Bactéria Vampira pode ser a chave para novos antibióticos

Sim, eu sei que Halloween foi ontem. Mas vamos manter o clima até onde der. Por causa disso, nem tirei a imagem de fundo comemorativa do Cet.net (se você não consegue ver, dá Ctrl+F5 e saia correndo dos zumbis). Voltando ao assunto, digo, COMEÇANDO o assunto, sabemos que normalmente atacamos infecções bacterianas com antibióticos, de forma a mandar as malditas servas do Lado Negro pros quintos, sextos e sétimos do inferno. nenhuma novidade, desde Fleming. Agora, a chave está em usar "fogo amigo", fazendo-se uso de bactérias vampiras, prontas para chupar, digo, atacar outras pequenas safadas.

Bactérias predadoras não são nenhuma novidade. Algumas delas até atacam corais. Ainda que reconheçamos sua importância, pouco se sabia sobre elas; entretanto, sempre estamos descobrindo coisas novas e o estilo de vida predatório de algumas cepas de bactérias não é uma exceção. Um novo estudo sugere que algumas bactérias agem como verdadeiros vampiros, atacando e canibalizando outras bactérias, mesmo que estas últimas sejam bactérias patogênicas. Estas bactérias vampiro-canibal são uma nova aposta na elaboração de tratamentos mais modernos, servindo de antibiótico vivo.

A bactéria Micavibrio aeruginosavorus, foi descoberta há quase 30 anos, mas parece que ninguém a achou muito interessante, a coitadinha. Em 2010, ela foi estudada como tendo propriedades de partir pra cima de outras bactérias, em especial as patogênicas, juntamente com outra bactéria traíra: a Bdellovibrio bacteriovorus.[1]

Agora, outros cientistas resolveram entender o que se passa com a M. aeruginosavorus.  O dr. Martin Wu (cujo nome mais parece com o de ator de filme de Kung Fu) é professor assistente da Faculdade de Artes & Ciência da Universidade da Virgínia. Juntamente com o estudante de graduação Zhang Wang decodificaram o genoma da safadeeenha , de forma a estudar o que diabos a faz ser o que é. Em outras palavras, entendendo como é o código genético da criaturinha divinamente planejada, os pesquisadores entenderão quais as proteínas codificadas que as auxiliam na tarefa de mandar outras companheiras pra vala.

Uma das principais vítimas da bactéria-drácula é a Pseudomonas aeruginosavorus, uma desgraçada que é a principal responsável por infecções pulmonares graves em pacientes com fibrose cística. Acreditem, estas pseudomonas são do mal, mas o Nosferatu das bactérias parte pra cima e abala geral. Não perde nem tempo de pegar cabo de vassoura. A M. aeruginosavorus tem a capacidade de se deslocar em fluidos viscosos, como o muco que se forma no pulmão durante a infecção. Dessa forma, se a pseudomona pensou que podia dormir tranquila, a bactéria Bela Lugosi chega de assalto e mostra quem é que manda.

O estudo detalhado sobre o sequenciamento do DNA da M. aeruginosavorus foi publicado no periódico BMC Genomics.

O principal problema no uso de antibióticos farmacêuticos é aquilo que insistem em dizer que existe. Obviamente, se Evolução existisse, bactérias teriam o péssimo hábito de serem selecionadas pelo meio. Quando alguma mutação gera uma colônia resistente aos antibióticos que estão sendo aplicados, estas colônias continuarão vivas, reproduzindo-se a uma taxa absurda e ainda causando estrago. Como Evolução não existe e é tudo invenção dos ateus-satanistas-darwinistas-comunistas, essas bactérias só conseguem essa resistência pois Deus quis assim, para testar a nossa fé. Claro que deve ter algum idiota que acredita nisso e nem vale a pena perder tempo com eles.

O fato é que, sim, bactérias adquirem resistência a medicamentos, mas não desenvolvem métodos que possam salvá-las de seus predadores naturais. O uso das M. aeruginosavorus é, portanto, essencial, ainda mais se levarmos em consideração que medicamentos podem nos dar efeitos adversos, mas não foi observado que as M. aeruginosavorus  atacam bactérias tidas como benéficas ao nosso organismo, tanto as que vivem com a gente, como as que estão espalhadas pelo ambiente. A  M. aeruginosavorus é brother e está conosco e não abre.

3 comentários em “Bactéria Vampira pode ser a chave para novos antibióticos

  1. O estudo dessa bactéria canibal poderá servir de base para novos tratamentos contra o câncer, desenvolvendo-se algum tipo de agente biológico “do bem”, que ataque e liquide as células transviadas. Os tratamentos atuais, especialmente o quimioterápico, arrasam com o organismo e o sistema imunológico do paciente e, dependendo da idade e resistência física deste, acabam contribuindo para o seu fim. :sad:

    Bem, aproveitado o dia de hoje (que tem tudo a ver com o Halloween):
    Saudações do Aquém-Túmulo prá vocês! :razz:

  2. Interessante. Um exército local de anticorpos reforçado por tropas commando de bactérias mais nanorobôs como infantaria mecanizada dariam um bom Battlefield 5: The Enemy Within (cara, tenho que parar de jogar videogame…)

    E pelo halloweem atrasado, professor de química:

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s