Como os corais constroem seus esqueletos?

Longe de ser uma cor que as mulheres inventaram, o coral é um animal, metazoário, cnidário e ainda por cima da classe Anthozoa (e nem todos os corais são "corais"). O coral é formado um grupo de muitos organismos geneticamente idênticos, multicelulares conhecidos como "pólipos". Estes pólipos constroem um exoesqueleto, tão amado por surfistas que ousam se aventurar em Queensland (só que não). O que não se sabia direito é como os corais produziam aquele exoesqueleto. Pelo menos, até agora.

A drª Tali Mass (que não tem nada a ver com jogos de vídeo game) é pesquisadora do Instituto Rudgers de Ciências Marinhas e Costeiras. Junto com seus colaboradores, Tatá descreveu o processo que permite que aos corais formarem seus exoesqueletos. E tudo isso começa com proteínas.

Estas proteínas secretadas por corais precipitam carbonato cálcio que formará a estrutura do esqueleto, tão famosa nos corais. Mass diz que a acidez da água não afeta o processo, o que sugere que estes organismos vão sobreviver nos próximos séculos, quando os oceanos do mundo estão previstos para se tornar bem mais ácidos. Eu, particularmente, acho um pouco difícil isso, a não ser que a velocidade de precipitação do carbonato de cálcio seja bem superior à ação dos ácidos sobre o carbonato, o que qualquer um pode notar ao pingar vinagre em carbonato de cálcio. Entretanto, tudo dependeria do potencial hidrogeniônico (aka, pH) da água.

Cientistas sempre souberam que corais construíam seus esqueletos, só não sabiam o mecanismo, e é este o trabalho de Tali. Ela e seus colaboradores identificaram mais de 30 proteínas do esqueleto de coral que poderiam estar envolvidas.Não contentes, eles procuraram nos genes do coral a codificação para produzir as proteínas que potencialmente poderiam ajudar com a produção de carbonato de cálcio, e é interessante saber que boa parte do de depósitos de calcário são de origem biológica, mas eu me recuso a acreditar que todos esses depósitos tenham efetivamente esta origem.

Para as análises do genoma, Tali, Tali Mass pediu ajuda ao dr. Debashish Bhattacharya, professor de Ecologia, Evolução e Recursos Naturais. Praticamente um Zé Ruela. Ah, sim, além de ter laboratório próprio (eu que sou eu não tenho nenhum laboratório com meu nome… ainda). A análise do DNA levou os pesquisadores a quatro proteínas específicas. Os genes que codificam estas proteínas foram clonados e expressos em bactérias. Estas bactérias foram isoladas e colocadas em meios de cultura simulando o aumento gradativo da acidez dos oceanos até o final do século corrente.

Esta pesquisa estava muito pouco hardcore então o pessoal chutou logo o pau da barraca, usando um microscópio de varrimento eletrônico e de outros brinquedinhos semelhantes. Os resultados indicam que a acidez oceânica não interferem no processo de produção de calcário, mas isso não me convence muito.

Desde a Revolução Industrial, as águas dos oceanos vêm ficando mais ácidas. Nesse tempo, o pH caiu cerca de 0,1 pontos, o que pode parecer pouco, mas não é. O cálculo do pH é logarítmico, e é levada em consideração a concentração de íons hidroxônios, os íons H3O+. Para que o pH sobre variação de um ponto, a concentração terá que variar em 10 (DEZ) vezes. Agora, some o volume de água em questão e veremos os problemas.

A ação ácido-base não é algo tão lento assim. E um coral não aparece PUF!, do nada; e os recifes que temos hoje têm milhões de anos de idade e não param de crescer, mas não em velocidades incrivelmente rápidas. Há muita discussão sobre a ação dos ácidos sobre os corais. Tanta discussão que não cabe nas margens deste artigo, mas não deixo vocês na mão. Gostei deste artigo do Naked Scientists (não, não é a Sasha Grey vestida apenas de jaleco).

A reação de produção dos calcários, de acvordo com a pesquisa de Tali Mass, realmente pode funcionar em níveis de pH bem ácidos, mas os próprios autores ressaltam que a acidificação dos oceanos ainda é uma grande preocupação, pois não é apenas um recife de coral que é afetado e sim todo um ecossistema, embora os autores ainda sugiram que os corais ainda serão capaz de formar esqueletos e os recifes de coral irão continuar a existir por um bom tempo.

A pesquisa foi publicada na Current Biology  e na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Um comentário em “Como os corais constroem seus esqueletos?

  1. Certas coisas não dá pra concordar, realmente, mas eles pesquisaram e publicaram em periódicos, o que nos obriga quase a acreditar que estão certos, certo? ERRADO. Façam a experiência do vinagre no carbonato de cálcio, que o André sugeriu e tirem suas conclusões. Isto é ciência e assim caminha a ciência.

    “…..simulando o aumento gradativo da acidez dos oceanos até o final do século corrente.” …. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHACOFCOFCOF.

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