Tratamento de reposição de testosterona pode fazer mais mal do que bem

Com a idade, não somos mais quem costumávamos ser. Homens têm diminuição de níveis de testosterona, o hormônio masculino. Com isso, vem de presente perda de massa óssea e consequente aumento do risco de fraturas, perda de força por diminuição da massa muscular, aumento da massa gordurosa, fadiga, aumento da resistência à insulina e do risco de diabetes, depressão e comprometimento das funções cognitivas. Alguns tratamentos para isso requerem reposição de testosterona. Fácil de ser resolvido, certo? O que vem fácil vai fácil.

Uma nova pesquisa aponta a ligação entre terapia de reposição de testosterona com maior risco de sofrer acidente vascular cerebral isquêmico ou infarto do miocárdio, especialmente durante os dois primeiros anos de uso.

A drª Christel Renoux é médica, cientista. Ela trabalha no Departamento de Epidemiologia, Bioestatística e Saúde Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade McGill.

A boa doutora e seus colaboradores analisaram uma base de dados de registros médicos eletrônicos de pacientes matriculados em práticas de cuidados primários no Reino Unido. Dessa listagem, foram selecionados 15.401 homens, com idades a partir de 45 anos ou acima que apresentam baixos níveis de testosterona (hipogonadismo, para os íntimos).

A tabulação dos dados apontou que os pacientes sob tratamento de reposição de testosterona tiveram um risco 21% maior de doenças cardiovasculares em comparação com os pacientes que não estavam passando pelo respectivo tratamento.

Achou ruim o bastante? Que ótimo, pois piora!

Tratamentos de reposição de testosterona também foram associados maior risco de acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório ou parada cardíaca durante os primeiros dois anos de uso. Claro, não é porque você faz o tratamento que irá ter essa saraivada de doenças de presente, mas ainda assim Renoux está recomendando cautela e efetuar outros estudos observacionais e metodologicamente sólidos antes de prescrever a reposição de testosterona.

A pesquisa foi publicada no periódico The American Journal of Medicine. É um lembrete que a bioquímica dos hormônios é extremamente complexa e quando mexemos numa parte, estamos afetando o organismo como um todo. O quanto estamos afetando o organismo é algo que descobrimos a cada dia e a cada pesquisa publicada. Não significa, obviamente que devamos abolir os tratamentos, mas também estes mesmos tratamentos não podem ser aplicados indiscriminadamente, pois não é assim que medicina deveria funcionar.

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