Formigas usam estratégia de guerra para cuidar de feridos e voltar a atacar

Larga maioria das pessoas tem plena convicção que seres humanos formam uma das mais briguentas sociedades animais, que o mundo é lindinho como em qualquer desenhinho animado. Infelizmente, não é assim. Já noticiei várias vezes sobre formigas guerreando e até mesmo escravizando outras formigas. O que não se sabia direito é que formigas usam estratégia (você sabe, do grego…) até mesmo na hora de tratar as soldadas feridas, montando o equivalente a hospitais de campanha, e planejam evacuação da batalha para reagrupamento e toda aquela parte maneira que vemos em filmes de guerra (os bons, pelo menos!).

O dr. Erik Frank é pesquisador do departamento de Zoologia da Universidade de Wurtzburg. Ele gosta de ver bichos mau-humorados como formigas e estuda o comportamento delas, principalmente as formigas matabeles, pertencentes à espécie Pachycondyla analis. Estas formigonas malvadonas são encontradas na Costa do Marfim, e receberam este nomezinho fofo em homenagem a uma tribo de guerreiros Zulu. Estes seres das trevas (no caso, as formigas, mas os Zulu também não são seres que você gostaria de ver irritados, senhor MacGee) são predadores vorazes que se especializaram em caçar cupins, que não são lá flores que se cheirem também.

Essas formigas fazem ataques em massa, no melhor estilo “guerra total”, partindo pra dentro das colônias de cupins, que fazem de tudo para proteger o seu reino, muitas vezes infringindo sérias baixas às atacantes, que recuam levando os feridos. Companheirismo? Não, elas não são seres humanos.

Essas formigas são removidas da zona de combate para locais que é usado para tratar aquelas que foram feridas, seus machucados e cortes abertos são tratados por formigas que desempenham papel de enfermeiras, usando a própria saliva (que muito provavelmente possui propriedades antibióticas), descansam um pouco e, depois, voltam pro combate. Assim, o exército pode dispor de guerreiras para serem usadas em ataques posteriores, de preferência indo na frente para serem mortas em sacrifício, vindo a seguir uma leva de formigas saudáveis para dentro dos inimigos, os quais foram feridos pelas formigas recém-tratadas, reagrupadas e enfrentaram de novo a morte com sangue e honra.

Ok, nada de honra aqui. Elas não estão lá por coragem ou patriotismo, mas por ordem química dada pelas comandantes e a Rainha, por meio de sinais químicos e ferormônios. Isso as faz serem mais perigosas e, por conseguinte, mais vitoriosas que os cupins, que têm cérebro de inseto e acabam se dando mal na peleja.

Mas por que estudar briga de insetos? Não só para entender o comportamento destes pequenos FDPinhos, como focar em como essas formigas curam as feridas. Uma possibilidade de desenvolver novos remédios? Talvez, quem sabe? Mas uma coisa é certa: quando falarem para vocês o quanto o ser humano não presta, mostrem que formigas valem menos ainda.

A pesquisa foi publicada na Proceedings of the Royal Society B.

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