Fazendas verticais em Singapura mostram caminho para melhoria da sustentabilidade

O problema da produção de alimentos está na área disponível. Nem todo lugar é como o Brasil, com extensas áreas de terra cultivável, além da qualidade do solo. O fato do Brasil ter um ministério da agricultura tosco, onde importa-se feijão preto da China[1] [2], demonstra o imenso desperdício das terras de a cá. Singapura não teve essa sorte de ter terras aráveis em abundância e nem o azar de ter nossos sistema de governo. Decididos a diminuir a compra de produtos cultiváveis, Singapura investiu em tecnologia de produção de alimentos e os resultados parecem promissores.

Singapura não é uma grande nação. Ela tem apenas 697 km2 de área, com uma população de 5.353.494 habitantes (dados do CIA’s World Fact Book). Enquanto isso, o município do Rio de Janeiro tem área de 1200,3 km2 com população de 6.320.446 habitantes (dados do IBGE). Sim, Singapura cabe dentro do Rio de Janeiro com folga, mas com expectativa de vida de 83 anos (do Brasil = 73 anos). A taxa de alfabetização é de 94% em Singapura, enquanto que a taxa de analfabetismo no Brasil (de pessoas de 15 anos em diante) é da ordem de 13%, com índice de escolarização de crianças de 7 a 14 anos de cerca de 95% (a conclusão é toda sua). Podemos ver que o pessoal de Singapura não dorme no ponto, apesar de não estar entre as 30 maiores economias do mundo (oi, tia Dilma. Isso te diz algo?)

Para prover alimento para essas pessoas, o governo de Singapura está usando a técnica de fazendas verticais, num sistema criado pela empresa Sky Green, com o sistema batizado de A-GO-GRO. É um sistema interessante com um nome esdrúxulo. Basicamente, seriam como uma estante, onde os canteiros ficam nas prateleiras. Claro, uma definição mais simples do que realmente é, apesar de não ser tão complicado.

O Farmville singapurense é formado por torres feitas de alumínio com até 9 metros de altura e contendo 38 calhas onde os vegetais serão cultivados. Com uma observação: não é um sistema hidropônico. As plantas são cultivadas no solo, mesmo, devidamente adubado e com umidade bem controlada. Claro que como se trata de uma disposição vertical, teríamos problemas com índice de luminosidade, essencial para fotossíntese, o tipo de coisa que qualquer criança de Ensino Fundamental 1 ser necessário.

No sistema vertical, as calhas são movidas e rotacionadas, a cada minuto, através de um sistema hidráulico que usa 500 mL (sim, meio litro!) de água para mover estruturas de 1,7 toneladas, necessitando de apenas 60 W.h, o equivalente a uma lâmpada incandescente que nem ilumina tanto assim. De acordo com as informações dadas pela própria Skynet, digo, Sky Green, o sistema é de 5 a 10 vezes mais eficiente que o método tradicional. Se você fizer a graça de clicar na imagem abaixo, poderá ver um infográfico com mais detalhes.

Fazendas verticais nem são tão novidade assim. Os dos criadores do projeto de grandes fazendas verticais é o dr. Dickson Despommier, professor da Universidade de Columbia, que trabalha na disseminação dessa ideia, mantendo o site Vertical Farm, onde você poderá saber um pouco mais, tendo inclusive entrevistas com o dr. Despommier.

O sistema ainda não é rentável, mas não importa. Praticamente, ainda está sob processo de implantação e, claro, nenhum maluco esperaria fazer rios de dinheiro imediatamente. Só no Brasil há essa mentalidade. Abaixo, uma reportagem sobre o sistema, que vem sendo testado desde 2011 e é muito promissor:


Fonte: Singularity Hub

2 comentários em “Fazendas verticais em Singapura mostram caminho para melhoria da sustentabilidade

  1. Se enfoca mais na produção da soja, da cana-de-açucar ou mesmo do milho em relação ao feijão por conta das peculiaridades relacionadas a colheita de tais culturas.

    A mecanização no caso do feijão é mais dificultosa e menos produtiva que a dessas outras culturas que citei, o que combinado ao custo de mão-de-obra ascendente aqui no país faz com que o produto produzido aqui tenha um custo de produção maior que na Argentina ou mesmo na China.

    Isso sem contar a questão da logística, que não é lá de muita ajuda a nível de país, ora pela qualidade das estradas, ora pelo custo dos pedágios.

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