Flor-defunta rouba genes de seu hospedeiro

Vemos o mundo lindinho da natureza, como campos verdejantes, flores silvestres de enebriante perfume e plantinhas cuja flor tem cheiro de gente morta. Todo o tempo. É o caso da Rafflesia cantleyi, mais conhecida como flor-cadáver porque ela tem cheiro… bem, tem cheiro de carne podre, o que atrai muitos insetos que servirão como agentes polinizadores.

Se o mundo fosse ético, com unicórnios pulando pra lá e pra cá e todas as plantinhas sendo regadas pelos teletubbies, a R. cantleyi estaria ali,m fazendo sua fotossíntese na paz do Senhor. Só que ela é uma flor parasita, ou seja, vive às custas de outra planta. Além disso, descobriu-se que esta coisa fedorenta não só vive sem pagar aluguel, como ainda rouba genes de seu hospedeiro. Mas isso não era uma coisa que só onívoros antiéticos fazem?

A Rafflesia cantleyi é planta encontrada na Malásia. Sua flor pode ter cerca de 90cm de diâmetro, ficando pendurada em árvores em até cerca de 3 metros de altura. É uma flor sem-graça, pouco bonita, fede que só uma coisa e vive às custas dos outros, já que não possui folhas, caules ou raízes decentes, de forma que fotossíntese não é algo que possa ser usado para obter alimento. Como ela não tem perninhas para ir no McDonald’s mais próximo e pedir um Big Mac, a R. cantleyi precisa de uma forma para sobreviver. Assim, o que um planejador inteligente faria? Dar capacidade de fotossíntese a ela ou simplesmente fazê-la chupar (êpa) os nutrientes de uma outra árvore? Claro que num mundo "ético" como o nosso, a resposta é uma só: ela é uma planta parasita.

Ela não é visível até a fase de reprodução, quando os primeiros brotos de suas flores aparecem. Desde o aparecimento destes brotos até a flor alcançar toda a magnificência de seu tamanho, o tempo fica em torno de dez meses, mas essa flor só dura alguns dias.

Pesquisadores da Universidade Harvard descobriram agora que a R. cantleyi costumam roubar genes da tetrastigma, planta hospedeira da flor-defunta. De acordo com a pesquisa, publicada no periódico BMC Genomics, Depois de várias gerações e gerações de contato íntimo entre parasita e hospedeiro, a Rafflesia acabou absorvendo dezenas de genes do seu hospedeiro. Mas, provavelmente, isso é mentira, já que vivemos num mundo fixista, onde nada muda e as espécies se mantém inalteradas. Pena que nenhum evangelizador foi até a Malásia para avisar isso às Rafflesias.

As análises mostraram que várias dezenas de genes tinha origem no genoma do hospedeiro, além de centenas de genes herdados verticalmente, fazendo dessa espécie mais similar ao seu hospedeiro do que outras espécies do gênero Rafflesia.

Eu sei que é triste saber isso, mas foi a capacidade de absorver estes genes que garantiu uma vantagem adaptativa, a ponto do trecho genético original da R. cantleyi ter sido totalmente substituído pelo trecho roubado. Não é muito diferente do que um vírus ou uma bactéria fazem, mas uma planta ser capaz disso era novidade até então e nos dá uma pista de como temos a miríade de espécies vivendo hoje, como as tantas outras que subiram no telhado evolutivo e não estão mais entre nós.

3 comentários em “Flor-defunta rouba genes de seu hospedeiro

  1. Além de ser parasita,roubar os genes do hospedeiro,ainda exala cheiro de carne podre para enganar os insetos.E os Veganos com sua ética ridícula,dizem que nós humanos, não podemos matar nenhum animalzinho sequer para nos alimentarmos.Essa é boa.

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