Homens virgens também contraem HPV

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Religiosos fanáticos (sempre eles) são contra qualquer tipo de avanço científico. Inventaram que vacinas contra HPV (o papiloma vírus humano) fará com que seus filhos adolescentes se tornem verdadeiros libertinos. As meninas se tornarão messalinas e os meninos continuarão sendo adolescentes. O problema é que a Seleção Natural está pouco se lixando pro que religioso tosco acha ou deixa de achar. Resultado? Uma pesquisa demonstrou que homens que nunca tiveram relações sexuais não estão livres de contrair HPV.

Vou repetir: mesmo sem transar, trepar, fazer fuc-fuc, comer ou foder ninguém, nunca, alguns homens contraíram HPV. E assim vemos a Narrativa Religiosa afundando glub glub glub.

O dr. Alan Nyitray é professor-assistente no Departamento de Epidemiologia, Genética Humana e Ciências Ambientais da UTHealth School of Public Health. Da Universidade do Texas. Eu não acredito em estereótipos, mas tenho certeza que ele anda de pernas abertas, usa chapéu de cowboy, botas, um cigarro de palha no canto da boca e um colt na cintura para mandar vírus para a vala. (a propósito, ele tem Twitter).

Não, não me interessa a realidade. Não encha o saco. A realidade já é ruim o bastante pelo que sua pesquisa demonstra.

A pesquisa do dr. Nyitray incluiu 87 homens virgens (sim, eles existem) entre as idades de 18 e 70 do Brasil, do México e dos EUA. Os participantes foram acompanhados a cada seis meses a até 10 visitas entre 2005 e 2009. Homens virgens que não fizeram sexo durante o período de pesquisa adquiriram HPV apesar de nunca terem se envolvido em relações sexuais penetrativas.

Aliás, prestem atenção nisso.

Quando falam “homens virgens”, estão considerando apenas os que efetivamente penetraram. Vocês sabem: aquilo naquilo e aquilo atrás daquilo. Mão naquilo, aquilo na mão, boca naquilo e aquilo na boca não estão sendo consideradas como penetração. Sendo assim, o cara continua virgem, ao menos para fins de pesquisa, ainda mais que dá uma manchete muito mais legal, já que parece que o Zé contraiu HPV por obra e graça de Jesus, Nosso Senhor, que ficou bolado porque o moleque colocou meme de Jesus com o dinossauro no colo. Se fosse por isso, eu já teria tido os piores tipos de câncer há muito tempo, mas divago.

Só uma perguntinha. A pesquisa fala do Brasil. Tinha algum pesquisador brasileiro envolvido?

Sim, tinha, a drª Luisa L. Villa, que tem doutorado em Bioquímica pelo Instituto de Química da USP, pois você sempre deve ter um químico (ou variantes) com você, mesmo a Luisa ter graduada em Ciências Biológicas, mas ela viu a Luz a tempo. Em tempo, ela oi professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo de 2011 a 2015. Coordenadora do INCT-HPV (Instituto do HPV), programa conduzido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em parceria com a FAPESP, com a missão de contribuir para o conhecimento das infecções e doenças causadas pelo HPV em diferentes níveis. Desde maio de 2011 é docente do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da USP, sendo chefe do laboratório de Biologia Molecular do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do ICESP e é membro titular da Academia Brasileira de Ciências e Comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Estudos anteriores encontraram HPV entre as mulheres fêmeas do sexo feminino que nunca tiveram intercurso sexual com penetração, mas este é o primeiro a encontrá-lo entre virgens do sexo masculino.

Ah, mas eu faço uma boa criação cristã, e meus filhos e filhas jamais pensam em sexo.

Tá, vai nessa. Ah, apropósito: 28,7% de virgens que começaram a ter sexo durante o período de estudo adquiriram HPV dentro de um ano e 45,5% o adquiriram dentro de dois anos, refletindo a natureza altamente infecciosa do vírus. Sabem o que isso significa? Deixe de ser um pai retardado e leve seus filhos e filhas para serem vacinados. Não tem essa de “resolvi esperar”. Podem até esperar na parte de enfiar aquilo dentro daquilo, mas ninguém falou nada sobre só esfregar aquilo naquilo, botar a boca naquilo etcquilo.

Também é recomendável que os gays ou bissexuais se vacinem aos 26 anos, já que a pesquisa mostrou que a vacina é mais eficaz quando o sistema imunológico está amadurecendo durante a puberdade, mas a vacina ainda é considerada efetivo até os 26 anos.

Então, pare de frescura e vá levar seus filhos para vacinar, seu imbecil!

A pesquisa foi publicada no Journal of Infectious Disease

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Sobre André Carvalho

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