A era do politicamente correto cria histórias para idiotizar crianças

lobo_ovelha.jpgEra uma vez, num reino muito distante, uma série de pessoas imbecis com um plano malévolo: Idiotizar todos os seres da face da Terra. Seu objetivo tinha um modus operandi muito fácil. Bastava acabar com a literatura, trazendo “consciência” às crianças, alterando a realidade de forma tão absurda que faria a propaganda de Goebbels (Godwin? PRESENTE!) parecer fichinha perto das artimanhas diabólicas dessa classe de criaturinhas pérfidas de eco-chatos ensandecidos e vegans estupidificados.

Não me entendam mal (caso entenderem assim, é culpa da capacidade cognitiva de quem está lendo). Eu sei que existe vegans E vegans. Então, não venham encher meu sacrossanto saco com xingamentos. No máximo, ganharão um tópico com o selo “Voz dos Alienados”. Agora nada, NADA, justifica o que alguns débeis mentais andam fazendo, recontando velhas histórias infantis,mas com um arroubo politicamente correto, onde animais carnívoros acabam se tornando dóceis e comendo cenouras! For the sake of Hades, foi só eu sair de viagem um pouco, para o mundo perder o rumo e descarrilar. Este é seu Domingo Insano!

Sinceramente, alguém deve ter misturado cidra Cereser (desculpem pela má palavra) na minha Möet Chandon durante a passagem do ano.

Um dos maiores clássicos da literatura infantil é, com certeza, o conto da Chapeuzinho Vermelho. Se você é daquelas coisas brotadas em apartamento e criado em condomínio chique da Barra da Tijuca, provavelmente não sabe do que eu estou falando, mas sabe o que é o (pausa pro vômito) Crepúsculo (perdoem pela má palavra). Chapeuzinho Vermelho é um conto com tantas variantes quanto uma espécie biológica. Em várias culturas há uma versão similar – mas ligeiramente modificada segundo os costumes locais – à história da menina que vai levar uma cesta de comida para a sua avozinha. Ela vai pela estrada fora, ela vai tão sozinha, levar alguns docinhos para a vovozinha que mora longe. Um lobo a convence de tomar um atalho pelo meio da floresta e a idiota vai. O lobo corta caminho, chega na casa da vovó e come a velha (sem camisinha, pois foi no sentido de alimentação, mesmo). Chapéuzinho chega lá, e encontra o lobo vestido de vovó. Num momento crucial o lobo se revela e Chapéuzinho grita feito uma louca. Um caçador que passa por lá, dá um teco no meio da fuça do meliante, corta a barriga dele e arranca a velha de lá de dentro, intacta e pronta pra outra.

É uma história sangrenta e que é passada de geração em geração, onde mostra o valor da obediência aos pais, não chegar perto de estranhos e sempre estar atento. É uma história que possui várias recontagens, que remonta há séculos, conforme já abordamos aqui antes.

Só que estamos construindo um mundo esquisito, onde temos que ser delicadinhos, politicamente corretos, e fingir que a Natureza não é o que é: sangrenta, vil e pérfida. Na versão de Agnese Baruzzi e Sandro Natalin, o lobo é enxotado e depois – PASMEM! – ele vira vegetariano (coloque quantas exclamações quiser). Daqui a pouco vão falar o quê? Que não existem ursos selvagens e sim uma legião de amiguinhos do Zé Colméia?

Não que eu seja favorável à violência exacerbada em livros infantis. Mas criar falsas características a animais não me parece muito acertado. Os 3 porquinhos podem falar à vontade, isso não influenciará a noção de realidade nas crianças, mas fazer lobos – notadamente carnívoros – comerem cenouras cozidas é forçar demais a amizade. Cabe a nós mostrar o que é certo e o que é errado, mostrando às nossas crianças o que é real e o que é imaginário. Mas é difícil lidar com histórias que alegam que comer carne não é saudável, quando a Seleção Natural fez de nós, seres humanos, onívoros, com uma predileção toda especial por carne. Se os autores acham que comer carne é eticamente incorreto, que se entendam com a miríade de animais carnívoros e que pouco se lixam da pobre presa. A bem da verdade, eles nos comeriam e não pensariam duas vezes. Mas, OH!, temos que ser éticos, apesar do conceito de Ética mudar de cultura pra cultura.

A leitura é algo importante, mas como as crianças aprenderão algo, com historinhas insossas sobre ir no shopping, passar feliz da vida o dia no colégio (eu não sei se vocês sabem, mas crianças odeiam ir pro colégio. Até eu odeio!). Tais histórias são ridículas pois não acrescentam nada na vida das crianças. Tudo isso ela vivencia todos os dias, não há atrativo. Mas quando sugerimos que elas leiam algo da linha de Robert Louis Stevenson… MALDAAAAAAAAAADE!!! Afinal, as crianças não podem ser obrigadas a ler livros malvados, que não tenham ilustrações, com letras pequenas (corpo 12, por exemplo), nem sentenças longas. tem que ser frases curtas, com uma letra que qualquer um com 10 graus de miopia possa ler sem óculos, e mais gravuras do que texto! Quando tem texto, coloca-se aberrações como as expostas acima.

Ainda existem alguns livros atuais – onde João, depois de subir o pé de feijão – não trazem mais a célebre frase “Fi-Fa-Fum!”, já que isso foi originariamente criação de Shakespeare e não querem bancar os plagiadores (Fair Use? Alguém?). Ainda tem o fato que depois de pegar a galinha e a harpa, João rala peito do castelo com o gigante em seu encalço. Mas, ao descer o pé de feijão, João não mata o gigante, fazendo-o cair. O gigante cai numa… pilha de compostagem! Imagino que iam dizer que o gigante ia cair num monte de esterco, mas isso não é saudável.

Caminhamos por um mundo idiota, onde o bem não vence o mal, pois não haverá mais o mal. Não precisaremos mais nos preocupar, pois nada de ruim acontecerá. Principalmente se ficarmos em casa, lendo livros escolhidos por uma Polícia do Pensamento Eco-ilógico. A Novilíngua não permitirá coisas como animais carnívoros e caça e morte, tão comuns na Natureza, simplesmente porque ninguém mais conhecerá a Natureza como ela é.

Não teremos mais épicos, pois Jasão não enfrentará ciclopes, Ulisses não precisará se preocupar com harpias, Aquiles não lutará com Heitor, mesmo porque, Leônidas disputará Esparta com Xerxes na base do par-ou-ímpar, tendo ao fundo o romance de Romeu e Julieta, com Romeu se tornando funcionário público e Julieta sendo professora de pré-primário, grávida. Long John Silver será da marinha mercante, abstêmio, com uma perna mecânica e de barba bem feita, com colônia da Avon.

Oh! maravilha!
Que adoráveis criaturas temos aqui!
Como é bela a espécie humana!
Ó ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
que possui gente assim!

– A Tempestade, Ato V


Fonte: Daily Mail via Cardoso

24 comentários em “A era do politicamente correto cria histórias para idiotizar crianças

  1. Pobre coitados, não sabem que estão fazendo as crianças ficaram ainda mais ingênuas em relação à esse mundo selvagem e cruel, e estarão fazendo com que os pais aumente os cuidados, pois dependendo do grau que a criança se aprofundar na história, ela se tornará ainda mais ingênua que é, e ficará ainda mais carente e necessitada de atenção.
    Mas também é claro que cultura infantil nunca foi boa. Mas nesse caso estaria ridicularizando o conjunto.
    E se isso tudo tem algum certo grau de relevância, eu não sei, já que molecada hoje em dia quer mais é correr para os video-games e se matarem no gta até que a morte os separem.

  2. Então além de oportunista e enganador, esse lobo mau falante também é vegan?! Que tipo de associação esse coprófago entorpecido acha que as crianças vão criar? :shock:

  3. Esse texto foi sensacional. Esses patrulheiros do politicamente correto realmente são um saco.
    Lembro que no filme Stars Wars III a legendagem brasileira mudou a consagrada tradução “lado negro” para “lado sombrio” da força. Ora, se era pra ser politicamente correto então que mudassem logo para “lado “afro-americano” da força :???:
    Também conheço pessoas afirmando que o desenho do Pica-Pau é um péssimo exemplo pra crianças. Putz!, eu passei a minha infância toda vendo pica-pau, adorava ele e nem por isso faço as coisas do desenho.
    Daqui a pouco Satan Goss vai disputar a construção do Império dos Monstros com Jaspion numa partida de dominó.
    Durma-se com um barulho desses.

  4. Em breve a Tia Nastácia será branca, usuaria de orkut e twitter, o Dr. Jekkyl sera vegano e quando se transformar em senhor Hyde comera enormes prções de carne humana com as mão e Mowgly, o menino lobo, criado por lobos, não comera carne e sómente frutas.

    É uma vergonha mesmo, Como o Fernandoz, lembrou Star Wars foi uma série que sofreu com o politicamente correto, eu preciso lembrar alguem de que Han shoot first.

  5. Somando o políticamente correto apresentado no texto, com os antibactericidas usados de forma exagerada na higiêne das crianças, além de perder a inteligência perderão a imunidade que o organismo adquire durante a vida.
    Da mesma forma como o corpo necessita do contato com a natureza para criar suas defesas, a mente também necessita de situações múltiplas para criar suas defesas.
    No entanto seria útil se surgissem novas histórias com situações onde o vilão não é um lobo, mas um político, ou um padre ou uma ong que defende o políticamente correto.

  6. Depois que eu li Crepúsculo, notei uma coisa: o romantismo exacerbado que circunda aquela trama toda. Pra mim, o fenômeno citado acma é um dos sintomas dessa volta do romantismo (leia-se: emice). A idealização do parceiro(a), o culto à pureza e a inocência, entre outras coisas. Provavelmente essa onda emo-romântica deve ser uma resposta cultural ao que acontece na nossa sociedade, como o aumento da violência, os desastres climáticos, entre outras coisas.

    Eu sinceramente, acredito que, pra educar uma criança você tem que mostrar os dois lados da moeda, pra que ela não se seduza pela curiosidade, nem se esconda num canto pra chorar.

    P.S: Para evitar futuras críticas, apenas observei isso de um contexto mais amplo.

    1. Foi a pior kibada de Romeu e Julieta que eu já vi. Tive que aturar este lixo numa viagem de ônibus, com um monte de aborrecentes retardadas suspirando. Falta de leitura dá nisso (leitura de qualidade). Deviam proibir auto-falantes nos ônibus. Quem quisesse ver a bosta do filme e ouvir aquele lenga-lenga, que enfiasse o fone (no ouvido ou outro orifício) e se deleitasse. O pior foi o filme acabar e as débeis mentais ficarem comentando o filme (que provavelmente viram até o DVD criar uma vala).

      1. @André, Eu só li uma parte do livro, pra poder falar mal, mas tendo bases. Tomara que isso acabe logo. Já não aguento mais a minha tia de 30 anos pagando pau pro Robert Pattinson.

  7. Sobre a história do lobo que vira vegetariano, de fato incute nas crianças uma crença tola e antinatural. Não é necessário subverter atributos naturais de animais pra conscientizar mentes pequenas. Já basta a bíblia que fala de leões comedores de grama — passagem utilizada por vegetarianos de motivação religiosa.

  8. Sobre a reformulada na história da Chapéuzinho Vermelho, creio que seja um nítido exemplo de propaganda/marketing agressivo. É claro que é um absurdo ensinar ciência errada pra divulgação dos preceitos vegans. O veganismo sofre com a “síndrome de religião”, é verdade eu sei. Muitos acabam caindo numa pregração ad nauseam que só enche o saco dos outros e não ajuda em nada. O “politicamente correto” é algo tão vago que seria até bom se fosse abandonado e esquecido, já que serve mais à falsidade e hipocrisia das pessoas. Uma curiosidade inútil sobre religião/mitologia já que citou a disputa no par ou ímpar é que acabei de lembrar que no Mahabharatta, os Pândavas e os Kurus antes de caírem na porrada decidem a posse do reino num jogo de dados. Politicamente corretos há 5000 anos? Duvido…e aproveitando que falaram em Crepúsculo, será que alguém aqui sabe dizer o que aconteceu? Minha sensação ao terminar de ver o filme foi de que não aconteceu nada…ou não entendi o filme na minha humilde ignorância.. :roll:

  9. Lobo vegetariano? Wtf?
    Se vocês acham sangrenta a versão com o lobo de barriga cortada, é bom lembrar que, na versão de Charles Perrault, de 1697, a coisa é bem mais direta.

    A Chapéuzinho deita nua na cama, com o lobo e, no final, não aparece nenhum lenhador, mas o lobo devora a Chapéuzinho também.

    Moral: Children, especially attractive, well bred young ladies, should never talk to strangers, for if they should do so, they may well provide dinner for a wolf. I say “wolf,” but there are various kinds of wolves. There are also those who are charming, quiet, polite, unassuming, complacent, and sweet, who pursue young women at home and in the streets. And unfortunately, it is these gentle wolves who are the most dangerous ones of all.

    Conforme pode ser conferido aqui: Little Red Riding Hood, Charles Perrault

    Um pouco nada a ver, mas o Terry Pratchett, na série Discworld, costuma abordar esse assunto da mudança nas histórias (com humor, mas bastante sentido), tal como em Hogfather:

    But it was much earlier even than that when most people forgot that the very oldest stories are, sooner or later, about blood. Later on they took the blood out to make the stories more acceptable to children, or at least to the people who had to read them to children rather than the children themselves (who, on the whole, are quite keen on blood provided it’s being shed by the deserving[1]), and then wondered where the stories went.

  10. Comprei dois livros infantis para minha filha esses dias. Onze anos morando fora e pensei que as coisas não mudaram tanto. Mas… PQP! A história da Bela e a Fera totalmente mudada. Nenhuma cena “chocante” nenhum momento de sofrimento, a história pareceu terminar como começou, no outro livro chamado A Bruxa Malvina foi pior ainda, não tinha mal nenhum, a tal bruxa era boa e as crianças não desconfiaram dela e a bruxa fez chover para salvar flores da seca (que ocorreu de forma natural) e a história acabou. QUE PORRA É ESSA?!

    Saudades do Monteiro Lobato, Cervantes, C.S Lewis, entre outros. Isso é lavagem cerebral.

  11. Queria ver o que aconteceria se as colocassem pra ler contos daqueles como “A Guardadora de Gansos” ou aquela versão mais antiga de Cinderela onde as tias da dita cortam fora seus dedos para que seus pés caibam no sapatinho, mas o príncipe reconhece pelo “sangue que jorrava”.

  12. A Gata Borralheira
    (…)O príncipe olhou para baixo, viu que do sapato brotava sangue e, percebendo que tinha sido enganado, levou a falsa noiva de volta para casa. A mãe então disse para a segunda filha: “Pegue o sapato e, se ele for apertado, é melhor cortar a parte dos dedos”. A filha levou o sapato para o quarto e, ao ver que seu pé era grande demais, cerrou os dentes e cortou fora um pedaço bem grande do dedão.(…)

    http://www.goethe.de/ins/br/lp/kul/dub/lit/gri/pt10197361.htm

    A Guardadora de Gansos
    (…)O rei decidiu contar a história da princesa, inquirindo os presentes sobre o castigo a ser atribuído à dama. Esta, que tinha tanto de feia como de ignorante, não se apercebeu do que se passava, e sugeriu um castigo horripilante – colocar a pessoa num barril com facas e fazê-lo rolar por todas as ruas da cidade. O rei anunciou que o seu castigo acabava de ser decidido.(…)

    http://dafinidresch.blogspot.com.br/2012/01/guardadora-de-gansos-irmaos-grimm.html

  13. E nessas tentativas frustrantes (e frustradas) de negar (ou deturpar) a realidade, adultos serão incapazes de errar e admitir o próprio erro… não, pera! Isso já está ocorrendo!

    PS: Aqui na capital paulista o que não falta é gente problemática, tendo a mamãe que lavar a cueca e calcinha dos “”adultos””, que vivem tirando fotos sorrindo nas redes sociais.

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