Pesquisa indica o óbvio: os alunos estão no colégio sem saber nada

Uma das coisas mais chatas em se debater sobre Educação é que sempre tem algum mané que diz como as coisas estão melhorando “apesar de faltar muito a fazer blábláblá cocoricó”. Não, não sou negativista, eu falo o óbvio, o que está mais do que na cara: o Ensino no Brasil está uma verdadeira MERDA e ninguém parece se incomodar com isso, pois “já foi pior”. Pior? Creio que não, como é apontado pelo relatório De Olho nas Metas 2012, produzido pelo movimento Todos Pela Educação. A coisa está feia, a ponto de só pouco mais de 10% dos alunos terem aprendizado adequado à sua série em Matemática ao final do Ensino Médio.

Ninguém parece querer a responsabilidade. PIOR! Não só não querem como desculpam os que são diretamente responsáveis, pois isso magoa o partido político do coração. Quando muito sobra acusação pra todos os lados, enquanto não se resolve o verdadeiro problema: como reverter este LIXO educacional que temos aqui? Mas não, temos que relativizar a problemática neo-conjuntural numa semiótica filosófica versada na pedagogia pós-imediatista. Resultado? Brasilzão em segundo lugar no cenário educacional… Segundo pior, diga-se de passagem. Só estamos perdendo pra Indonésia, que já avisou que Ciência é coisa de Satã e temos que dar aula de Ensino Religioso.

Todos pela Educação é, segundo eles mesmos, “um movimento da sociedade civil brasileira que tem a missão de contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, o país assegure a todas as crianças e jovens o direito a Educação Básica de qualidade.”

Boa sorte.

Não há vontade de ninguém em melhorar isso. As ONGs vivem desse caos e só fazem ficar traçando metas e mais metas. Como torná-las reais? Nah, isso se discute em algum ponto entre abraçar a lagoa Rodrigo de Freitas e a caminhada pelo calçadão de Copacabana.

Metas e mais metas não adiantam nada. Ter escolas não adianta nada. O que adianta é ter um sistema sério para avaliação desses alunos, exigindo o melhor desempenho possível e não dar tapinhas na cabeça por ele ter tentado. Ninguém ganha tapinhas nos ombros e se um cirurgião amputar a sua perna esquerda ao invés da direita, você não dará tapinha e ele não ficará com média de 50% de acerto, passando no Conselho de Classe.

É patético termos que viver num país com um índice ABSURDO de analfabetos funcionais nas universidades. Mas alguém arrumará uma desculpa. Sabendo que nas universidades federais se pede provas dissertativas, COMO EM NOME DE HADES alguém passa no vestibular sendo analfabeto funcional. E isso nem é por causa de cotas. Muitos desses alunos vieram de cursinhos caros. Como o desgraçado passou na prova de redação, hein? Hein? Cadê a resposta, hein? Mas aqui começa o reino do silêncio, voltando o murmúrio “mas antes era pior”.

NÃO ERA!

O Ensino Público já foi o melhor do país, mas acabou sucateado. Deram computadores, mas e daí? Melhorou? Não. Vamos dar tablets. Melhorou? Não! Então a culpa é do corno do professor, que se mata para meter algo na cabeça de alunos que não querem saber de porra nenhuma, seja no ensino público, seja no privado. Então, ficam distribuindo vídeo de um bando de retardados dizendo como o professor está errado, sendo que esta escória nunca colocou as 4 patas na bosta de uma sala-de-aula. Ninguém questiona um engenheiro dizendo que pone deveria ser assim ou assado, mesmo sem ser engenheiro, mas discute as problemáticas do diabo a quatro. Ninguém coloca leigos para questionar médicos, por que cargas d’água não colocam um professor de verdade, daqueles que leciona em colégio vagabundão para ser ministro ou secretário de Educação? Por causa dos conchavos políticos, claro.

10,3% apenas sabem matemática do seu nível. Eu até achei esse número bem otimista. Parabéns a todos os envolvidos.

21 comentários em “Pesquisa indica o óbvio: os alunos estão no colégio sem saber nada

  1. Chuuuuuuuuupa Indonésia! ;-)

    Lembro de uma vez que fui ajudar o irmão de uma peguete com matemática. O assunto tinha algo a ver com equação do segundo grau. Só sei que ele não parecia ter a mínima ideia do que eu estava falando, então fui checar se ele possuía a base para o que eu queria explicar. Confirmado que ele não sabia, comecei a explicar essa base, no que ele continuou com cara de interrogação… O negócio foi regredindo, regredindo, até o ponto que eu perguntei pra ele, SEM SACANAGEM, quanto era “um menos um”, e a anta me respondeu “dois”!!!!!!!!! Ahhhhhh, eu joguei o caderno na cabeça do moleque e mandei a peguete ir pastar, vai que burrice é genética…

    Aí eu fiquei me perguntando: o que este burro de carga está fazendo nessa série? Pelo menos antigamente era mais fácil de se distinguir um analfabeto: era quem não tinha diploma. Agora, nem isso mais. E deve ser por isso essa onda de pedir diploma superior pra neguinho apertar parafuso e pra testadoras de produtos eróticos. Na minha opinião, se um contratante exige nível superior, mas sequer especifica de qual curso, já é um imbecil.

    Escola hoje em dia é lugar pros pais deixarem os filhos e não esquentarem a cabeça. Escola no Brasil só serve pra professor de história colocar na tua cabeça que você tem uma dívida histórica com algum desfavorecido e que o governo é a oitava maravilha do mundo, só não é melhor por causa das “iliti”. Se educação fosse mesmo a meta, não encheriam tanto o saco de pais adeptos do homeschooling, mesmo quando os filhos destes apresentam desempenho acima da média.

    E não me venham com papinho de “coitadinho, o pobrezinho tem que ter uma oportunidade, mimimi”. Oportunidade my ass! O infeliz só perde tempo nesta pocilga que chamam de escola pública e sai sem saber NADA. Eu sei, estudei em escola pública minha vida inteira e saí sem saber o que era progressão aritmética (isso porque matemática era minha especialidade). Seria muito mais proveitoso se ele fosse aprender uma profissão, onde aprendesse na prática a fazer algo lucrativo e, caso se interessasse (o que seriam poucos), tivesse acesso a possibilidades de aprofundar o conhecimento. Ahhhhhh, mas criança não pode trabalhar! Matar e roubar pode, mas trabalhar não!

    E depois os cretinos ainda ficam se perguntando o porquê das federais praticamente não terem alunos pobres e cogitando cotas pra isso, cotas praquilo… O Brasil é um país de bosta mesmo. Pronto, desabafei! :sad:

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  2. Bom, o que dizer depois do texto do André e do comentário do Oliveira se eles já disseram tudo?

    Ah, lembrei.

    Fiz um cursinho de inglês em Londres. Lá, tive contato com asiáticos, claro, os “asiáticos”. Eu ficava reparando na conversa deles, falavam de engenharia, motores, cálculos e etc e tal. Eu, como não sou dessa área, ficava boiando e morrendo de inveja. A maioria deles era estudante do que seria aqui o 2º grau, o que me deixava mais perplexa, pois eu nunca conheci alguém que falasse naquele nível, mesmo com curso superior.

    (Enquanto isso, no Brasil, os estudantes estão falando sobre o que mesmo?)

    E o pior, por que cargas d’água eu não entendo bulhufas de química ou física? E olha que eu sempre fui a CDF da sala … :oops:

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  3. O problema começa quando a criança não é exigida desde cedo. Uma professora que conheci e dirigia uma escola pública, fazia campanhas de educação para que os pais ocupassem seus filhos com atividades domésticas produtivas. Isso para que a criança desenvolvesse responsabilidade, independência e valorizasse o trabalho dos outros. A escola dela era a única pública da cidade totalmente conservada e organizada. Verdadeira preciosidade.

    Hoje,até os triciclos de plástico já são movidos a baterias.  As crianças nem pedalam nesses brinquedos. 
    Vejo muitos jovens que não arrumam seus quartos, não lavam louça, jogam suas roupas pela casa. Não andam até a esquina nem para comprar pão. Tem que ir de carro e olhe lá. Quando freqüentam a casa dos outros não colaboram em nada. E dá-lhe vídeo game na cabeça e televisão no quarto. Jogar pião, fazer a pipa para empinar, inventar brinquedos que desenvolvem e aguçam a inteligência nem pensar. A moda é ter celular e ficar conectado em redes sociais como facebook , tweeter e outros msns da vida. Tudo muito fácil e rápido. São milhares de jogos para ocupar o tempo e não sobra tempo para pensar.
    Os jornais reformataram e diminuíram suas colunas para facilitar a leitura. Passou de 3 linhas num  texto qualquer e o pessoal abandona a leitura. 
    O objetivo de vida desse povo é curtir ao máximo. Sempre no sentido da diversão. As bebidas alcoólicas e em seguida as drogas estão a um passo. 
    Uma das indústrias que mais cresce é a da cerveja. Ambev, sucesso econômico mas catástrofe social. Schincariol agora da Kirim. Resultado, bares cheios de adolescentes bêbados.
    Passei o fim de ano no litoral e na praia o povo sempre com o braço dobrado a 90 graus. É claro que segurando uma lata de cerveja , andando na areia, batendo bola, de pé dentro da água e depois , é claro, lata no chão. Vão beber assim na PQP. E muita, mas muita gente tatuada demonstrando necessidade de auto-afirmação na tribo. Fraqueza de personalidade geral. 
    Se não mudar esse conceito que o objetivo da vida é apenas curtir acho que a educação não melhora não. 

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    1. Como outro dia, antestes os moleques iam visitar os amigos, cada um levando um LP, e a festa começava. Hoje, cada um tem mais de mil músicas e escutam sozinhos nos quartos, acessando redes sociais que de sociais só tem o nome.

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  4. Ninguém coloca leigos para questionar médicos…

    Oh, espere ai… Tem as ignorantas que se acham mais entendidas em saúde que o médico, que apelam a automedicação ou até mesmo a discutir como deve se proceder no problema. Um stress danado

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  5. Alguém já assistiu ao filme “Idiocracia” ?
    muito bom…

    hoje em dia é muito fácil conseguir um diploma de curso superior mesmo sendo uma anta, dá pra fazer até pela Internet, qualquer mané que não sabe nada, (mas que tenha grana) consegue…

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  6. Resta a pergunta: a quem interessa no Brasil uma legião de ignorantes e analfabetos funcionais, que eles possam doutrinar com suas baboseiras políticas e religiosas e bolsas esmolas e biguibroders? Eles dão o que as pessoas em geral querem: pão e circo. E o povo feliz vai pra galera e continua votando neles. Pessoas que pensam vão, fatalmente, um dia, perceber o engodo e tirá-los do poder.

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    1. @fabao.online, É mais fácil, nesse país, os que pensam se aliarem aos que estão no poder.
      PTzão tá aí pra provar! Depois de anos reclamando dos outros, mantém a 10 anos a mesma politica do pão e circo de antes, mas agora maqueada na boa maré da nossa economia. Quero só ver se EUA e Europa quebrarem de vez, quanto tempo dua nossa “sólida” economia!

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      1. @JCFerranti, É verdade. Só que nossa economia já está indo ladeira abaixo. Vamos ver agora se a “competência” dos petralhas vao conseguir fazer alguma coisa para recupera-la. Se for no mesmo rumo da saúde, educação e segurança pública… SALVE-SE QUEM PUDER!!!!!

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  7. Muito bom o artigo e os comentários também, acho que deveriam obrigar esse pessoal a ler Richard Dawkins primeiro (Diretores, professores e alunos) quem sabe é um começo… ;-) :mrgreen:

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  8. bem lembrado, revi recentemente a serie Cosmos ( remasterizado) e novamente me deslumbrei com o saudoso Carl Sagan, já separei na biblioteca pública da minha cidade o mundo assombrado pelos demônios, os dragões do éden, cosmos, e depois contato ( já li duas vezes), gostei do Dawkins, principalmente do documentario a razão de todo o mal, o Sagan é melhor sem dúvida, mas como havia lido muito a respeito do Dawkins, resolvi tirar as dúvidas, mas o mais impressionante é que encontrei esses livros numa biblioteca pública, devo acreditar em milagres?? ;-) :roll: :shock:

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  9. Enquanto as Pedagordas com dois neurônios continuarem a dar o tom da educação no Brasil, esse quadro não mudará

    Foucault, Derrida, Deleuze, Kristeva, Adorno, Heidegger, Sartre, Bourdieu…. garanto que você sempre, SEMPRE vai encontrar algum desses nomes num trabalho de pedagogia

    Vai ver se os sul coreanos estão preocupados com o ser social moldado pelas situações disciplinares.

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  10. Um repórter de NY, numa revista, estava dizendo que o segredo da Finlândia é que lá cada professor dá aula para DOZE alunos enquanto os pobres professores de NY tinham de dar aula para 25.

    Espero que esse repórter nunca pise no Brasil XD

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  11. Quanto ao 3°parágrafo do texto, 2022 chegou. E adivinha?!

    Eu ia citar ele no meu outro comentário com um belo Ctrl C + Ctrl V, mas a pré-visualização só deixou a frase ali ;-; desculpe-me o flood.

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