Google sendo Google em suas práticas anticompetitivas. E ainda é caloteiro

Shadowban é um dos piores castigos que alguém pode receber na Internet. Este termo é usado para descrever uma prática em que alguém é parcialmente bloqueado ou restrito sem ser notificado e/ou aparecer nos mecanismos de busca. Você passa a simplesmente não existir, e isso não é uma falha, ele tem como objetivo limitar o alcance de conteúdo considerado indesejado sem alertar diretamente o usuário afetado. Se isso para uma pessoa comum já é ruim, imagine para uma empresa.

Foi o que aconteceu com a Foundem.

O Foundem era um site de comparação de preços projetado para simplificar as compras online, comparando preços em diferentes plataformas criado em 2006 pelo casal britânico, Shivaun e Adam Raff. Tudo ia bem até que o Google meteu o shadowban no site e o volume de acesso foi abruptamente prejudicado devido a uma penalidade imposta pelo Google.

A penalidade do Google foi não listar mais o site nos resultados de pesquisa, o que levou ao enterro da Foundem no ranking do mecanismo de busca por termos como “comparação de preços” e “comparação de compras”.  A alegação é que o site promovia spam. Sim, um site que você clica para saber dos preços gera spam mostrando preços.

A princípio, os Raffs acreditaram que fosse um erro técnico e resolveram que o melhor era  acionar o Google, confiantes de que seria resolvido, mas isso porque ainda acreditavam no mote do Google: “Don’t be Evil” (“não seja filho da puta”, em tradução livre), embora seja atribuído a Steve Jobs a frase “Don’t be Evil is crap” (“não seja filho da puta é o cacete”, também em tradução mais do que livre). O casal acionou o Google e ficou esperando sentados. Dois anos se passaram sem uma resolução e, apesar de funcionar normalmente em outros mecanismos de busca, o Foundem permaneceu obscurecido na plataforma do Google. Isso até me lembra quando eu mesmo fui vítima disso. Ainda sou, por sinal.

Em 2008, o host do Foundem avisou ao casal que havia algo de errado com a movimentação e visitas no site, já que estava com um volume absurdamente grande, completamente anormal ao que estavam tendo até então. Aí, eles descobriram que o programa The Gadget Show, do Channel 5, um dos canais de TV britânico, acabara de classificar o Foundem como o melhor site de comparação de preços do Reino Unido. Foi só o programa falar que todo mundo correu pra acessar, dando balão no Google. Foi aí que se tocaram do que estava acontecendo!

Os Raffs ficaram bolados e deram início a uma guerra jurídica.

O casal acionou os órgãos reguladores no Reino Unido, nos EUA e, finalmente, em Bruxelas. Estava claro que Google estava usando seu poder para promover seu próprio sistema de busca e comparação de preços, o que ficou explícito aos órgãos reguladores. Em 2010, a Comissão Europeia lançou uma investigação séria e profunda sobre as práticas do Google que eu chamo de barbarismo, já que pirataria em informática tem outro conceito, mas estaria o mais próximo.

Por que eu chamo de pirataria, você me pergunta. Eu respondo: porque era exatamente o que piratas faziam: esperavam galeões espanhóis saírem das Américas abarrotados de ouro em direção à Europa. Os navios piratas (subvencionados por uma Inglaterra falida que precisava de dinheiro) os atacavam, ficavam com a carga e afundavam os navios espanhóis na maioria, levando o tesouro pra Inglaterra, o que deixou a Espanha muito puta. É exatamente o que o Google faz: ataca os competidores se aproveitando de ideias e estratégias e obrigando todo mundo a usarem seus serviços. Google tem produtos bons e originais: o que é bom não é original, o que é original não é biom. Compare o extinto Google Videos e o YouTube. A palavra “extinto” já dá uma pista.

Em 2017, a Comissão Europeia perdeu a paciência e decidiu contra o Google, declarando que a empresa era culpada de abusar de seu domínio de mercado, lhes impondo uma multa de 2,4 bilhões de euros. O que fez o Google? Recorreu. Seguidamente.

Google tem um imenso departamento jurídico com advogados ociosos (ok, estão sempre sendo acionados por causa das merdas que o Google faz). Assim, a empresa respondeu lançando uma série de recursos, prolongando a batalha legal por anos. Em setembro de 2024, o principal tribunal da Europa confirmou o veredicto inicial, reconhecendo que as ações do Google violaram os padrões competitivos.

O casal ganhou, mas não levou. Eles fecharam o site em 2016, mas curiosamente, seu link aparece na busca do Google, como um último insulto. Ah, e o valo de mais de 2 bilhões não é ressarcimento, é multa. Estão anunciando que vai para o casal, mas pelo que disseram, é um valor de multa, apenas, ou seja, o casal vai ficar sem a grana. Nisso, os Raffs estão dando início a um outro processo – nesse caso, um civil – contra o Google, que deve começar no primeiro semestre de 2026.

Enquanto isso, o Google prepara mais um recurso.

E mais um.

E mais um.

E mais um…


Fonte: BBC

5 comentários em “Google sendo Google em suas práticas anticompetitivas. E ainda é caloteiro

    1. Limitar a audiência e falir pessoas é fazer a Contenção das Massas.

      Google, Facebook, Instagran, Twitter, Yandex, Baidu, etc… fizeram isso juntos recebendo ordens do Governo. Todos limitaram a audiência.

      Mesmo pagando não é igual a antes de 2020. Pode experimentar… só vai perder dinheiro. A maioria que paga pro Google, desiste logo.

      A partir de 2020, o Tráfego Orgânico e Pago foram limitados de propósito. E dinheiro não importa aqui. O Governo controla e injeta bilhões nessas grandes empresas.

      Receber dinheiro de civis, importa só para empresas comuns.

      E o Google vai continuar limitando ou afundando a audiência de muitos até 2027 no mínimo.

      Quando o Governo terminar a Recessão, tudo voltará ao normal. Aí o Google vai liberar geral.

      Mas até lá, o Google vai continuar quebrando negócios reais e virtuais…

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