Doenças degenerativas têm relação direta com mitocôndrias, segundo pesquisa

A síndrome de Wolfram é uma doença neurodegenerativa rara caracterizada por diabetes mellitus tipo I, diabetes insípida, atrofia óptica e sinais neurológicos, com sintomas clínicos incluindo surdez, atrofia óptica e transtornos psiquiátricos. Lindo não? Sua prevalência é de 1 para 160 mil pessoas, mas, para a ciência, 1 caso de doença em 1 bilhão de pessoas já é muito! Ela é causada por uma mutação no gene que codifica uma proteína chamada wolframina, que reside na membrana do retículo endoplasmático (procure no seu livro de Ciências do Ensino Fundamental).

Curiosamente, os sintomas da síndrome de Wolfram se assemelham aos de doenças mitocondriais. Será que valia estudar se um interfere no outro?

O dr. Michal (sem o E) Cagalinec é pesquisador sênior de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Tartu, na Estônia. Ele se tocou que doenças mitocondriais (sim, da mitocôndria. Você estudou um ensino fundamental decente e sabe o que é mitocôndria, certo?) são muito semelhantes à síndrome de Wolfram. Mas semelhante até que ponto?

O dr. Allen Kaasik, como todo professor-doutor, assina o estudo, porque.,.. né?, ele é o professor-doutor, e toda pesquisa dos outros é automaticamente dele, e ele é o manda-chuva principal da bagaça. Segundo ele, a maioria das pesquisas anteriores tem-se centrado no retículo endoplasmático e ignora o fato de que a maioria das manifestações da síndrome de Wolfram se assemelham aos de doenças mitocondriais. Ou seja, ele falou o que já sabiam, mas beleza, mundo acadêmico tem dessas coisas.

Mas, afinal, qual é a dessa pesquisa?

O estudo analisou neurônios corticais – isto é, do Córtex Cerebral – de ratos, explorando uma grande variedade de técnicas moleculares e de imagem para sondar a função mitocondrial e bem-estar dos neurônios, devidamente manipulados para modelar síndrome de Wolfram.

Cuma?

Eles pegaram uma cobaia, cortaram um pedaço do cérebro fora, pegaram os pedaços e montaram um meio de cultura com aqueles neurônios (o que por si só já garante que a placa de petri tenha um QI maior que a área de comentários do G1) e condicionaram para que aquelas células adquirissem síndrome de Wolfram. Daí compararam com outros neurônios que tinham doenças mitocondriais, e o resultado foi quase idêntico.

Obviamente, você é ávido consumidor de Ciência e quer detalhes, muitos detalhes. Detalhes que só podem ser vistos na publicação com revisão de pares. Que ótimo! Pois a pesquisa foi publicada na PloS One e está lá, abertinha para você acessar.

E para aqueles que são da laia “para que eu quero saber disso?”, eu respondo: você, realmente, não precisa. Mas milhares de pesquisadores e médicos no mundo todo veem uma possibilidade de melhoria nos tratamentos, pesquisas de remédios mais eficazes e completo entendimento de como algumas doenças acontecem, podendo salvar as pessoas de sofrimentos desnecessários

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