STF derruba a obrigatoriedade do diploma de jornalista

Que diferença faz um canudo na vida da gente? Algumas pessoas choram de emoção ao colocarem a mão em um. Outros não sossegam se não forem dois. Ficam eufóricos, beijam, abraçam, se atracam com o canudo. Uma realização e tanto. Mas, ter um diploma faz de você um bom profissional? Te fará cometer menos erros? Você será mais competente?

O Supremo tribunal Federal acha que não, que a carreira de jornalismo não precisa, necessariamente, requisitar diploma universitário. Ele derrubou nesta quarta-feira (17/06) a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. O relator da matéria, Gilmar Mendes, e os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluzo, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram pelo fim da exigência do certificado. Apenas Marco Aurélio Melo votou pela obrigatoriedade. Por falta de alguma loucura religiosa, eu, do alto da minha sapiência, vaticino: Temos aí, mais uma SEXTA INSANA!

Para muitos, isso seria um retrocesso em termos de legislação no âmbito profissional. Para outros, é a chance de agregar novos valores e profissionais dedicados e competentes aos seus quadros. Qual seria a visão correta, então? Eu poderia ser considerado jornalista, porque escrevo um blog? Muitos jornalistas são empregados para manterem blogs de notícias. Tendo isso em mente, eu poderei ter direito a passe escrito IMPRENSA e poder fuçar em camarins de artistas durante suas turnês? Terei maior acesso durante as feiras e melhor chance de conversar com pessoas influentes que, de outra maneira, seus seguranças me impediriam sequer de chegar perto?

Qualquer profissão precisa ser regulamentada. Um profissional precisa ser protegido perante seu conselho regional e punido caso faça alguma caca.

A profissão de jornalista sempre é criticada, porque, em tese, ela não demanda muitos conhecimentos que só poderiam ser adquiridos numa faculdade. Aliás, uma profissão que aceita em suas fileiras alguém como o Sabino ou o Wagner Montes é algo pra darmos um tempo e pensarmos: Para que uma faculdade de jornalismo? Para escrever bonitinho? Peguem os jornais e verão erros grosseiros. Quando alguns idiotas resolvem escrever sobre Ciência, então são pérolas na certa, como aconteceu no caso que eu chamei de O Caso do Peixe Highlander, onde 3 notícias (chupadas uma das outras) traziam grandes besteiras mal-redigidas. Jornalista escrevendo sobre Ciência, quase sempre, é um tiro de escopeta no conhecimento. E não é somente no tocante à Ciência, mas sim a ânsia de noticiar algo escabroso, digno de primeira página, capaz de fazer os olhos saltarem, mesmo que isso não seja verídico ou ter erros conceituais ou grandes baboseiras mesmo, já que escutam qualquer um. Foi o caso do Jornal do Brasil, onde o jornalista entrevistou uma engenheira AGRÔNOMA sobre o acidente e a tosca veio com histórias de o acidente ter sido causado por um buraco negro. A ridícula já tava errada, mas o pior foi o talzinho que fez a entrevista. Ou, o que também é provável, o Zé Ruela não fez entrevista nenhuma e inventou aquilo tudo.

Afinal, o André está embromando? Diploma é ou não é necessário?

O problema transcende o ato do fator Diploma x Capacidade. Ele está inserido na notícia que informa que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, admitiu que outras profissões possam vir a questionar também a necessidade de um certificado e/ou diploma. Agora é hora para entrarmos em desespero.

Tomemos a profissão mais odiada e amada (em época de eleição): professores.

Professores estão, em muitos lugares, substituídos por pessoas que não têm curso de Licenciatura. Existem muitos engenheiros dando (ops) aula. Só para vocês terem uma idéia (com acento, dane-se o acordo ortográfico), em um colégio onde trabalhei, a professora de Matemática era formada em…. Ciências Contábeis! Obviamente, ela não tinha um leque muito grande de conteúdo capaz de lecionar, só juros, percentagens (para os distraídos, “percentagem” e “porcentagem” são ambas corretas, ogo não venham me encher o saco, dizendo que está errado). Tudo bem, era colégio estadual e Estadualzão, como chamamos carinhosamente aqui, pega o que aparecer, já que mesmo com o último concurso há um déficit no número de professores. Aguardem que farei uma postagem a respeito das realidades educacionais aqui no Brasil. Acompanhem-nos aqui, assinem nosso RSS ou sigam-nos no nosso Twitter para estarem atualizados.

De acordo com O Globo, nos EUA, o jornalismo é uma profissão não regulamentada. Cabe aos veículos fixar critérios de escolha dos profissionais. Só que lá não é essa zona chamada Brasil, onde fala-se o que quer, ou aplica-se uma Lei da Mordaça. Tudo bem que com a queda da obrigatoriedade da apresentação de diploma universitário para trabalhar como jornalista, a Lei de Imprensa tb caiu. Mas sabemos que existem leis não declaradas, punições sob o melhor efeito ditatorial, como foi o caso do Larry Rotter, quando chamou o Primeiro Molusco de bebum. Um jornalista não-graduado teria evitado isso? Ou faria pior? Aliás, onde fica a Liberdade de Imprensa? Se o cara ofendeu o Excelentíssimo Sr. Presidente Paradáctilo (não, Lula, não te chamei de Pterodáctilo), existem as vias legais pra isso. Não, o Governo nunca se preocupou com a legalidade de nada. Sarney que o diga.

Os tolos alegam que antigamente muitos jornalistas não tinham faculdade. Ora, assim como muitos cientistas. Faraday nunca foi a uma faculdade estudar, era auto-didata. Assim, vamos permitir que pessoas sem graduação lecionem nas Universidades, que tal? Lavoisier, pai da Química, não era formado em Química e sim em Direito, já que, naquela época, as Universidades primavam por um conhecimento universal, e aprendia-se de tudo. Formavam-se gentis-homens, cultos, filósofos (na pura etimologia da palavra), homens de letras e intelectuais.Hoje, qualquer babaca que more em bairro nobre, pode olhar para baixo, com seu uísque escocês, e dizer-se intelectual. Qualquer mané que faz faculdade de Filosofia (pra que isso serve hoje em dia, hein?) se acha acima da gentalha, cujas profissões simples ajudam a preparar medicamentos, pesquisam o câncer e calculam estruturas.

Por que não acabar com a obrigatoriedade dos cursos de Filosofia? Alguém aqui sabe PARA QUE serve a formação em Filosofia? E que tal as faculdadezinhas de meia-pataca que oferecem cursos de (respirando fundo) Medicina Homeopática??? Homeopatia nem deveria ser mencionada numa roda de cientistas sérios. Mas existem faculdades dessa ignomínia.

Se é pra considerar somente a capacidade e idoneidade do profissional, e não a sua formação acadêmica, sugiro que acabem com as faculdades de Direito. Vejam só: O que é necessário saber para ser um advogado? As Leis e seus procedimentos e ordenamentos. Qualquer um pode estudar isso, tanto que em concursos para auxiliares administrativos, aparecem questões de Direito Constitucional, do Trabalho etc. Por que eu preciso prostituir constituir um advogado para entrar com uma queixa, fazer uma petição ou processar o vizinho por roubo de galinha? Se eu estudar um bocado poderei ser um bom advogado, que trabalha mais com a arte do convencimento do que outra coisa. Alguns são tão convincentes, não necessariamente instruídos, que chegam até ao cargo de Ministros do STF. Olha só que orgúlio pra crassi trabalhadôra, companhêrus!

Vamos substituir os engenheiros pelos seu Juca que conserta carros. Ele sempre cuidou do meu chevetinho. Aposto que com ele jamais aconteceria aquele problema com o AF 447. Vamos substituir os médicos por açougueiros. Mediante o que acontece nos hospitais públicos, não seria muito diferente.

Decretemos o fim das escolas, já que competência não se aprende entre quatro paredes e sim no dia a dia.

Agora, quem vai tomar conta dos profissionais? Ao exame “criterioso” do STF, o controle seria da própria empresa que contrata o profissional, ou seja, ferrou. As empresas, mesmo com fiscalização externa, já fazem o que querem, imaginem agora?

Esse é o Brasil! Um gigante deitado eternamente em berço esplêndido… e que nunca se levantará!

3 comentários em “STF derruba a obrigatoriedade do diploma de jornalista

  1. Eu sou bacharel em design gráfico, profissão não regulamentada praticamente no mundo todo, onde qualquer um que pilote “Corel Dró” pode se chamar designer. Antigamente eu chiava e tinha a maior bronca com gente não diplomada que exerce a profissão, mas sinceramente? Bobagem. Com os jornalistas vai acontecer a mesma coisa que já acontece com designers.

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