Plâncton interfere na quantidade de gás carbono na superfície do mar

plancton.jpgO plâncton é um conjunto de seres (que podem ser animais, archaeas e/ou bactérias) que vivem em zonas pelágicas, isto é, zonas onde seres sobrevivem sem tocar o fundo do oceano. Explicando ainda melhor: zona pelágica é a parte onde só tem água envolvendo e por todos os lados, literalmente. Pode-se dizer que o plâncton está na base da cadeia alimentar, ou, em outras palavras, é banquete de quase todo mundo. E quem se banqueteia com plâncton vira banquete de bichos maiores. A Natureza não é linda? Pois,é.

Segundo estudo recente, o plâncton pode possuir um papel mais importante do que parecia até agora, não que sua tarefa fosse considerada de pouca importância.

Uma pesquisa conduzida pela equipe do dr. Kenneth S. Johnson, do Instituto de Pesquisa Monterey Bay Aquarium, EUA, traz dados que demonstram que os plânctons podem ter um papel mais ativo do que se pensava quando se trata de remover o carbono inorgânico das camadas superficiais do oceano. A pesquisa, realizada ao largo da costa do Havaí, foi publicada na Nature.

Através de um acompanhamento dos nutrientes na água do oceano, foi revelado que os produtos químicos necessários para a fotossíntese são transportados a partir de uma profundidade de 250 metros abaixo da superfície do oceano. Os cientistas pensam que o plâncton pode carregar esses nutrientes e, usando as correntes marinhas, transportá-los até a superfície, ou bem próximo dela. Isso acarreta num transporte de nutrientes, abastecendo a vida marinha e ajudando as algas azuis a produzirem oxigênio, através de fotossíntese (ver mais sobre algas azuis, as cianofíceas, aqui).

Os pesquisadores notaram, há algum tempo, que as concentrações de carbono inorgânico dissolvido, como o dióxido de carbono cai consideravelmente na primavera e no verão. O CO2 se combina com a água, formando ácido carbônico e diminui o pH da água do oceano, o que pode causar a extinção de muitas espécies vivas. Assim, os cientistas suspeitam que o carbono foi sendo incorporado pelo fitoplâncton durante a fotossíntese, no entanto, eles não poderiam fazer um balanceamento relevante, já que é preciso nutrientes inorgânicos, como nitratos, por exemplo. Assim, a fotossíntese para, por falta de mais reagentes, e é aí que o transporte de nutrientes muda a inclinação do fiel da balança.

A equipe do dr. Johnson percebeu que os nutrientes devem ser transportados para cima de alguma forma, e há muitas correntes que transportam água profunda até a superfície e vice-versa. Mas eles não podiam entender como o nitrogênio e o carbono não acabam presos em lados opostos de uma corrente marítima. Sua teoria, portanto, é que o plâncton faz este transporte, servindo-se das correntes; sendo assim postulado que as migrações de fitoplâncton durante a primavera e verão acontecem com mais intensidade, o que resulta numa diminuição da concentração de CO2 na superfície, já que a fotossíntese é mais intensa, pois também aproveita a abundância de raios ultravioleta nesse período, o que se reduz paulatinamente até chegar o inverno, época onde a incidência de luz é menor, pois os dias são mais curtos. Com o passar do tempo, o inverno muda para primavera e o ciclo se reinicia.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s