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Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

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Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Análise das fontes externas que mencionam Jesus

FLÁVIO JOSEFO

O Testimonivm Flavianvm é um dos textos paralelos mais usados pelos cristãos apologéticos em defesa da literalidade bíblica. Esta defesa procura relacionar um dos mais renomados historiadores judeus que já existiu, Flávio Josefo, com a história descrita no texto neotestamentário. Josefo era um homem culto, nascido com o nome de Yosef Ben-Matityahu em cerca de 37 E.C. e faleceu entre o ano 100 e 103 da Era Comum. Todas as informações disponíveis sobre Flávio Josefo são oriundas de sua autobiografia. De acordo com esta, ele teria nascido em Jerusalém, tendo recebido uma educação sólida na Torá. Depois disso, juntou-se aos saduceus para continuar seus estudos, assim como aos fariseus e os essênios, optando por aderir ao farisaísmo. No ano 64, seguiu numa embaixada a Roma onde defenderia, com êxito, a causa de alguns sacerdotes hebreus condenados pelo procônsul romano Félix.

Josefo sempre preferiu dissuadir os revoltosos judeus a não se rebelarem contra Roma, sendo chamado de traidor muitas vezes (eu acho que ele era esperto suficiente para ver que os judeus de então não tinham capacidade, armamento, tática e conhecimento para rivalizar com o altamente disciplinado, organizado e bem armado exército romano, que nunca foi conhecido por entrar em confrontos seguindo regras de boa conduta e civilidade). Os judeus não deram a menor bola para Josefo e continuaram sua oposição, fazendo com que Vespasiano tomasse Jotápa na Galiléia na mão grande com toda a sua tropa.

As tropas de Vespasiano, como poderia se supor, varre todo o lugar e os remanescentes propuseram que não se entregariam com vida. Infelizmente, as Leis de Javé proíbem suicídio, então eles tiveram a ideia um tanto quanto questionável de um matar o outro mediante sorteio. Não se sabe direito o que aconteceu naquele lugar escuro, mas sabe-se que Josefo emerge dali e, ao se entregar a Vespasiano, Josefo prediz que o general iria se tornar imperador, que por sinal acaba acontecendo. Não imagino que Josefo tenha tido uma visão divina ou uma previsão. Inteligente e conhecedor de política, ele sabia bem os rumos que aquilo iria tomar (ainda mais conhecendo o perfil de Vespasiano, que nunca foi gentil feito uma donzela de história infantil). Vespasiano liberta Josefo e este assume o nome romano de seu protetor Flávio Vespasiano, ganhando cidadania romana, uma pensão em Roma, assim como o livre acesso à corte de Tito e de Domiciano. Nada mal, hein? Daí vem seu nome romano, pelo qual é mais conhecido: Flavivs Iosefvs (aportuguesando: Flávio Josefo). Devido à sua adesão aos romanos, até os dias de hoje Flávio Josefo é considerado traidor do povo judeu, como foi dito. De minha parte, ele apenas fez o que cada um de nós faria naquela situação: tentar sobreviver o máximo que puder.

Bem, Josefo escreveu um relato da Grande Revolta Judaica, dirigida à comunidade judaica da Mesopotâmia, em aramaico. Mais tarde, ele escreveu (em grego) outra obra de vertente histórica, que englobava o período que vai dos Macabeus até à queda de Jerusalém. Este livro, a “Guerra Judaica”, foi publicado no ano 79 E.C. A maior parte do livro é diretamente inspirada na sua própria vida e experiência militar e administrativa.

As Antiguidades Judaicas – escritas aproximadamente em 94 E.C. e em grego – é a história dos Judeus desde a criação do Gênesis até à irrupção da guerra da década de 60. Neste livro encontra-se o famoso Testimonivm Flavianvm, uma das referências mais antigas à Jesus mas evidentemente se mostra uma fraude, levando em conta o estilo de Josefo, e considerado uma grossa interpolação posterior por grande parte dos acadêmicos.

A última obra dele é sua Autobiografia. Que nos revela o nome do adversário (Justo, filho de Pistos, de Tiberíades), ao qual essa obra vem responder e as censuras que lhe faz Josefo. Essa obra é cheia de lacunas, confusa e hipertrofiada. E ela traz sobre a vida de Josefo informações preciosas, que não encontramos em nenhum outro historiador da antiguidade.

O Projeto Gutemberg dispõe das obras digitalizadas de Josefo, as quais você pode ter acesso aqui.

Vamos nos concentrar nas “Antiguidades Judaicas” (mais precisamente no livro XVIII, capítulo 2, seção 3), que diz:

Agora havia sobre este tempo Jesus, um homem sábio, se for legal chamá-lo um homem; porque ele era um feitor de trabalhos maravilhosos, professor de tais homens que recebem a verdade com prazer. Ele atraiu para si ambos, muitos judeus e muitos Gentios. Ele era o Cristo. E quando Pilatos, à sugestão dos principais homens entre nós, o tinha condenado à cruz, esses que o amaram primeiramente não o abandonaram; pois ele lhes apareceu vivo novamente no terceiro dia, como os profetas divinos tinham predito estas e dez mil outras coisas maravilhosas relativas a ele. E a tribo de cristãos, assim denominada por ele, não está extinta neste dia.

Os grifos são meus e vocês podem ler a referida citação de Josefo no grego, basta acessar aqui.

Interessante passagem. E o que tem de interessante, tem de falsa.

Ora, vejamos, Josefo (supostamente) fala com um tom de admiração e respeito. De um modo passional, até. Esse estilo de narrativa não aparece em mais nenhum trecho das obras de Josefo, considerado um homem meticuloso, culto e possuidor de escrita elaborada, precisa e desapaixonada. No referido texto, fica evidenciado a reverência a uma entidade que ele mesmo induz a pensar que possui um dom divino principalmente na frase “se é que se pode se chamar de homem”.

Bom, todo mundo tem o direito de mudar de opinião e de fé. E Josefo não seria melhor nem pior se o fizesse. Só que isso não ocorreu. Nenhum dos biógrafos dele inferiu que ele tenha se convertido ao cristianismo, pelo contrário. Ele sempre foi um judeu fariseu e manteve esta postura até os seus últimos dias. A frase “Era o Cristo” é totalmente impensável para um judeu fariseu como Josefo.

Pra princípio de conversa, “Cristo” não foi usado por Josefo, mesmo tendo escrito em grego. Sendo um profundo conhecedor da Tanakh, Josefo não poderia ter usado esta expressão pelo simples fato de conhecer muito bem as previsões messiânicas ao ponto de saber que Jesus não poderia ser considerado como o Messias, posto que não cumpriu nenhuma das previsões. Josefo, sendo um judeu fariseu, jamais – JAMAIS! – cometeria uma atrocidade religiosa dessa, posto que não há uma só falha nesse sentido em nenhum de seus escritos. Sua escrita é fluida e centrada. Mas no referido texto ele fala com o amor de um devoto cristão. E nem mesmo Justo de Tiberíades o acusou disso.

E ainda tem o fato de Jesus, segundo a citação falsa atribuída a Josefo, era seguido por gregos. Interessante, ainda mais levando em conta que os gregos só tiveram conhecimento da existência dele após as pregações de Saulo de Tarso. Antes do misógino vindo de Tarso ir lá encher o saco dos pobres coitados, ninguém até então tinha ouvido falar sobre ele. Curioso, não?

Josefo foi capaz de saber que ocorreu um eclipse da Lua próximo à morte de Herodes Magno (conforme descrito em “Antiguidades Judaicas”, mais precisamente no livro XVII 06:04), mas o pessoal devia estar meio cegueta durante a crucificação e morte de Jesus, posto que não conseguiram ver uma escuridão de três horas (!), um terremoto que fendeu pedras e rasgou o véu do templo e de santos mortos ressuscitando, invadindo a cidade; tendo isso tudo acontecendo durante a Pessach, a Páscoa Judaica, quando Jerusalém ficava repleta de peregrinos de todas as partes do mundo. Ninguém viu ou anotou sobre isso, só Mateus.

Há ainda o fato de dizer que quem amou o hippie palestino não o abandonou. Pelo visto, o autor daquele parágrafo fraudulento esqueceu da passagem que o apóstolo Pedro negou Jesus 3 vezes. Fazer o quê? Ninguém é perfeito, não é mesmo? 😉

Desse modo, aquele parágrafo ridículo e fora do contexto em que foi inserido (após este trecho, o Josefo começa a falar sobre assunto bem diferente no qual refere-se a castigos militares impingidos ao povo de Jerusalém) só pode ser considerado como notoriamente falso! Ele não aparece antes do ano 340 E.C., e quem o citou? Eusébio, um apologista cristão e bispo de Cesareia. Apresentou o texto de Josefo e este texto é  apresentado como vindo do árabe por um bispo cristão de origem árabe cristão chamado Agapius de Hierápolis. Sua História Mundial preserva, em tradução para o árabe. 9 séculos DEPOIS dos eventos descritos na Bíblia e 800 anos DEPOIS de Josefo? Não se pode dizer que o texto é de Eusébio, pois o árabe ainda nem existia direito e eu gostaria muito de ver o mais antigo deste manuscrito escrito em árabe do século IV. Só tendo muita fé para acreditar que tal trecho realmente pertence a Josefo. E fé não passa de uma crença cega, independente de validações.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Bocejo. Vai lá ler Um Judeu Marginal (já tá no 3º Volume. tem muito pra vc ler) e depois volta aqui, sim.

    Mas antes, leia a Bíblia. Principalmente Mateus cap. 5, que diz que você não pode me xingar, mas tentar ser meu amigo e oferecer a outra face cada vez que lhe ofenderem. Ah, sim, no cap. 6 diz que quem reza em igrejas é hipócrita. 😉

    Crentinho retardadinho

  • Edrua Los

    Poderia pelo menos responder a essa questão?

    Pryderi respondeu:

    Luciano de Samosata falar que existem cristãos significa tanto que Jesus existiu como Comic Con prova que o Super-Homem existe.