O que está escondido na medicina tradicional chinesa?

Há a onda de muita gente ter mania de ser natureba e odiar química, numa frase que, em si, não faz o menor sentido. Uma das piores coisas que tem é dor. Eu odeio sentir dor. Não que eu seja molenga, até que suporto bem dores, mas por que ficar sentindo dor desnecessariamente, só porque a "indústria farmacêutica ganha trilhões de dólares todos os anos por causa do sofrimento alheio blábláblá". Ganham? Ótimo! Assim, têm verba de pesquisa para pesquisar outros medicamentos.

Agora, médicos se perguntam o que podem aproveitar da chamada "medicina tradicional chinesa". E isso leva a um pensamento errôneo.

As pessoas pensam que há algo mágico na medicina chinesa. Tudo deles é melhor, pois eles vivem mais etc e tal. Deixem-me antes falar um pouco sobre isso.

Alegar que a medicina chinesa, ayurvédica e coisas similares são lindas e fantásticas, com base na longevidade é falácia. É o mesmo que dizer que a sociedade está desestruturada porque os casais se separam muito mais cedo, sendo que antigamente, as pessoas se casavam para sempre e ficavam décadas juntos, até que a morte os separasse. Esquece-se, todavia, que antigamente o casal que se separasse era excluído do convívio social. Mulheres eram consideradas vagabundas e os homens, safados (às vezes, até eram). Então o homem ou a mulher passava uma vida infernal, com um cônjuge vindo direto das profundezas, sacaneando o marido/esposa, com direito a surras constantes, ataques de ciúme e até a famosa "honra se lava com sangue".

NO caso da longevidade, devemos entender que os idosos HOJE vieram de condições de vida diferentes. Comiam alimentos mais frescos, leite mais saudável, iogurte, coalho, manteiga etc. Hoje? Olhem só aquele leite de caixa. Fiquem sacudindo ele, sabe o que acontece] Nada. Antes, o leite era fresco, realmente. Você batia para a gordura ficar sobrenadante e você tinha manteiga. Fritura? Nada de margarina, aquela porcaria. Era manteiga ou mais certo: banha de porco.

Essas pessoas tiveram uma boa alimentação quando jovens,seus corpos estavam acostumados a pegar no batente e não ficar sentado na frente de um computador, usando sapato apertado, gravata, andando no sol quente, logo depois de ter saído de um ar-condicionado hipergelado. Eles não viveram o estresse de trânsito que tem hoje, nem as preocupações de pagar contas e taxas e tributos e impostos que foram sendo inventados ao longo dos anos. Pagamos muito caro pela nossa modernidade. Mesmo que vivamos essa idade toda, não chegaremos nas mesmas condições.

No caso dos chineses, é de se lembrar que boa parte dos seus habitantes ainda mora na roça, com um sistema de vida pouco diferente do século XV (não ria, pois isso também tem aqui no Brasil, onde nem eletrificação nem saneamento básico tem). Não é uma questão que a medicina lá é milagrosa por causa dos poderes energéticos de qualquer coisa lá que nem o terapeuta sabe o que é. É tudo uma questão de estilo de vida. Tira o tiozinho lá de dentro da província de Buda-me-Livre, onde Confúcio perdeu as botas e coloca, sei lá, no trânsito de São Paulo na hora do rush. Ele vai pegar logo uma katana e fazer um seppuku (sim, EU SEI!).

E quanto a tratamentos hardcore, como leucemia? Será que a medicina chinesa tem algo que possamos usar? Bem, é isso que o  dr. Samuel Waxman acha. Ele é professor de oncologia, hematologia e trabalha no Hospital Mount Sinai. Se você quer alguém cuidando da sua saúde, o doce pensamento é que seja da estirpe do dr. Waxman, mas pelo visto acabaremos no SUS, mesmo.

Waxman não está tanto no mar ou tanto na terra. Ele é um médico utilitarista no bo sentido. Se alguém criou algum tratamento que se comprove ser eficaz, ele não pensa duas vezes em usar. Um exemplo é o trióxido de arsênio. Sim, arsênio, elemento venenoso, mas em substância composta pode ser (e já foi por muito tempo) usado como remédio, reforçando o princípio da farmacologia que a diferença do remédio pro veneno é a dosagem (mas me confesso que ficaria com o dito cujo na mão se soubesse que estou sendo tratado com arsênio. Algumas ideias primitivas nunca morrem).

.A equipe de Waxman descobriu que  em combinação com o ácido trans-retinóico, o combate à leucemia promielocítica aguda se torna tão eficaz quanto a quimioterapia habitual .

Não estamos falando de chazinho mágico, e sim de princípios ativos nunca antes explorados. Não aparecerá nenhum Pai-Mei e fazer unga-bunga nos pacientes e – OHHHHHHHH – ele vai ficar curado. Estamos falando de bioquímica, mesmo. Se os antigos médicos chineses sabiam disso? Óbvio que não, mas curava o paciente, que diferença faz?

Waxman escreveu um relatório para o periódico Blood, publicação da Sociedade Americana de Hematologia.

Parece aquele velho lenga-lenga "os antigos têm muito a nos ensinar". Mais ou menos. Eles mesmos não sabiam porque o chazinho atuava. Isso não é bem ciência. Ciência busca o entendimento do que acontece, como acontece e porque acontece. Claro, isso não significa que não tenha seu valor, é conhecimento acumulado. O que vemos na pesquisa do dr. Waxman e de vários outros que estudam a medicina chinesa é a ampliação desse conhecimento, buscando respostas e formulando outras perguntas, como "podemos tratar melhor os pacientes sem tratamentos que não só acabem com a doença como com a saúde desse mesmo paciente?"

A resposta descobrimos dia após dia em cada trabalho publicado.

25 comentários em “O que está escondido na medicina tradicional chinesa?

          1. @André, Medicina chinesa (método homeopático/sem base cientîfica (?) > Ela produziu resultados, aos quais você atribuiu ao estilo de vida mais saudável dos chineses (alimentação, vida na roça etc.). E eu estou tentando complementar que o efeito placebo pode contribuir em tais resultados .
            Tem a ver com o artigo ou perdi o fio da meada?

          2. Se vc se DIGNAR de ler a notícia, verá que o pesquisador achou substâncias no chazinho que realmente são princípios ativos. Não tem nada de placebo ali. Preste mais atenção no que lê.

  1. Isto sim é estudar métodos antigos a sério, e não sair tomando chá de qualquer coisa, só porque o avô tomava também.
    É legal ver a prática de um povo ser ratificado, sistematizado e transformado em ciência.
    Garanto que poderíamos fazer muita coisa com os tratamentos indigenas do BRasil, mas por aqui só vão perpetuar as superstições e não conheciimento útil.

  2. Mas a medicina chinesa não engloba apenas um chá, eu estava falando no geral. De qualquer forma, tudo bem então . Como usuário novo comecei mal infligindo a Política de Comentários. Malz ae, prometo que num faço mais xD

  3. A ciência vai buscar lá na menor das moléculas o porquê aquele chazinho chinês funciona, descobre e desenvolve seu princípio ativo (na forma identica, sintética). Antigamente era na base da observação dos efeitos, então, um chá verde é um excelente anti oxidante, o que faz muito bem pra saúde, os antigos não sabiam porque mas sabiam que dá longevidade. A ciência é isso, observação, pesquisa e desenvolvimento.
    Agora, falando de leucemia e outros canceres. Se um ganhador de Premio Nobel escreveu isso:

    “Cancer, above all other diseases, has countless secondary causes. But, even for cancer, there is only one prime cause. Summarized in a few words, the prime cause of cancer is the replacement of the respiration of oxygen in normal body cells by a fermentation of sugar.

    —Otto H. Warburg,”

    Por que não eliminar ou reduzir drasticamente (como terapia apenas) o consumo de hidratos de carbono para matar, “de fome” as células problemáticas? Sabemos que células saudáveis podem muito bem obter energia de outra forma (de corpos cetônicos). Claro, é só uma divagação, afinal de contas não sou médico ou cientista.

      1. @André, pelo que entendi, na falta de carboidratos usa-se lipídios ou proteinas e o ciclo de Krebs continua.
        ..”is a series of chemical reactions used by all aerobic organisms to generate energy through the oxidation of acetate derived from carbohydrates, fats and proteins into carbon dioxide and chemical energy in the form of adenosine triphosphate (ATP). “. Sei lá, conjecturas.

          1. @André, mas, mas…e a reposição destes nutrientes (gorduras e proteinas)? Não há necessidade de usar as reservas do corpo. Ok, não tenho condições de desenvolver este assunto, tenho que estudar mais. Foi apenas uma idéia.

          2. ISSA! Fica se enchendo de gordura para compensar o açúcar. Darwin tá muito risonho te esperando fazer isso.

          3. Bom, fugi do assunto do post. Gorduras não são mais deletérias que os hidratos de carbono, gostaria de conversar mais sobre este assunto em um post apropriado, quem sabe, se você permitir um dia. Claro que vou estudar um pouco.

  4. Bobagem. Meu filho teve uma reação alérgica terrìvel tomando homeopatia, foi do licopodium. Um criança pequena e autista não vai sofrer efeito placebo. Eu me livrei de uma cirurgia com homeopatia e gotas nasais de buchinha do norte. eliminei sem dor e sem grande sangramento as adenóides (cornetos hipertrofiados), parecia um pulmão de galinha. Então desculpem, contra fatos não há argumentos.

    1. Até animais apresentam efeito placebo. Conta fatos não há argumento? Ótimo, porque todas, repito, TODAS as pesquisas científicas provaram que homeopatia é bobagem. Seu relato é apenas um relato sem provas. Só isso.

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