Cientistas usam vírus melhorar a eficiência de células solares

Então vocês, meus perclaros visitantes, depois de ter enchido o rabo de ovos (ops), de peixe (espada?) ou outros alimentos de duplo sentido na festa onde se comemora o espancamento de Jesus e a Volta dos Mortos Vivos, verá agora um mimo de notícia. Não serão os zumbis que herdarão a Terra. O Skynet aniquilará a todos antes. A má notícia é que eles serão aniquilados depois de você, humano desgraçado! Para piorar, usarão vírus!

Pesquisadores do MIT desenvolveram uma técnica onde usam vírus geneticamente modificados para produzir estruturas que melhorem a eficiência de células solares em cerca de 30%. Levando em conta que tal eficiência ainda é ridícula, qualquer aumento é substancial e um aumento em 30% realmente é de tirar o fôlego.

Enquanto Jesus anda ocupado curando joanete em velhinhas, cientistas trabalham duro em prover um modo de usar energia limpa, infinita e de forma barata. Claro que joanetes são mais importantes, mas mesmo com eles temos que usar coisas sem a menor importância, como computadores, TVs, aparelhos de radiologia e Ressonância Nuclear Magnética. Como tudo isso é encontrado através da análise exegética dos escritos canônicos, temos que fazer por onde funcionem com o máximo de perfeição possível, pois Javé não nos deu estes brindes à toa.

Os nerds do Instituto de Tecnologia de Massachussets (um instituto que pesquisa novas tecnologias e fica em Massachussets, Ceará) descobriram uma maneira de fazer melhorias significativas na eficiência de conversão de energia de células solares, usando aqueles seres vivos tão miseráveis quanto maravilhosos: humanos vírus. Similares às terapias genéticas, um vírus é utilizado como um transportador em nível microscópico. A pesquisa foi publicada na Nature Nanotechnology.

O problema do uso de energia solar, a despeito o que a ficção científica e o Super-Homem fazem crer, possui um pequeno probleminha. Apesar da abundância na intensidade da radiação solar que chega até a crosta terrestre, os limites técnicos/tecnológicos impedem uma utilização máxima. Somente uma pequeníssima fração da energia que recebemos pode ser convertida de energia solar para energia elétrica. Menos energia elétrica chegando, menos pode ser não só utilizada como armazenada (o processo de armazenamento é outro problema tecnológico, mas não entra no cerne da questão que estou abordando agora). Qualquer aumento na eficiência dessa transformação é extremamente bem-vinda, ainda mais se levarmos em conta a gratuidade da fonte primária. As células solares, ao receberem a energia solar, fazem com que elétrons movam-se de um lugar para outro, acarretando o chamado diferencial de potencial — ddp. Com a eficiência aumentando, mais elétrons serão deslocados por vez e maior será o ddp, fornecendo maior quantidade de volts por segundo. Entretanto, não basta só "deslocar" os elétrons, é preciso que haja um fluxo constante e ininterrupto, da mesma maneira que não basta ter uma caixa dágua de 200 mil litros, é preciso que os canos estejam livres e desimpedidos, de modo que o fluxo da água passe com perfeição.

Isso, ÓBVIO, é uma simplificação grosseira. Se algum visitante tiver mais informações a passar, sinta-se à vontade.

Os estudantes de graduação Xiangnan Dang e Hyunjung Yi, juntamente com a drª Angela Belcher, do Grupo de Materiais Biomoleculares, entre outros pesquisadores, descobriram que uma versão geneticamente modificada de um vírus chamado M13 seria essencial no processo, que consiste em usar nanotubos de carbono nas células solares. Como o nanotubo por si só funciona de modo errático às vezes, dada sua estrutura molecular, era necessário algo que fizesse com que seus constituintes não se aglomerassem, formando uma espécie de "rede" tridimensional e aumentando a resistência do material. O vírus em questão, especialista em contaminar bactérias, mantém os tubos separados, permitindo o contínuo fluxo de elétrons. Quanto mais elétrons fluem, melhor a condutividade e menores são as perdas. O novo sistema visa melhorar a eficiência do transporte de carga, onde os nanotubos servirão de uma espécie de "encanamento" e o vírus impedirá que haja algum tipo de obstrução.

Não tardará, os vírus perceberão que dependeremos deles e passarão a cobrar tributos para fornecer energia. Se bem que nossos governantes já fazem isso e não com tanta eficiência assim…


Fonte: Press Release do MIT

10 comentários em “Cientistas usam vírus melhorar a eficiência de células solares

  1. Não tardará, os vírus perceberão que dependeremos deles e passarão a cobrar tributos para fornecer energia. Se bem que nossos governantes já fazem isso e não com tanta eficiência assim…

    Os vírus são mais inteligentes que a maioria dos seres humanos modernos. Quanto mais leio os fóruns do Orkut, Twitter e as páginas de comentários do Yotube mais me convenço disso.

    Sobre o conteúdo do artigo achei ótimo. Mostrando que os vírus podem ser úteis para a vida moderna. Essa notícia deixará os ecochatos divididos. Será que os vegans terão pena dos vírus?

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    1. Será que os vegans terão pena dos vírus?

      Só se você ameaçar come-los num espetinho e envoltos na farinha temperada. Com direito a um azeite.

      E essa noticia mostra que seres microscópicos são de mais utilidade para a humanidade que as muitas milhares de pessoas com os seus milhares de vezes mais de tamanho.

      E será que o André vai ineditamente ver um religioso lhe dizer que os vírus são criaturas de Deus e que elas foram criadas por ele para que hoje pudessem ser aproveitadas pelo homem?

      Tenho R$100 para o lance inicial. Quem vai?

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        1. @Nihil, Se você não levar em conta a cotação e jogar os mesmos valores, tudo bem.

          E também eu estraguei a surpresa antecedendo os fatos. Há religioso estúpido, mas não tanto ao ponto de ler sobre algo que já está antevendo que será feita de escárnio caso fale, e mesmo assim, dizer. Ou será que tem?

          Jogo mais 100 na mesa…

          obs: só faltou imagens relacionadas, no artigo, pra facilitar o entendimento para nós (eu), leigos.

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          1. @Fabrício L., Faltou dizer no vai apostar. Mas… Jogo 10 mil ienes que não. Os crentes não são cara de pau a ponto de dizer espontaneamente que vírus são criações divinas. E jogos mais cincão que eles nem lerão o artigo por este não citar deus. Não é assunto do interesse deles.

            Complementando o meu comentário sobre o artigo:

            Acredito que isso prova que mais precisamos dos vírus do que eles da gente. E como o Fabrício disse, eles são mais importante do que boa parte da humanidade.

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  2. Ah, uma boa notícia! Finalmente chegará o tempo que aquelas placas solares renderam mais! Finalmente!

    Pois bem, não quero desmerecer a inteligência dos vírus, mas não acho que eles cobraram algo ao perceberem nossas intenções. Penso isso porque se até hoje as bactérias e os fungos não vieram reivindicar seus direitos, principalmente na formação de pães e algumas bebidas (que dirão das vacinas?!), não acho que os vírus reclamaram algo.

    p.s.: 5º parágrafo “ouro problema tecnológico” ;3

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  3. Já tinha lido algo parecido sobre uma forma de baterias em roupas, o que realmente me impressiona é a capacidade destes vírus agrupar-se, tornando-se uma espécie de teia, como filamentos interligados para com a ajuda dos nanotubos de carbono fazerem esta captação de energia solar, Agora André, gostaria de saber que, sabendo -se que este tipo de vírus o M-13, pode ser quimicamente modificado com certa ” facilidade”, fico pensando com esta radiação recebida ou expostas a longo prazo neste processo, poderia esta cepa sofrer uma “modifcação” e perder esta habilidade condutora? Obrigado e Valeu pelo excelente artigo.

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  4. “(um instituto que pesquisa novas tecnologias e fica em Massachussets, Ceará)”…
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

    Essa eu não aguentei!! KKKKKKKKKKKKK

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