Historiador divulga texto inédito de Pessoa sobre religião

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Essa notícia é dedicada aos amantíssimos acompanhantes do Ceticismo.net de nome Sabino, Orlando e Iara, posto que é algo direto de seu (deles) país. 😀

Segundo a agência de notícias Lusa, foi descoberto um texto de Fernando Pessoa – aquele que falou que nunca conhecera ninguém que não tivesse levado porrada (sic) – onde o distinto escritor, autor de diversas poesias, tece algumas… considerações sobre a religião, principalmente sobre Fátima. Não, não é sobre a nossa Fátima, mas a Nossa (deles) Senhora de Fátima 😉 .

O historiador português José Barreto afirmou que o poeta Fernando Pessoa encarava a cidade de Fátima como o lugar mítico da construção do nacionalismo católico e monárquico, repudiado pelo autor.

Barreto apresentou o artigo inédito do escritor português sobre a cidade numa conferência sobre “Pessoa e Fátima. A prosa política e religiosa”, proferida no dia 02/07, na Casa Fernando Pessoa.

Nas próprias palavras de José Barreto: “É um texto irónico, a roçar a sátira anticlerical, em que Pessoa parece regressar ao seu radicalismo de juventude. A intenção não é propriamente anti-religiosa mas anti-católica – uma ‘nuance’ que se deve sublinhar”. em que Pessoa parece regressar ao extremismo da juventude”, disse o historiador no seu melhor sotaque lusitano, ora pois pois.

O texto descoberto por Barreto, que é historiador e pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, é apenas “o preâmbulo de um artigo maior que teria o caráter de estudo de caso sobre o catolicismo desde bom e mau povo”, explicou o próprio Barreto, citando o poeta.

O texto começa assim (mantive a transcrição no português usado por Fernando Pessoa):

Fátima é o nome de uma taberna de Lisboa onde às vezes… eu bebia aguardente. Um momento… Não é nada d’isso… Fui levado pela emoção mais que pelo pensamento e é com o pensamento que desejo escrever.

Ele também faz algumas observações sobre o local:

Fátima é o nome de um lugar da província, não sei onde ao certo, perto de um outro lugar do qual tenho a mesma ignorância geográfica mas que se chama Cova de qualquer santa.

(…) Nesse lugar – esse ou o outro – ou perto de qualquer d’elles, ou de ambos, viram um dia umas crianças aparecer Nossa Senhora, o que é, como toda gente sabe, um dos privilégios (…) a que se não (…). Assim diz a voz do povo da provincia e a ‘A Voz’ (jornal católico e monárquico) sem povo de Lisboa.

(…) Deve portanto ser verdade, visto que é sabido que a voz das aldeias e ‘A Voz’ da cidade de ha muito substituíram aquelas velharias democraticas que se chamam, ou chamavam, a demonstração científica e o pensamento raciocinado.

O artigo sobre Fátima – que teria sete páginas tipográficas, de acordo com o sumário que Pessoa deixou escrito – destinava-se a ser publicado no primeiro número da revista “Norma”, um dos três projetos editoriais de Pessoa no ano da sua morte, em 1935. A publicação não chegou a se concretizar.

Abaixo, uma reportagem com o historiador gravada pela SIC (um canal de televisão de Portugal):


Fonte: SIC e Lusa

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Sobre André Carvalho

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