Como pássaros mergulham com segurança em altas velocidades?

Eu não sei se você foi a alguma praia. Espero que tenha ido e visto aves mergulhando para “pescar”, isto é, pegar a sua refeição peixística, descendo rápido à beça, muitas vezes chegando a 80 km/h. se eu e você mergulhássemos rápido assim, estaríamos ferrados, mas isso porque não fomos selecionados para fazer esta insanidade.

Uma pesquisa da Virginia Tech procura explicar como as penosas conseguem dar estes mergulhos em velocidade mucho loka.

O dr. Sunny Jung é pesquisador do Departamento de Mecânica e Engenharia Biomédica da Virginia Tech. O dr. Ensolarado adora qualquer coisa envolvendo mecânica de biofluidos, relacionando-a com interações não lineares entre corpos macios e os fluidos circundante e… não, não é sobre espermatozoides.

Também pode ser, mas não dessa vez.

Jung (que não é psicanalista e nem vê fantasminhas) resolveu pesquisar como aves pescam, descendo em alta velocidade. O que as deixou capazes de fazer isso? Como é o mecanismo? Ao estudar atobás, Jung e seu pessoal descobriram que a forma cabeça, comprimento e a musculatura do pescoço trabalham em conjunto para formar uma configuração mecanicamente mais resistente ao animal, de forma que ele possa vir à toda, pegando os peixes de surpresa.

Hã?

Cabeça e pescoço precisam ter a forma certa e serem durinhos para tudo entrar gostoso. Entendeu?

Para analisar a forma do corpo e a musculatura do pescoço da ave, a equipe usou um atobá recuperado, e fizeram um modelo 3D de crânios de aves semelhantes mas que já não estão entre nós, e imprimiram com o auxílio de uma impressora 3D.

A principal força agindo sobre a cabeça da ave ao mergulhar é de arrasto, que aumenta com a velocidade. Para analisar que outros parâmetros afetam a força, os pesquisadores criaram um modelo simplificado de um cone impresso em 3D, feito com uma borracha flexível servindo de “pescoço”, e mergulhou este sistema em uma bacia de água, variando o ângulo de cone, comprimento do pescoço e velocidade de impacto. Vídeos de alta velocidade mostraram que o pescoço dobrou. Divertidão, né?

Quer videozinho, né? Então vamos pro videozinho, editado por mim, para ficar melhor.

A análise revelou que a transição da estabilidade à deformação depende da geometria da cabeça, as propriedades do material do pescoço, e a velocidade de impacto; as velocidades típicas dos atobás no mergulho, com seu bico estreito e pontudo bico e o comprimento do pescoço mantiveram a força de arrasto uniforme e sem causar risco para a ave. Darwin fez joinha, pode prosseguir, e isso possibilitou que a ave pudesse gerar mais descendentes.

A pesquisa foi publicada no periódico PNAS.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s