Egito não aguentou a dançarina rebolante

A dança do ventre, essa arte ancestral de girar, ondular, encantar e fazer quadris conversarem melhor que diplomata da ONU, surgiu exatamente onde agora é proibida com mais fúria que pornografia num convento. A dança do ventre foi desenvolvida, refinada, ensinada, exportada e celebrada por séculos por muçulmanos, passando por países como Egito, Líbano, Turquia e Síria. Foi tradição, arte, ritual, expressão espiritual e cultural antes de virar crime com pena de cadeia e nota oficial no Twitter do Ministério Público.

Mas o tempo passou, os teocratas endureceram, e os conservadores viraram uma espécie de coreógrafo reverso: tudo que se move agora é pecado. Quer dançar? Já sabe que vai… preparem os tambores… dançar!

Eu sou um pândego!

E aí entra nossa personagem: Linda Martino, que, como o nome já entrega, é linda mesmo. E dança. E posta. E… eu já falei que é linda? Praticamente, ela representa a Santíssima Trindade do Pavor Moral Egípcio: mulher, livre e feliz.

O nome de batismo da linda Linda é Sohila Tarek Hassan Haggag. Ela é cidadã italiana naturalizada, nascida no Egito e com cidadania egípcia. Aquilo que chamam de “Justiça” do Egito, sempre com a bússola ética apontada para o século XII, prendeu Linda no Aeroporto do Cairo como se ela fosse um carregamento de plutônio em paetês. A acusação? “Deliberadamente expor áreas sensíveis do corpo e incitar o vício.”

Em outras palavras: ela teve a ousadia de existir, ter um abdômen definido e girar. E que abdômen! Por mim, podia expor mais, ainda mais que, em sua Bio do Instagram, a linda Linda postou “More than you can handle” (mais do que você pode aguentar).

Não satisfeitos em só algemar uma dançarina, ainda vazaram que ela estava com “muito dinheiro”, pra pintar o retrato completo da mulher “pecadora capitalista que ousou lucrar com seu talento”. Porque no Egito, você até pode ser podre de rico, mas só se for algum potentado podre.

E olha, se a Justiça egípcia visse um show do É o Tchan, internava o Brasil inteiro. E se assistisse ao TikTok médio, explodia o Ministério da Cultura e promovia uma Jihad Global.

E pra completar a tragicomédia: a dança do ventre segue sendo ensinada no Egito. Tem aula. Tem professor. Tem turista gringo pagando caro pra aprender e pra assistir. Mas se você for egípcia, mulher, popular no Instagram e gostosa demais pro conforto moral da república… pau no seu rebolado.

E como fica isso tudo? Bem, a Linda ainda está vendo o umbigo nascer quadrado e a dança do ventre, que nasceu no Egito, sobreviveu a califados, impérios, cruzadas, colonização e guerras mundiais, não sobreviveu ao recalque judicial em pleno 2025. Porque nada abala mais um moralista de terno largo do que uma mulher dançando com a ousadia de quem sabe que vale mais que todos os juízes empoeirados reunidos.

E a Linda? Bom, ela continua sendo mais do que o Egito aguenta. E se isso for crime… bem, então, que ela rebolando seja considerado protesto político.


Fonte: FoxNews

2 comentários em “Egito não aguentou a dançarina rebolante

  1. Os caras perdem grana fazendo isso, imagina uma mulher vendo uma propaganda dessa Linda e querendo ser como ela? Mas não, mas fácil ser burro moralista.

    A propósito, dona Linda, que saúde!

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