Ser surdo de apenas um ouvido afeta a sua fala

Ser surdo é um sério problema, e isso mesmo quando é apenas um ouvido só. Não, não é uma questão de “ah, vira a cabeça e usa a outra zoreia”. Uma pesquisa recém-saída do forno mostra que a perda auditiva condutiva crônica está associada a déficits no reconhecimento de fala, e que o tratamento inadequado de infecções ou outras condições que afetam cronicamente a orelha média pode levar a déficits neurais e a dificuldades de audição em ambientes barulhentos. Sim, isso mesmo. Condições que afetam a audição afeta a audição, eu sei que você leu e riu. Não me culpe. Mas isso piora quando começa a afetar a pessoa a ponto de causar demência. Está rindo agora? Pois, é, né?

O dr. Stéphane Maison é um audiologista (sim, é um homem) dos Laboratórios Eaton-Peabody do Massachussets Eye and Ear, um hospital especializado em zóio e zoreia que fica em Massachussets.

Maison estuda as influências da perda autditiva, mesmo que seja de um ouvido (dane-se. Não vou ficar escrevendo “orelha média”. Tô nem aí) apenas. As infecções do ouvido médio são a causa mais comum de consultas médicas e prescrições de medicamentos entre crianças, em que cerca de 75% delas acabam experimentando um ou mais ataques de infecções de ouvido antes dos 3 anos de idade. Essas infecções podem ocorrer novamente e persistir por muitos meses, resultando em nas dificuldades de comunicação que podem persistir após a resolução da doença, mesmo porque, se você não ouve corretamente, seu cérebro não aprende a processar os sinais e transformar isso em fala.

Maison e seu pessoal deram uma revisada nos perfis auditivos de 240 pacientes que visitaram o Departamento de Audiologia apresentando perda auditiva condutiva aguda ou crônica, mas com função neurossensorial normal nos testes auditivos. Os pesquisadores descobriram que pacientes com um comprometimento auditivo condutivo de longa data, de grau moderado a moderadamente grave, apresentaram escores de reconhecimento de fala mais baixos no lado afetado do que no lado saudável, mesmo quando o discurso era alto o suficiente para ser claramente audível.

Maison já estudava estes efeitos em camundongos lá pelos idos de 2015, mostrando que o comprometimento condutivo de longa data leva à perda das conexões sinápticas entre as células sensoriais do ouvido interno e o nervo auditivo que transmite os sinais elétricos ao cérebro. A pesquisa atual demonstrou que não é apenas em camundongos que acontece isso, mas também em pessoas com perda auditiva, sugerido que, na ausência de tratamento, a percepção da fala pode piorar com o tempo.

Claro, você não vai ficar só neste texto, né? A pesquisa foi publicada no periódico Ear & Hearing. Sim, é fechado. Dá teu jeito!

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