Borra de café promete ser um excelente aditivo para plásticos. Mas não é bem assim

Todo mundo sabe que não existe pesquisa científica sem café, o líquido negro da sabedoria que nos faz seguir em frente. O problema é o que fazer com o que sobra dele depois. Você pode até usá-lo para dar um reforço na sua composteira, com filtro de papel e tudo, mas tem pesquisadores pensando em usar a borra do café, não para ler a sua sorte, mas para a feitura de novos polímeros. A promessa é de um material resistente, ecológico e otimizado para ser usado em impressoras 3D. Mas como assim?

A propósito, vão se decepcionar no final.

Yu?Chung Chang não é personagem do Mortal Kombat, nem algum imperador maligno que resolve contratar o Pai Mei. Chang, apesar de ser xará do dono da pastelaria perto da minha casa (acho que o nome dele é Chang, sei lá. Se não é, passa a ser), é estudante de Engenharia da Universidade de Washington.

O trabalho dele estuda como borra de café pode ser mais útil do que passar água quente de novo no tempo das vacas magérrimas. O que ele (obviamente, quem vai levar os louros é o PhDeus) descobriu é que plásticos feitos com até 20% de borra de café, tiveram um aumento de mais de 400% na resistência ao ácido polilático (PLA), o tipo de plástico que é mais comumente usado na impressão 3D.

O PLA é fabricado a partir da dextrose (você conhece como “glicose, aquilo que está ferrando com sua saúde, mas você se recusa a parar de se encher de carboidrato) extraída de materiais de fontes renováveis, como cana-de-açúcar, beterraba, milho etc. O PLA é um bioplástico ou biopolímero mais popular e o único atualmente produzido em regime industrial, pois pessoal viu que suas propriedades são excelentes. Só a Natureworks possui uma fábrica que produz 130.000 toneladas de PLA anuais, cujas instalações se situam em Blair, Nebraska.
O PLA é um material plástico popular usado para muitos produtos médicos e de consumo, como embalagens de medicamentos, engenharia de tecidos, embalagens de alimentos e impressão 3D. Feito de amido de milho, é biodegradável. Porém, quando usado para aplicações de impressão 3D, os produtos fabricados com PLA não têm força e quebram com facilidade. De fato, os produtos impressos em 3D limitam-se quase inteiramente a serem brinquedos, bugigangas ou modelos de exibição.

Pore enquanto. Como bom engenheiro, Chang is not happy! (Na verdade, nada faz um engenheiro feliz, a não ser ter problemas para ee resolver. E tudo tem problemas, ou está quebrado de vez e precisa ser reprojetado do zero).

Chang acha que um produto como o PLA deveria ter melhor resistência para servir para produtos de alto desempenho. Não é de hoje que pessoal anda procurando por aditivos para melhorar as qualidades mecânicas do PLA, mas tem que ser barato, para compensar o perço do produto final, ou será um fracasso logo de saída. Investidores têm urticaria só de pensar nesta possibilidade

Agora vem o banho de água fria: eles não usaram borra de café propriamente dita. Usaram um material seco, tosco e inodoro que sobrou após a remoção do óleo de café e usado na produção de biodiesel, alegando que era um desperdício, um resíduo.

Como engenheiro não entende picas de Química, acham que é a mesma coisa, e que forças intermoleculares funcionam assim, sem mais nem menos, pode substituir que é tudo a mesma bagaça. Capaz de acharem que frutose e glicose são a mesma coisa por terem a mesma fórmula molecular. Humpf, engenheiros! Daqui a pouco colocam cimento no PLA para melhorar a resistência na hora da impressão 3D.

Aí vem a parte que os pesquisadores esperam continuar o trabalho e realizar estudos adicionais sobre como o material se degradará no meio ambiente. Não, eles não sabem, pois não fizeram este tipo de testes. Não são químicos, vocês sabem. Faz a bagaça, qualquer dia descobrem se faz mal ao meio ambiente ou tem algum efeito na estrutura do plástico e se essa resistência é duradoura.

Levando em conta que, sim, o PLA pode ser tido como biodegradável (ou quase, já que não é por ação biológica se for biodegradável, terão sérios problemas).

A pesquisa foi publicada no periódico ACS

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