Cientistas ajudam a fazer batata frita no espaço

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Em tempos de mandarmos sondas, rovers e satélites para Marte, enquanto o Brasil investe em um satélite que mais serviu de míssil balístico, estamos apenas esperando o momento em que pudermos mandar um astronauta para o Planeta Vermelho. O problema está que a viagem é longa e o máximo que se puder tornar a vida dos tripulantes o mais confortável possível, mais garantida será o sucesso da missão, pois se comida de hospital já é uma bosta, imaginem aqueles trecos que são servidos na Estação Espacial Internacional.

É importante para o psicológico das pessoas estarem o máximo em sintonia com a vida na Terra, e como quase todo mudo gosta de fritura (se pode comer é outra história), fica a pergunta: conseguiríamos arrumar alimentos que pudessem ser fritos no interior de uma nave espacial, sem risco de explosão ou todo mundo ficar fedendo a gordura? No que depender de alguns cientistas, fritar batata em Marte não será problema.

O dr. John Lioumbas e o dr. Thodoris Karapantsios são dois químicos que trabalham na Universidade Aristotélica da Tessalônia, o que não deixa de ser algo irônico por saber que Aristóteles tinha verdadeira ojeriza à experimentação, e entendia tanto de química quanto eu entendo como as mulheres podem enfiar tanta coisa numa simples bolsinha.

Químicos adoramos melhorar a vida das pessoas e pesquisar coisas muito importantes, como fazer batata frita em Marte. E, não; isso não é frescura. Você pode achar isso morando na sua casinha, com todo conforto e perto da sua família. Em Marte, nem mesmo uma conversa direta é possível, raças à distância. Então, se pelo menos os tripulantes puderem sentir o gostinho da comida de casa, fará uma imensa diferença.

Lioumbas e Karapantsios pesquisam como seria possível cozinhar em Marte, principalmente comendo umas batatinhas de vez em quando. O problema de Marte é a baixa gravidade e percentual de oxigênio. Um até nem é tanto problema, mas a gravidade é algo difícil de emular. Então, os dois pesquisadores estudam como a gravidade incomum muda a física do processo de fritura. No Espaço, os problemas são ainda piores, por causa da microgravidade ou imponderabilidade, pois migalhas e óleo quente em suspensão pra lá e pra cá não vai dar final feliz.

Só o to de ferver algo é complicado, pois não há convecção em fluidos quentes para redistribuir o calor homogeneamente. Dessa forma, os pesquisadores experimentam o uso de aquecimento altamente localizada, sem que precise mexer. Ou seja, fazer café, por enquanto, ainda é meio difícil, já que o ato de filtrar a água, passando pelo pó de café não acontece de maneira como aqui na Terra. De uma forma um pouco menos técnica, podemos dizer que cozinhar no espaço é uma merda! (você não verá a NASA ou a Agência Espacial Europeia colocar dessa forma).

Os dois gregos decidiram cozinhar com aumento da gravidade ao invés de microgravidade. Isso pode parecer um contra-senso, mas o que eles querem fazer é mapear como a gravidade influencia o processo de cozimento para ter uma ideia das tendências gerais de como gravidade muda o processo. Eles agora estão trabalhando para as mesmas perguntas em experimentos de microgravidade. A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Food Science, pois comida é coisa séria e, ao contrário do que pensam, cientistas também comem. Não fazemos fotossíntese ou fermentação anaeróbia.

A técnica usada por Lioumbas e Karapantsios se baseia em fixar uma fritadeira contendo batata palha em meio litro de óleo quente no final de um braço com 8m, que essencialmente foi adaptado a uma centrífuga. Usando uma técnica que o próprio Newton entenderia, a centrífuga usa o movimento circular para criar força G cada vez maior dentro da panela, que nem num módulo de treinamento de astronautas e a sua máquina de lavar.

O dispositivo poderia gerar o equivalente a uma força gravitacional de até 9G, nove vezes o valor da aceleração na superfície da Terra (aproximadamente, 9,8m/s2). As correntes de convecção são criados dentro da panela como um todo e desde o momento que as bolhas que crescem na superfície da batata o óleo começa a ferver, fritando as deliciosas batatinhas. O que os pesquisadores perceberam, é que a eficiência máxima acontece numa aceleração a 3G, qualquer coisa acima disso é gasto inútil de energia, pois a batata fica lindamente uma bela porcaria.

É a Química e a Física ajudando a vida ficar melhor, nem que seja a milhões de quilômetros daqui.

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Sobre André Carvalho

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