que outros não fazem.

Eu ganho relativamente bem, porque eu não sou apenas professor. trabalho muito, é verdade, mas não há muitas opções de enriquecer com a Química. E as opções que existem são ilícitas, então o negócio é trabalhar.

Tenham isso em mente antes de criticar o salário dos outros, sim?

15 comentários em “Por que jogadores de futebol ganham mais que professores?

  1. Ótimo texto. Vou mostrá-lo a todos os sofativistas do Facebook, do Twitter ou seja do raio que o parta que aparecem na minha timeline e que (fingem que) se preocupam com a situação dos professores.

    Levarei pedradas, porém as suportarei feliz da vida.

  2. Salário é tudo o que existe de mais relativo neste mundo. Um bom pipoqueiro, sem Paitrocínio, muitas vezes ganha mais que um “dutô” bem formado. Longas são as discuções a esse respeito. Eu acredito que ninguém deveria, mesmo, se preocupar com que os outros ganham, principalmente se for jogador de futebol – eles ganham para divertir aqueles que gostam de futebol.
    O André diz que não há muitas opções para enriquecer com química, os donos da Braskem não concordam. Eu concordo com uma coisa, estudei pra carai minha vida inteira, merecia ganhar mais que o Fred.

  3. Andre fala que esta bem financeiramente, mas todos sabemos que e por causa da metanfetamina. O ceticismo.net e so fachada pra lavagem de dinheiro, com as doaçoes pro site fica facil esconder o esquema.

  4. Ao meu ver além dos baixos salários para os professores em geral existe a questão da grande diferença entre alguns salários. Por exemplo um engenheiro em início de carreira consegue ganhar em torno de 5000 reais, enquanto que um professor em início de carreira quando com muita sorte consegue tirar 2000.

    Sobre a postagem de André eu já havia explicado isso a muitas pessoas. Existem realmente os professores que ganham pouco (a maioria), mas existem professores que ganham muito dinheiro, da mesma forma que observamos nos jogadores de futebol. Uma minoria tem realmente os salários altos como vemos, combinado ainda com marketing e etc etc etc, enquanto que a maioria tem salários baixos.

    Não fico reclamando se A ou B (jogadores de futebol) ganham muito, se tem quem pague paciência, não cabe a mim ficar julgando. Continuo trabalhando dando minhas aulas (química mestre André) e fazendo a minha parte.

  5. Tem um texto do Instituto Mises Brasil que fala exatamente disso aí, o texto é “Não é a meritocracia; é o valor que se cria”.

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