Um microscópio de 1 real!

Esqueça a sua casa. Esqueça o seu computador, celular, tablet ou mesmo fogão e geladeira. Pense que você está lá nos confins esquecidos da África, ou num lugar sem saneamento básico, como os 80% dos municípios do Ceará. Pense que o máximo de desenvolvimento tecnológico desses lugares é o uso do fogo. Pene no que é um médico ir nesses lugares, sem poder fazer um diagnóstico mínimo, já que não pode ter um laboratório perto, sem nem um microscópio. Agora pense que ainda temos a Ciência, e a Ciência existe para resolver estes problemas.

Usando inteligência e criatividade, pode-se fazer qualquer coisa. Até mesmo um microscópio de dobradura.

O dr. Manu Prakash não é um mané qualquer. Manu é cientista pacarash! Apesar de ter cara de integrante do MST ou prestes a estrear uma série com 3 amigos da universidade, Manu Garrincha acha que nem sempre dá pra levar um aparelho caro e sensível em longas viagens. O coitadinho choraria muito (e seria feito em mil pedaços pelos carregadores zulus, que sempre ajudam cientistas, se bem aprendi com os filmes.

Eu não sei como Manu teve a ideia. Talvez no meio de uma cachaçada com seus amigos já em órbita e ele chapadão chamando urubu de "meu louro" e gato de "tio". Manu então falou: Caraca, e se a gente fizesse um microscópio de 1 dólar feito de papel? Todo mundo achou muito engraçado, deram um tapinha nas costas de Manu e pediram a saideira. Mas Manu estava falando sério e apesar da ressacona atômica do dia seguinte, ele foi pro laboratório desenvolver o microscópio ou arrumar uma fórmula para dominar o mundo. Bem, ele só conseguiu a primeira coisa e já é fantástico: um microscópio de cerca de 1 reau.

Pessoal ficou de mimimi por causa de 20 centavos, quebrou a bagaça toda, pediram a cabeça dos políticos e o fim da impunidade. Só arrumaram os 20 centavos mesmo, e isso já é considerado uma conquista. Agora, pensem em um microscópio custando UM REAL! Só pensa um instante, eu espero.

O dr. Prakash é professor de Bioengenharia de Stanford, ou seja, não é um manezão. Ele sabe do que fala e mais ainda na palestra que deu para o TED; e como eu sei que obviamente você ai querer ver, taqui embaixo e sim, é anglo-parlante.

O vídeo acima foi feito em 2012, mas só está sendo divulgado agora. Para vocês verem que lentidão não é só aqui no Brasil.

O Foldscope pode ser montado em minutos, já que não inclui peças mecânicas móveis, só as de papel. Ele possui uma configuração plana, é extremamente robusto e pode ser incinerado após o uso para eliminar de forma segura amostras biológicas infecciosas, o que tira um pouco do sabor de aventura do processo, mas garante que ninguém saia contaminado com algum vírus motherfucker. Ele pode ser distribuído ampla e gratuitamente para cientistas, pesquisadores, médicos, agentes de saúde etc. O custo da gracinha é de 50 centavos de dólar, sem precisar ficar cantando rap. Se for comprado pelo governo brasileiro, é capaz de se gastar 20 mil reais em cada um.

Visando o trabalho de campo, ele pode ser usado na detecção de doenças infeciosas e transmissíveis pelo sangue e estupidamente perigosas como esquistossomose, a malária e doença de Chagas, além de qualquer coisa linda que apareça lá pelo interior do Congo ou da floresta amazônica também. Sendo de papel, ele é facilmente descartável, as lentes são simples e a luz vem de um led com o auxílio de uma simples bateria de relógio.

Você pôde ver o diagrama acima muito bem, pois você é espertinho e clicou na imagem, certo? Agora, você pode ler o pdf do artigo de Manu AQUI, com todos os detalhes de sua pesquisa; e abaixo, mais um vídeo com o dr. Prakash:

E UM… DOIS… TRÊS… CIÊNCIA PARA VOCÊS!

7 comentários em “Um microscópio de 1 real!

  1. Fascinante!
    Isso sim é design, no sentido original e correto do termo, que seria algo como “projeto, desenvolvimento”, nada a ver com essas coisas bisonhas que aparecem por aí, tipo biolamp e correlatos.
    O Manolo tá de parabéns, que Krishna o abençoe.

  2. Este microscópio de papel, é o tipo de invenção que realmente pode ajudar a mudar o mundo para melhor.
    Ainda me lembro, quando eu era criança na década de 80, cursando o 5o ano do primeiro grau (era assim que se chamava na época), numa escola estadual, a professora de ciências implorou aos alunos que prestassem atenção, porque seria uma aula especial: ela havia conseguido pegar emprestado um microscópio da universidade estadual, e ela disse que seria uma grande oportunidade, e que provavelmente, maioria de nós alunos, nunca mais veriam um microscópio de verdade novamente. E infelizmente sabemos que ela estava certa.

  3. Bom, se entendi corretamente a referência é ao Plim-plim o mágico do papel que ensinava a fazer origamis (que ele chamava só de dobraduras) nos tempos da TVE. Lembro que eu ficava esperando com diversas folhas de papel já cortadas em quadrados para copiar imediatamente.

    1. esse aparelho poderia ser muito bem utilizado nas escolas brasileiras, seria ótimo se fosse opem source!(se bem que seria justo o cara ser pago por ele ainda mais 50 cents )

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