Crianças negras necessitam de tratamento diferenciado para combater asma

Você pode pensar que remédios especializados mediante etnias é algo próximo (se não o próprio) a racismo. Não é. Pessoas são diferentes, ainda mais quando colocamos duas etnias na balança. A resposta farmacológica pra um nem sempre serve para o outro. Resta fazer pesquisas, por mais eugenista que alguns idiotas queiram fazer parecer.

Negros têm tendências a doenças em maior probabilidade do que brancos (talvez não aqui no Brasil, com essa miscigenação doida que temos por aqui). Uma pesquisa estudou a frequência de casos de asma em afro-americanos em comparação com caucasianos, e sim, os negros têm maior frequência e severidade do que brancos.

O dr. Michael Wechsler é médico, cientista. Sem grana para o canhão de raios gama, ele trabalha como professor de Medicina na faculdade de Medicina, Divisão de Medicina Pulmonar Cuidado Crítico e do Sono da National Jewish Health.

Wechsler aponta que normalmente se fazia pesquisas com relação à saúde pública que envolvia poucos negros (já que negros são minoria nos EUA, você sabe. Na hora da amostragem, pega um número qualquer de voluntários. Isso sem falar quando, há algum tempinho atrás, negros não podiam nem beber água no mesmo bebedouro ou usar o mesmo banheiro que brancos. Sim, isso também afetava as pesquisas.

A nova pesquisa de Wechsler e seu pessoal resultou num relatório demonstrando que crianças afro-americanas respondem de maneira diferente de adultos afro-americanos e adultos caucasianos, o que significa que essas crianças acabam sendo tratadas de maneira inadequada.

De acordo com o bom doutore, é preciso estudar mais de perto os subgrupos de pacientes com asma, especialmente aqueles desproporcionalmente sobrecarregados por doenças, como os afro-americanos. A conclusão veio depois de avaliar 280 crianças, com idades entre 5 e 11 anos, e 294 adolescentes/adultos de ascendência afro-americana cuja asma foi inadequadamente controlada com baixas doses de corticosteróides inalados.

Não apenas isso, as diretrizes de tratamento exigem a adição de um beta-agonista de ação prolongada como a terapia de reforço preferida.

NÃO SENHOR! Você não vai continuar antes de me dizer o que é isso, seu pulha!

Beta-agonistas (ou agonistas B-AR) são substâncias que ativam os receptores beta-adrenérgicos, conhecidos como agentes repartidores. Esses agonistas B-AR ativam receptores específicos da membrana das fibras musculares e dos adipócitos, modificando o metabolismo celular dos tecidos muscular e adiposo. Alguns desses agonistas (que podem ser beta-1, beta-2 e beta-3) não são iguais e nem funcionam de maneira igual, porque química não é essa coisa linda de KABUM, e nem essa coisa aleatória que fazem crer. Não existe aleatoriedade em Bioquímica. Ou é ou não é. Não existe o “depende” ou “não é dessa vez, mas na próxima”. Não, não funciona assim, e isso leva à questão pura e simples: Química é ciência exata.

No caso da pesquisa em questão, Wechsler e seus colaboradores mediram a resposta avaliando vários fatores, incluindo exacerbações, dias de controle da asma e função pulmonar. De uma forma geral, o número de afro-americanos adultos que responderam melhor à adição de beta-agonistas de ação prolongada foi maior (49%) em comparação ao aumento de esteróides inalados isoladamente (28%). Os caucasianos mostraram uma resposta semelhante em ensaios anteriores.

Mas aí vem o problema: mesmo número de crianças afro-americanas responderam melhor ao aumento da dose de corticosteróides inalados (46%) e à adição de beta-agonistas de ação prolongada (46%).

Versão TL;DR: você pode até tratar crianças negras da mesma maneira que adultos negros ou mesmo adultos brancos, mas não é uma boa estratégia, pois a eficácia será menor. Tenha sempre em mente a melhor eficácia.

Os pesquisadores também analisaram vários fatores biológicos e genéticos para determinar se algum poderia prever a resposta ao tratamento. No entanto, eles não descobriram que nenhum biomarcador ou porcentagem de ascendência afro-americana estava associada à resposta ao tratamento.

A pesquisa foi publicada no periódico New England Journal of Medicine

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