Quer ter cérebro saudável? Mexa essas pernas!

Há vários exercícios pro seu cérebro continuar tinindo, sem precisar que você se entupa de remédios. Um exemplo de remedinho-sem-ser-remedinho pro cérebro é fazer exercícios. Várias doenças neurológicas estão associadas ou são a causa de deficiências de movimento, por exemplo, lesão medular, esclerose múltipla e atrofia muscular espinhal. Estes são exemplos com efeitos análogos nos músculos ao que astronautas sofrem depois de longos períodos sob efeito de microgravidade. Da mesma forma, é bem conhecido que missões espaciais prolongadas e repouso prolongado no leito induzem alterações funcionais em muitos órgãos do corpo humano, incluindo modificações da função neuromuscular esquelética, devido à atividade reduzida do músculo de um astronauta no Espaço.

Pesquisas mostram que a saúde neurológica depende tanto dos sinais enviados pelos grandes músculos das pernas do corpo para o cérebro quanto das diretivas do cérebro para os músculos. De um modo grosseiro, se você não faz exercícios, seu cérebro pode dar tilt (e eu entregando a idade).

O dr. Adami Raffaella e pesquisador da Università degli Studi di Milano, Itália (sim, ele é um milanês. Que nem o bife, mas não garanto que ele venha empanado), pesquisa novos tratamentos para pacientes com doença neuromotora, esclerose múltipla, atrofia muscular espinhal e outras doenças neurológicas. Uma coisa que ele observou é que seus problemas neurológicos avançam rapidamente quando o movimento desses pacientes se torna mais limitado.

Seu estudo analisa o estado de saúde de pessoas que são incapazes de fazer exercícios de carga, como pacientes acamados ou mesmo astronautas em viagens prolongadas. Estes pacientes não só perdem massa muscular, mas a bioquímica do corpo fica toda zuada em nível celular e até mesmo seu sistema nervoso é prejudicado. Tem até pesquisa sugerindo exercícios físicos como forma de combater a demência.

O estudo do doutor Rafaella (nomes italianos têm dessas coisas) envolveu restringir camundongos de usar suas patas traseiras, mas não as pernas da frente, durante um período de 28 dias. Os Mickeys continuaram a comer normalmente e não apresentaram estresse. No final do estudo, os pesquisadores examinaram uma área do cérebro chamada zona sub-ventricular, que em muitos mamíferos tem o papel de manter a saúde das células nervosas. É também a área onde as células-tronco neurais produzem novos neurônios.

A limitação da atividade física diminuiu o número de células-tronco neurais em 70% em comparação com um grupo controle de camundongos, que foram autorizados a vagar. Além disso, tanto os neurônios quanto os oligodendrócitos – células especializadas que sustentam e isolam as células nervosas – não amadureceram completamente quando o exercício foi severamente reduzido.

A pesquisa mostra que o uso das pernas, particularmente no exercício de sustentação de peso, envia sinais ao cérebro que são vitais para a produção de células neuronais saudáveis, essenciais para o cérebro e o sistema nervoso. Cortar o exercício físico torna difícil para o corpo produzir novas células nervosas. Sendo assim, essa pesquisa demonstra o papel crítico do movimento e tem uma gama de implicações potenciais. Por exemplo, as missões para enviar astronautas ao Espaço por meses ou mesmo anos devem ter em mente que a gravidade e o exercício de carga desempenham um papel importante na manutenção da saúde humana, dizem os pesquisadores.

Se interessou? Ótimo! A pesquisa publicada no periódico Frontiers in Neuroscience. Aproveita que tá abertinho, digrátis.

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