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Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Análise das fontes externas que mencionam Jesus

JUSTINO MÁRTIR

Por algum motivo que eu não entendo (ou até que entendo de certa forma), os apologistas possuem uma adoração pela figura de Justino Mártir. Há esta relação de sofrimento e morte por causa de uma fé. Mas o que isso prova? Existem mártires e toda religião, pois loucura não é algo inerente apenas ao cristianismo. Se tem gente que se indispõe com os ídolos, ao ponto de perseguí-los, se tem gente que tatua o corpo, se mutila e se propõe a viver uma vida que não é sua, só porque seu ídolo do Rock é radical, o que dizemos quando colocamos o fenômeno religioso em cima? Desde o Heaven’s Gate, o Verdade Suprema e os fanáticos islâmicos, gente idiota se matando e resolvendo sofrer por algo não prova nada, e se prova, então todas as religiões estão certas e provam que seu deus particular existe. Mas se todos esses deuses existem, então o deus judaico-cristão não é o único e, portanto, temos um sério problema teológico. Resta-nos apenas a observação um tanto irônica de Joseph Campbell, que disse "mito é como chamamos a religião dos outros".

Flavivs Ivstinvs, Flávio Justino ou Justino, o Mártir era um apologista cristão do século II, nascido em  Flávia Neápolis, no que hoje é a atual Cisjordânia. É um dos maiores ícones do cristianismo, tendo dedicado-se a escrever para comunidades que rejeitavam o Cristianismo, tentando defender sua religião a todo custo, dizendo que cristãos não eram contra nenhuma estabilidade social (o que não era bem verdade), nem uma grave ameaça ao decôro. Justino recorreu, então aos próprios evangelhos para provar isso, naquela velha tática de provar a Bíblia com a própria Bíblia. Para Justino, os cristãos eram a única representação do verdadeiro Deus.

Justino sempre faz referência às "memórias dos apóstolos" — o que seria os evangelhos — mas sem dizer que eles eram. Justino escreveu tanta besteira em seus escritos apologéticos que fica difícil achar que ele sequer tenha lido realmente os evangelhos; e considerando que ele nasceu no ano 103 e morreu no ano 165 E.C., tenho para mim que pelo menos o Evangelho Segundo João não passou por seus olhos. Mas, se passou — e realmente tenha lido qualquer um dos 4 evangelhos ou todos eles — Justino não agiu com muita boa fé, pelo que explicarei agora.

Para Justino, Jesus era Deus. Ok, nada de anormal nisso (embora também não prove que Jesus realmente o era). As complicações começam ao examinar a obra mais detidamente. Em seu Diálogo com Trifão, é dito: "Dizia-se [Jesus] portanto, filho do homem, seja em razão de seu nascimento de uma Virgem que, como assinalei, era da raça de Davi, de Jacó, de Isaac e de Abraão, etc…"

Primeiro, temos aquele velho problema de forçar as passagens. As profecias messiânicas não falam que o Messias viria de uma virgem (betulah) e sim de uma moça jovem (almah). Outro problema MUITO sério é dizer que Maria era da tribo de Davi. Isso mostra as reais intenções do autor: forçar que Jesus cumpra as profecias messiânicas, já que o Messias seria da casa de Davi. Jesus não era filho de José, logo, pouco importava de quem José era filho. Assim, Justino tenta passar a ideia que a descendência vem por parte de Maria, o que é errado por dois motivos.

Primeiro, a descendência é patriarcal, e não matriarcal. Maria podia ser filha do próprio Davi, não faria a menor diferença. A linhagem ainda assim  seria contada a partir do pai. Em segundo lugar, Maria NÃO ERA da tribo de Davi. Maria era levita, mediante o próprio evangelho de Lucas, capítulo 1. Lá é dito textualmente que José é descendente de Davi, mas que Maria era prima de Isabel, que foi chamada de "uma das filhas de Arão". Arão era da tribo de Levi, logo, Isabel era levita e Maria vem a ser descendente de Davi COMO?

Justino era tão insano (ou burro) que chegou a dizer no capítulo 31 da sua Apologia que o rei egípcio Ptolomeu II era contemporâneo de Herodes e relata em detalhes o contato dos dois! Para quem não sabe História, beleza, isso deve ter sido um encontro emocionante… se um dos dois tivesse uma máquina do tempo. Ptolomeu II Filadelfo nasceu em 309 ANTES DA ERA COMUM! Eu nem preciso dizer quando ele morreu, mas com certeza não foi no tempo de Herodes e nem de Herodes Antipas. Como se pode dar crédito a um maluco como Justino?

Analisando o texto de Justino, chega a dar vergonha o total desconhecimento dele sobre as práticas correntes de tortura, provando que ele sequer pesquisou o tema e apenas repassou a mensagem, que nem fazem com os arquivos PowerPoint de hoje. Segue o texto de sua Apologia:

‘transpassaram meus pés e mãos’ são uma descrição dos cravos que prenderam suas mãos e pés na cruz; e depois de o crucificarem, aqueles que o crucificaram sortearam suas roupas e dividiram-nas entre si. E se tais coisas assim aconteceram, poderás verificar nos ‘Atos’ que foram escritos no governo de Pôncio Pilatos.

O trecho "transpassaram os pés e as mãos" jamais poderia estar em qualquer documento oficial de Roma, já que os romanos conheciam muito bem anatomia humana. Conheciam bem para que pudessem dar castigos bem severos sem que o pobre coitado morresse logo. É por causa disso que davam vinagre e não água para o condenado crucificado beber. Se dessem água, o desequilíbrio de eletrólitos acarretaria num choque fatal e a pessoa morreria logo e o objetivo da crucificação era simplesmente tortura e demonstração de força perante qualquer um que ousasse desafiar os poderes supremos do império romano. A crucificação era realizada pregando, não a mão, mas o pulso, no que é chamado Espaço de Destot. No livro Paixão de Cristo segundo o cirurgião, de Pierre Barbet, vemos uma clara explicação sobre isso. Como podem os romanos ignorarem seus próprio métodos punitivos?

Por que uma execução costumeira e sem maiores interesses para Roma seria reportado em um documento oficial dirigido à sede do Império Romano? E como Justino teve acesso a estes documentos militares? Pedindo num cartório, mediante assinatura em triplicada e apresentando RG, CPF, Título de Eleitor e BO tirado numa delegacia? E o que é este Atos de Pilatos, senão um relato apócrifo e pseudoepigráfico?

O trecho da Apologia que diz:

No dia dito do Sol todos se reúnem no mesmo lugar, quer habitem nas cidades, quer nos campos; são lidas as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas, segundo o tempo disponível. Quando o leitor termina, presidente da assembleia, com um discurso, nos convida e exorta à imitação daqueles belos exemplos

Muito legal. O que isso prova? Prova que havia cultos cristãos, da mesma maneira que hieróglifos provam que havia rituais religiosos no Egito Antigo. Se o texto de Justino prova que Jesus existiu, então os hieróglifos provam que Rá, Bastet, Maat etc também existiram, existem e merecem a nossa fé.

O texto de Justino é apenas uma defesa desesperada de sua fé. Mais nada. Uma fé tão insana que ele acaba sendo martirizado e ido feliz e contente para sua execução, e os religiosos atuais acham isso lindo. Lindo, mas ninguém quer defender sua fé dessa maneira. Não que isso seja algo que uma pessoa normal faria, mas se é tão normal a ponto de não querer morrer pela sua fé, porque defender um louco, insano, ignorante e totalmente desonesto com os textos do livro sagrado de sua religião?

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Bocejo. Vai lá ler Um Judeu Marginal (já tá no 3º Volume. tem muito pra vc ler) e depois volta aqui, sim.

    Mas antes, leia a Bíblia. Principalmente Mateus cap. 5, que diz que você não pode me xingar, mas tentar ser meu amigo e oferecer a outra face cada vez que lhe ofenderem. Ah, sim, no cap. 6 diz que quem reza em igrejas é hipócrita. 😉

    Crentinho retardadinho

  • Edrua Los

    Poderia pelo menos responder a essa questão?

    Pryderi respondeu:

    Luciano de Samosata falar que existem cristãos significa tanto que Jesus existiu como Comic Con prova que o Super-Homem existe.