
Se você achava que engenharia civil era sinônimo de precisão, cálculos milimétricos e pontes que levam você de A até B sem sustos… então, bem-vindo à Índia, onde alguém olhou pra um mapa, traçou um L maiúsculo no meio da estrada e disse: ‘Perfeito, isso vai ficar ótimo!’
Senhoras e senhores, preparem-se para a ponte que virou labirinto, rampa de skate ou, com o perdão da referência inevitável, a nova fase do Pac-Man rodoviário. A ponte de US$ 2,3 milhões tem uma curva de 90 graus, mais adrenalina e menos noção!
Existe um ditado antigo (acabei de inventar agora) que diz: “quando dois órgãos públicos brigam, quem sofre é o cidadão”. Mas em Bhopal, Índia, o ditado foi atualizado para: “Toma uma curva em ângulo reto, bewaqoof!”
O projeto era lindo no papel: um viaduto de 648 metros, ligando Mahamai Ka Bagh ao novo Bhopal, aquele lugar maravilhoso que houve um vazamento de gás ocorrido na noite entre 2 e 3 de dezembro de 1984 na fábrica de pesticidas Union Carbide, matando mais de 3700 pessoas. Este projetinho de viaduto foi pensado para aliviar o trânsito de mais de 300 mil pessoas por dia (ou um bairro indiano).
Entretanto, como nada que envolve administração pública e lógica pode coexistir no mesmo espaço-tempo, o que foi entregue à população foi uma ponte com uma curva de 90 GRAUS. Sim. Noventa. Não é inclinação, não é desvio, não é adaptação estética. É “Vire aqui como se sua vida não dependesse da física”.
O resultado? Motoristas boquiabertos, redes sociais em chamas e sete engenheiros suspensos, incluindo dois chefes. Tudo porque, veja só, alguém achou que dirigir em linha reta era muito mainstream. Eu particularmente não vi nada demais. Basta dar uma de veloz e furioso e meter um drift ali (e cair para a morte certa. Ganesha o receba), ou vira mesmo. O QUE É BOM PRO Pac-Man, é bom pra você.
A justificativa oficial? “Pouco espaço e briga de egos entre o Departamento de Obras Públicas e as ferrovias.”
Traduzindo: um empacou, o outro empurrou, e no meio dessa queda de braço burocrática, surgiu o gênio que pensou: “E se fizermos uma curva digna de corrida de Fórmula 1 num viaduto urbano?”
E o outro respondeu: “Assina aí, bóra inaugurar!”
O projeto teve nada menos que três versões ao longo de sete anos, cada uma mais torta que a outra. Começou com uma curva de 45°, que já era arriscada, mas ainda estava no território da engenharia. Aí veio o Metrô, o trem, a confusão, e voilà: nasce a primeira ponte inspirada no circuito de Mônaco com orçamento público.
As críticas, como esperado, vieram fortes. O chefe de engenharia tentou se justificar dizendo que “não havia outra opção”, como se o asfalto tivesse vida própria e decidisse virar à direita porque deu a louca. Já a população, que esperava alívio no trânsito, ganhou um novo desafio diário no estilo “Jogo da Vida e da Morte”: sobreviver ao cotovelão da morte suspenso.
Ah, e claro: agora cogitam comprar mais terra para corrigir o erro. Porque nada combina mais com obras públicas do que fazer tudo errado, gastar milhões e depois gastar mais alguns para consertar o erro anterior com outro erro novo.
Moral da história? Nenhuma. Ninguém tem moral naquela merda! Mas se você achava que o problema era só buraco no asfalto, prepare-se: agora tem viaduto que faz curva em ângulo reto. WAKAWAKA WAKAWAKA WAKAWAKA WAKAWAKA
No próximo episódio: a ponte em formato de zigue-zague, patrocinada por uma comissão de trânsito que joga Tetris bêbada.

O cara que achou que isso ia dar certo provavelmente sobreviveu ao desastre de Bhopal com quase sequela nenhuma.
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