Cristais de memória do Super-Homem podem se tornar realidade

Uma das coisas que eu mais gostava nas histórias do Super-Homem (apesar de eu achá-lo um herói totalmente sem graça, a ponto do Batman ter que meter a porrada no manezão afim de mostrar quem manda na parada) eram os cristais de memória, que serviam como um "pendrive mais estiloso". Eu mesmo queria ter um treco daqueles e achava, em minha tola crendice infantil, que o futuro traria bibliotecas com aquele formato. Tempo passou e o futuro que imaginei não veio… Ou quase.

Pesquisadores ingleses estudam como a interação com lasers com átomos de vidro poderiam servir para gravar informações e serem usadas em nossos computadores. Por favor, deixe a regra 34 do lado de fora antes de continuar a ler. Obrigado.

Armazenar informações sempre foi uma grande dor de cabeça. Você pode achar que tem problemas de espaço em disco e seu HD externo está ocupando espaço em sua mesa. Dá uma olhadinha no monstro à direita. É o IBM 305 RAMAC (foto à esquerda), produzido pela… IBM. Segundo a mãe da criança, ele era uma máquina de processamento de dados, flexível, eletrônica, de uso geral e que as empresas poderiam usar para registrar transações. Ele mantinha os registros em uma base em tempo real, com acesso aleatório a qualquer registro, eliminando cargas de pico, e pode(ia), simultaneamente, produzir uma saída através de cartões impressos ou perfurados. Aquele troço foi construído em setembro de 1956, sua massa era de cerca de 1 tonelada e o HD tinha apenas 5MB de capacidade de armazenamento. Agora, olha pro seu micro e continua reclamando, vai.

Mas você vai reclamar. Coisa natural. Se não houvesse "reclamações" assim, a ciência e a tecnologia jamais teriam avançado. Nossa necessidade de armazenamento aumenta com o passar do tempo. Antes, qualquer imagenzinha tosca cabia folgadamente em nossos ridículos discos rígidos (o HD de meu primeiro PC, em 1996, tinha 1 gigabyte de armazenamento. Morram de inveja!). Depois, caímos na era do MP3, com músicas de cerca de 3 a 6 megas (eu SEI que fatores multiplicativos não possuem plural. Morra, Laguna!) cada. Hoje, com arquivos de vídeo 1080p, a velocidade com que o espaço livre diminui é assustadora.

O dr. Peter G. Kazansky, pesquisador-chefe do Centro de Pesquisa de Optoeletrônica da Universidade de Southampton, e seus colaboradores estudam um meio de melhorar a dinâmica do armazenamento de dados. A ideia deles é usar o vidro. Sim, o mesmo vidro que tem tantas aplicações, como impedir que vizinhos tarados vejam você trocando de roupa, além de servir como jarra de café (bules são pra fracos) e até mesmo decoração.

O processo de gravação é feito focando um laser para impressão pontos minúsculos chamados "voxels" num vidro de sílica pura, o chamado "vidro de quartzo". o processo faz com que o vidro ligeiramente opaco e polariza a luz que passa através dele. Os dados podem ser lidos usando um detector óptico; se você está pensando no modo como CD e DVD são gravados, acredite, não mudou muita coisa não. A pesquisa foi publicada na revista científica Applied Physics Letters.

O processo de gravação de memória no vidro mostrou-se muito mais estável e resistente do que os tipos atuais de discos rígidos. Alguns dos meus CD e DVD já foram pro ralo, apesar da promessa que eles durariam cerca de 100 anos. Tolo foi você que acreditou. HD possuem o problema de serem dispositivos mecânicos e fadados a dar problemas por causa do atrito entre outras coisas. Entretanto, sendo feito de sílica quase pura, o vidro de quartzo apresenta resistência muito maior, onde aumento de temperatura não é nada para ele (você leu o artigo sobre o vidro, não leu?). Dessa forma, armazenar informações semelhante ao "cristais de memória" visto nos filmes do  homem-que-usa-cueca-pra-fora-da-calça poderá deixar o campo da ficção científica e estará em nossas casas sem demorar muito. Obviamente, as peças não terão aqueles formatos de cristais, pois a espessura e formato apresentado por um cristal sextavado não é o que se espera em termos de otimização. Logo, o formado escolhido foi… bem, dêem uma olhadinha ao lado. Pois, é.

Só imagino que num futuro não muito distante (ou mais próximo do que imaginamos) estes disquinhos estejam ultrapassados e a quantidade de dados que um cristalzinho desses poderá armazenar dará um comentário como "só isso?"

12 comentários em “Cristais de memória do Super-Homem podem se tornar realidade

  1. Por um lado é estimulante ver o avanço da nanotecnologia, por outro causa-me medo esse mesmo know-how sendo usado como processo de involução da humanidade !!!

  2. Será que o Don não quis dizer “evolução”?…Boa sacada deixar a regra 34 de lado, a imaginação é fértil. Interessante é ver como a tecnologia diminui o tamanho das coisas e aumenta o poder de armazenamento. Talvez um dia não teremos algo tão grande pra chutar em termos de PC. ;-)

  3. Nessa onda de armazenamento de dados nos traz muitas surpresas. Eu achava o pen-drive uma ótima idéia. Agora vejo discos de cristais. Eu acho que o meu HD de 1.5TB já está ultrapassado…

  4. Eu já tive um PC da Prológica. Um monstrengo pesado e fedido (cheirava à borracha queimada). Tinha muito mais arquivos guardados em disquetes do que a capacidade do disco rígido do “troço”. Hoje, quando vemos isso aí, essa chapinha de vidro sendo capaz de armazenar muito mais dados, fico pensando no limite. Qual será o limite físico disso tudo?

  5. Fico imaginando o que isso significa sozinho… Acho que nada…
    Mas quando o futuro trouxer interfaces diferentes (ainda acredito no display implantado), toda esta praticidade de armazenamento será bem-vinda…

  6. Ler megas é chato, mas tio Pryderi bem que poderia separar o cinco do megabyte: 5 MB soa melhor que 5MB, não acha? :mrgreen:

    Eu mesmo só escrevo o algarismo/número/quantidade separada do adjetivo/abreviatura das unidades por considerar que são duas expressões/palavras diferentes. E também porque é regra do SI. ;-)

    1. 5 MB soa melhor que 5MB, não acha?

      Erro de digitação, seu chato. Eu só deixo junto quando por causa do alinhamento a unidade fica na outra linha, deixando o texto confuso. Agora, eu devia ganhar um parabéns por não ter escrito “HDs”, “CDs” e nem “DVDs”.

  7. Mp3 é para os fracos! O bom mesmo é FLAC! (e eu achando que com músicas em 320kbps estava arrazando :/ ledo engano, ledo engano)

    Mas assim como o Guz, também queria pedir uns para usar no cérebro. Estressa o fato de recorrer ao computador sempre que preciso de um dado específico, quando eu sei que em algum lugar da minha mente ele também está. Acho que a tecnologia deveria parar um pouco nos computadores e melhorar a eficência da nossa própria memória ‘-‘ e nem vem falar que bastam exercícios de fixação ou memorização! Bem, talvez eu esteja fazendo os exercícios errados, vai saber.

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