Tamanho e espessura fazem diferença, sim. Ao menos, no cérebro

Por definição, a epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos; em que, durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Em termos mais leigos, seu cérebro buga, as correntes elétricas e neuroquímicas começam a agir de forma mais esquisita do que quando a sua esposa viu o nome da Suellen no seu celular (sim, vai ter neurocientista querendo me pegar de porrada por esta comparação).

Vários fatores são causadores de epilesias (sim, tem mais de uma) e, agora, foi descoberto que ela também está associada a diferenças de espessura e volume na matéria cinzenta de várias regiões do cérebro.

O dr. Sanjay Sisodiya é pesquisador da Universidade College de Londres. Sua especialidade é neuroimagem, isto é, ele gosta de saber o que as pessoas têm na cabeça, o que nem sempre é algo legal.

No que pode ser considerado o maior estudo de neuroimagem em pessoas com epilepsia, a pesquisa do dr. Sisodiya mostra que a epilepsia envolve diferenças físicas mais comuns do que se supunha até então. E isso vale inclusive para alguns tipos de epilepsia, os quais são considerados mais benignos se as crises estiverem sob controle.

De acordo com a pesquisa, Sisodiya e seu pessoal encontraram uma pronunciada redução da espessura da matéria cinzenta em partes do córtex cerebral, a camada mais externa do cérebro (humano, lógico, já que répteis não a têm), bem como um volume reduzido nas regiões do cérebro subcortical (a camada abaixo do córtex) em todos os grupos de pessoas acometidas por epilepsia quando comparados ao grupo controle.

Mas calma, não é só isso. A pesquisa salientou, também, que o volume e a espessura têm influência na duração da crise epilética; isto é, quanto menor a espessura e o volume do córtex, mas duradoura será a crise. Todos esses dados foram tabulados e encontrou-se um padrão entre as pessoas que apresentam crises de epilepsia idiopática generalizada.

A epilepsia idiopática é aquela sem substrato lesional, provavelmente relacionada a uma predisposição genética. As do tipo generalizadas são caracterizadas pela falta de alterações visíveis no cérebro, de modo que faz com que um profissional de neurorradiologia não consiga ver nada de incomum nas varreduras cerebrais. Para tanto, é preciso outros exames complementares.

Na própria pesquisa de Sisodiya, ele relata algumas das alterações no cérebro eram tão sutis que quase passaram desapercebidas, se não tivesse sido examinado uma amostra de tamanho bem grandinho.

Deve-se, entretanto, salientar que ter uma crise epilética pode não ser acompanhado de uma convulsão imediatamente, nem que essas alterações sejam diretamente associadas a elas. Qual o tipo de relação, então? Os pesquisadores não souberam dizer neste estudo, pois Ciência não é algo mágico. O que os pesquisadores estão fazendo é criar um novo tipo de mapa neuroanatômico que mostra quais as medidas cerebrais são fundamentais para novos estudos que poderiam melhorar nossa compreensão e tratamento das epilepsias.

Obviamente, você quer saber mais sobre isso. Obviamente, vai pedir pelo trabalho completo, sem paywall. Seus desejos foram atendidos e você poderá ler a pesquisa no periódico Brain.

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