
Eu diria que nada é pior que gente burra, mas não é verdade: tem os trapaceiros, também. Pior ainda, é o trapaceiro burro. Só tem uma coisa pior que trapaceiro burro: o jovem metido a esperto que banca o trapaceiro e acha que vai se dar bem.
Foi com esta sentença que eu comecei um artigo em que dois idiotas acharam que poderiam dar uma volta em empresas de seguro e um menos idiota que o outro convenceu o que era mais idiota a ficar com as pernas num balde de gelo seco de forma a gangrenar e ter que amputar as pernas, o que não convenceu ninguém. Agora, um outro jovem maldito que não quis trabalhar resolveu fazer a mesma coisa aqui no Brasil, com resultado semelhante.
A história de hoje aconteceu numa cidadeca chamada Amélia Rodrigues, no recôncavo baiano, já começando por envolver um barnabé, e todo mundo sabe que funças nunca foram muito chegados a trabalho, por isso, se matam para serem funças.
Vanderley dos Santos Gomes é jovem e preguiçoso, e isso já diz muita coisa. Este tosco resolveu que o jeito mais rápido de ficar rico era contratar quatro seguros de vida de uma vez e depois dar um jeito no próprio pé. Um milhão e meio de reais no horizonte. Porque, claro, trabalhar a vida toda é coisa de trouxa. O plano era perfeito na cabeça desse gênio incompreendido.
O caso aconteceu em julho de 2019. Vandinho foi parar na UPA de Cruz das Almas com alguma dor que não pareceu convencer ninguém; ele não é atendido e sai, e então é “assaltado” por dois caras num carro preto, vendado, amarrado e levado pra estrada de terra em São Gonçalo dos Campos. Por algum motivo misterioso, os “criminosos” amputam o pé direito. Vandinho desmaia, e acorda sozinho horas depois, numa estrada do povoado de Mercês, na zona rural de São Gonçalo dos Campos. Só que a mochila com o dinheiro, relógio, celular E O PÉ CORTADO tá a 350 metros de distância, e ele lá, sem ninguém ter levado nada.
Os meganhas olharam para isso e levantado a sobrancelha que nem aquele app esquisito pra celular costuma fazer. Sem resgate, sem inimigos, amputação que parece feita por cirurgião, não por facão ou foice. O cara nem lembra direito se foi serra, facão ou cortador de unha. E seis semanas antes, com salário de fome, ele contrata quatro apólices de uma tacada.
Isso não convenceu ninguém, alguma mente pensante achou que isso era ilógico e depois e uma prensa daquelas que só meganhas sabem fazer, o lazarento confessou. Resultado? Dois anos de regime aberto, 720 horas de trabalho comunitário (que ele não vai fazer porque vai alegar que não tem uma perna) e R$ 7.590 de multa, para depois sabermos que ele não vai pagar, mas que conseguirá reverter a multa e ainda ganhar uma aposentadoria do Estado.
Moral da história? Não existe moral, mas podemos dar um conselho: não corte o pé pra tentar dar o golpe. Não contrate seguro quando mal tem pra comer e não tente ser mais esperto quando não consegue nem ser uma toupeira, já que nem pra cavar presta.
Fonte: G1
