
Setor de Emergência em hospitais é a mesma coisa em qualquer lugar do mundo, mas alguns extrapolam. Mesmo os médicos mais acostumados de ver todo tipo de coisa estranha, esquisita, bizarra e o que acontece em hospital público brasileiro, achando que nada o surpreenderá, vem sempre um mandando atualização no repertório de criatividade autodestrutiva. Um exemplo foi um de Zé 24 anos que apareceu no hospital com um projétil de artilharia alemão da Primeira Guerra Mundial alojado no reto. Daí, você percebe que a vida sempre tem um ás na manga. Ou melhor, um obus no traseiro.
O acontecimento acontecido aconteceu na madrugada de sábado para domingo no Hospital Rangueil, em Toulouse. O Zé (vou chamar de François, porque todo francês em filmes se chamava François, e não acho nada mais francês que isso) em questão resolveu que sua noite de sábado precisava de um toque de história militar aplicada de maneira extremamente heterodoxa. O objeto em questão era um projétil alemão de 1918, medindo impressionantes 16 centímetros de comprimento por 4 de diâmetro, dimensões que fariam qualquer colecionador de antiguidades bélicas suspirar de admiração… e colecionadores de outros artefatos de natureza mais adequada ao que foi feito não acharia nada demais.
O problema é que os outros artefatos de natureza mais adequada ao que foi feito normalmente não vem com carga explosivas. Quer dizer, acho que não vêm, não costumo fazer uso dessas coisas, mas não critico.
O jovem François chegou ao hospital andando (o que já é uma proeza olímpica considerando as circunstâncias), queixando-se de dor intensa na região retal. Quando questionado, eu aqui teria certeza de que ele falaria algo como “Monsieur le docteur, je suis tombé!”, mas efetivamente admitiu ter “introduzido um certo objeto” no próprio ânus, mas convenientemente omitiu o pequeno detalhe de que o objeto em questão era munição potencialmente ativa. É como dizer que você está “levemente indisposto” quando na verdade está com peste bubônica.
O que se seguiu foi uma cena digna de um roteiro escrito pelos Irmãos Zucker. O hospital foi evacuado com a urgência de um filme de desastre, a polícia foi acionada, o esquadrão antibombas foi convocado às pressas (a conversa no caminho deve ter sido na base: “Então, rapazes, desta vez não é uma mochila suspeita…”), e os bombeiros de Haute-Garonne assumiram posição para possível contenção de incêndio. Tudo isso porque um jovem maldito achou que seria uma ideia espetacular usar uma relíquia explosiva centenária como acessório íntimo.
A equipe do esquadrão anti-bombas, cujos membros provavelmente incluíram este sábado na lista de “noites que preferiria esquecer”, examinou o projétil cuidadosamente e determinou que o risco de explosão era mínimo, e tenho cá comigo que algum deles (ok, todos) pensou “infelizmente”. Tratava-se de uma peça de colecionador desativada, o que é uma maneira educada de dizer que a única explosão envolvida seria a de vergonha alheia coletiva.
Os cirurgiões puderam então prosseguir com a extração, realizando uma incisão abdominal para recuperar o artefato histórico, porque tentar remover pela via de entrada original poderia ter consequências estruturais que nem mesmo a Medicina Moderna saberia como consertar… e nem acho que deveria, mas não me alongarei mais nisso.
O jovem sobreviveu à cirurgia e permaneceu em observação no domingo, 1º de fevereiro, provavelmente refletindo profundamente sobre suas escolhas de vida enquanto enfrentava a perspectiva de uma entrevista policial sobre posse ilegal de munições de categoria A. Porque, sim, aparentemente “estava entediado e pareceu uma boa ideia no momento” não é defesa válida para violação da legislação de armas francesa.
O que torna esta história ainda mais deliciosamente absurda é que ela não é única. Não, senhoras e senhores, este é aparentemente o SEGUNDO caso documentado de um francês decidindo que projéteis da Primeira Guerra Mundial fazem excelentes brinquedos sexuais. Em 2022, um senhor de 88 anos (!!!) chegou ao Hospital Sainte Musse em Toulon com um obus de 20 centímetros também alojado em lugar onde o Káiser Alemão jamais procuraria, provocando evacuação similar e acionamento do esquadrão antibombas.
Isso tudo levanta a questão perturbadora: existe algum tipo de comunidade underground francesa dedicada a este hobby específico? Não me respondam, porque tem coisas que é melhor não saber.
Bem, como se termina esta notícia? Cuidado com o que você anda fazendo na França. A água de lá deve influenciar as pessoas de fazerem este tipo de coisa. Mandem seus cunhados para lá e fazerem uma experiência.
Fonte: Tabloide Fish ‘n Chips
