Continuando a nossa série de textos sobre estudos da linguagem, hoje vou falar um pouquinho sobre os estudos "tradicionais", ou seja, aqueles relacionados à primeira definição de gramática que eu dei no texto anterior (e se você não leu os textos anteriores, PARE AGORA! e só volte quando ler tudo. É importante seguir o raciocínio.)
Para falar dos estudos tradicionais, vou usar um texto do linguista britânico David Crystal, mais especificamente o segundo capítulo do livro A Linguística. Infelizmente não consegui uma versão digital do livro para linkar aqui (eu tenho um xerox desse texto que usei numa matéria na faculdade, traduzido para o português, aparentemente uma edição portuguesa.).

Nos textos anteriores da nossa pequena série introdutória aos estudos da linguagem, eu saí pela tangente no que diz respeito à definição de língua. Eu disse que língua é o "objeto" de estudo da linguística (aspas porque a coisa é mais complicada que isso; como eu disse na
Você me pergunta, "tia Bárbara, por que todo mundo falou bobagem na
Volta e meia aparece pessoal compartilhando vídeos. Eu acho muito legal, principalmente se é para aguçar a curiosidade científica. O problema é quando inferem conceitos errados. Um deles é o gelo quente que, segundo o pessoal que compartilha vídeos etc., é o momento em que há solidificação de um líquido, liberando calor.
A Natureza nunca é como gostaríamos que fosse. Ela também não é como a representamos. No verão não é sempre calor, o inverno nem sempre é tão frio assim, ainda mais quando a gente faz o favor de jogar toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera. Também estudamos que existem 3 estados físicos: sólido, líquido e gasoso. Estudamos que cada um é cada um e que ponto de fusão "é quando" (odeio esta expressão) a água congela e ponto de ebulição é quando (Irc!) a água ferve.
Um dos artigos que mais gostei (dentre uma saraivada deles), é o da
O reino dos planetas-deuses é desolado. A partir do planeta-guerreiro, o sistema solar já está muito frio, espaçado, praticamente morto. Quando chegamos no planeta-deus Netuno, não há água líquida, seu reino marinho repousa apenas na mitologia. É muito frio, deserto, sem vida; mas, nem por isso, vazio. Há uma imensa vizinhança circundando o reino de Netuno, magnífica, mas indiferente, com uma frieza de dar dó, pois além de não dar bola para as bactérias que andam sobre a Terra e constroem mísseis balísticos, os longínquos mundos perto de Netuno estão longe demais do Sol para serem paraísos caribenhos. No máximo são como Zamhareer , o infeno de gelo.
Eu gosto muito de Matemática. com ela pode-se provar qualquer coisa, até mesmo que a Matemática está errada (esta piadinha foi dita por um amigo meu do IMPA). Com ela podemos analisar coisas de diferentes maneiras, fatalmente obtendo resultados diversos e, o mais incrível, tais resultados estarão corretos, mesmo que sejam totalmente diferentes entre si. Como demonstrar isso? Que tal pegar a sua calculadora e/ou smartphone?
Nós aqui temos um amor inenarrável por pseudocientistas. Sem eles, nosso site, mostrando o quanto esta gente é idiota, não existiria. Sendo assim, eu fui convocado, pois minha presença incrível, envolvente, culta, articulada e magnífica foi necessária ao pessoal do