
Durante boa parte do século passado, a evolução humana foi vendida como um álbum de família muito bem organizado: um tronco, alguns galhos, uns poucos ramos, e cada espécie arrumadinha no seu quadrinho, sem se misturar com a gentalha, gentalha. Pois bem, dentes de 400 mil anos acabam de transformar esse álbum em algo mais parecido com o grupo de WhatsApp da família depois do Natal, cheio de parentes que ninguém sabia que se falavam.
Os autores de um estudo recente conseguiram o que, uma década atrás, soaria como ficção científica de qualidade duvidosa: extrair informação biológica significativa de fósseis de Homo erectus antigos demais para ainda guardarem DNA. A saída foi trocar o DNA pelas proteínas, que resistem muito mais ao tempo e contam uma história surpreendente sobre quem andou namorando quem na Ásia. Continuar lendo “Os segredos familiares escondidos nos dentinhos do Homo erectus”


Homo erectus não era um homossexual que estava sempre pronto para a cópula. Ele formava um grupo de hominídeos que viveu há cerca de 1,8 milhões de anos e 300 000 anos atrás. Seu nome significa literalmente “o homem que andava ereto ou em pé”. Esses hominídeos eram que nem brasileiros: onde menos se esperava tinha um lá. A maior parte ficou, entretanto, na África, mesmo. Agora, pesquisas recentes mostram que seu tatatatatatataravó Homo erectus foi mandado pra vala evolutiva porque era preguiçoso. Deve ser por isso que você é o que é, já que quem puxa aos seus não degenera.
Desde que surgiu os primeiros processos de autorreplicação, sempre houve a chance de algo dar muito errado… ou muito certo. Nos casos em que a mutação não virava uma sinuca evolutiva, impedindo o ser vivo de continuar vivo, 99% das vezes deu certo e aquela proteína esquisita virou a Zooey Deschanel. O problema é aquele 1% safadão que nos deu cânceres
Tudo o que nós temos e somos são peculiaridades herdadas de nossos antepassados por meio de nossos queridos genes. Vários desses genes nos dão capacidades de
Dizem que somos o que comemos. Não é bem assim. É mais como “ficamos da maneira como comemos”. Nossos alimentos deixam marcas, algumas visíveis outras nem tanto. Como dentes, por exemplo. Isso pode ser evidenciado em nossos tatatatataravós, sejam Homo sapiens, sejam neandertais. Se bem que nenhum de nós tem ancestral entre os neandertais, mas isso ainda não é totalmente consenso.
Nunca chegaram a um consenso com os hobbits, apelido dado a supostos ancestrais do Homem encontrados na Ilha das Flores e, por isso, chamados de Homo floresiensis. O anúncio de sua descoberta foi feito em 2004, embora sua descoberta tenha sido em 2003, mas isso deixou muita gente encucada. Seriam eles realmente nossos ancestrais. Eles eram baixinhos, num lugar onde a fauna era baixinha, também. Por isso os apelidaram de “Hobbits”. Se você conhece a obra de J. R. R. Tolkien, consegue imaginar o motivo.
A Eva Genética (ou Eva Mitocondrial) é o mais recente de nossos ancestrais comuns. Praticamente, foi ali quie começou a humanidade. Ela tem esse nome porque nossas mitocôndrias vieram dela, pois a mitocôndria, este bacteriazinha que veio viver em simbiose com nossas células, é passada sempre de mãe para filhos (e filhas, claro). As mitocôndrias têm o seu próprio DNA, e esse DNA mitocondrial está agora presente em todas as pessoas. Claro, o pessoal que tem problemas mentais acha que isso significa que a historinha pra boi dormir de Eva & Adão é verdade, mas esqueceram a parte do Adão Genético, ou Adão-Y, o mais antigo ancestral de origem patrilinear. E, segundo a hipótese científica mais aceita, tem origem na África.