Carta psicografada é usada em julgamento, mas o Brasil é laico

É um erro comum achar que o Brasil é um país laico. Ele não é laico, nem é teocrático. O Brasil carece de uma classificação própria. O Brasil é o Brasil. A prova disso é a total falta de noção em todos os 3 Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Os dois primeiros é por culpa da população burra que os elege, mas e o Judiciário? Nós não elegemos juízes (não que se o fizermos será algo melhor).

Resultado? Mais uma vez (frise-se) uma carta psicografada foi usada durante um processo de homicídio e foi o bastante para livrar a cara do réu.

Durante um julgamento realizado em Uberaba (MInas Gerais) no dia 20 pp. a coisa não parecia bem para a defesa. Como usar a Defesa Chewbacca não era uma opção, o nobre causídico apelou para a superstição, evocando os antigos espíritos do mal o espírito da vítima. O advogado do réu Juarez Guide da Veiga usou trechos do que teria dito a vítima, um certo João Eurípedes Rosa, através dos prestimosos serviços de um médium. Pão e manteiga eram opcionais.

De acordo com uma alegada carta psicografada, a vítima disse ter dado motivo para o crime ao agir com ódio e ignorância ao ver a ex-companheira em companhia de Juarez. Assim, a vítima, também conhecida por "Joãozinho Bicheiro", livrou a cara do sujeito que passou o cerol nele.

Esta porcaria de crime aconteceu há mais de 20 anos, o que demonstra como a Justiça é rápida nesta pocilga de país. E o mais interessante é que o juiz não parecia estar muito interessado na carta, mas a defesa inseriu-a nos autos mesmo assim. O vagabundo que meteu um pombo sem asa no bicheiro foi esperto e ralou peito dali, estando foragido até hoje. Agora, pode voltar, mas segundo o advogado, o réu achou melhor ficar bem escondidinho com medo de ser morto e ir pedir desculpas ao bicheiro.

Isso nos faz pensar:

1) Para que a bosta da carta, então?

2) Como alguém pode dar atenção a um lixo desses? Se bem que somos um país onde se acredita que pratos com farofa têm poderes mágicos.

3) O corno está há 20 anos foragido, que diferença fará agora? Até parece que ele ia dar as caras, independente do resultado.

4) Ninguém parece questionar a idoneidade do dentista dublês de médium. Como saber que ele não inventou a carta? E quem a autenticou?

Eu poderia ficar aqui a noite toda fazendo perguntas, mas que diferença fará? Ainda teremos gente burra acreditando nessas palhaçadas. Mas, OH!, não podemos falar mal, pois é religião, temos que respeitar. Por outro lado, não podemos questionar. Vai que é verdade, né?

A conclusão é:

A) O rayban teológico das pessoas é algo admirável.
B) Como sempre, julgamentos são vencidos pelo advogado mais cara-de-pau.


Fonte: UOL

11 comentários em “Carta psicografada é usada em julgamento, mas o Brasil é laico

  1. O juiz frequenta a mesma messa branca do bandidão? so pode! isso é ridículo da licença que eu vou ali matar um desafeto e redigir uma carta pessoal dele dizendo que ta tudo beleza

  2. Essa me deixou tonto. Não sei o que é pior: Um homicídio levar 20 anos para ser julgado, a canalhice do advogado em usar a carta ou a permissão do uso da ” psicografia”. Não consigo pensar em outra coisa a não ser: VTNC!!

  3. Primeiro, pelo que entendi, trata-se de homicídio,e, crimes dolosos contra a vida são de competência do tribunal do júri e o juiz é apenas um mediador.

    Provavelmente, o MP vai recorrer, e nesse tipo de caso esdrúxulo o TJ deve mandar realizar novo júri, com novos jurados. Infelizmente não pode anular, pois a Constituição deixa claro que a decisão do júri é soberana.

      1. @André, mas na possibilidade remota de não confirmarem, quando vai sair a condenação.

        O caso já levou 20 anos pra julgar, vai continuar rolando por pelo menos mais uns cinco. O cara vai ser condenado com uns 70 anos.

        Igual no caso do Paulo Maluf. Se um dia resolverem levá-lo a julgamento e o condenarem, ele já vai estar com 100 anos. Ele já tem 82 hoje, bem capaz de ser condenado e receber o indulto de natal 6 meses depois.

  4. “…Durante o julgamento, o juiz Fabiano Garcia Veronez considerou desnecessária a exibição da psicografia…”
    Acredito que esta palhaçada não foi decisiva no veredicto.

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