Vsechno Nejlepsi, Gregor

Como pode coisas minúsculas influenciar tanto assim o nosso conhecimento? Como pode um simples detalhe como uma casquinha mudar o rumo da Ciência? Como pode um peixe vivo viver fora da bacia? Tirando a última pergunta, as perguntas remetem em como a Ciência flui e novas descobertas, apesar de ridiculamente sem sentido, respondem grandes questões e abrem a porta para mistérios escondidos. Antes que dois britânicos roubassem a pesquisa de Lise Meltner, um certo monge havia descoberto o princípio de como somos o que somos, de como nossas características são que nossos pais permitiram que fosse.

Hoje não é um dia comum. Hoje é dia dele. Daquele que ajudou a dar mais sentido no mundo, se bem que sua humildade possa não ter previsto isso. Seu nome é Johann "Gregor" Mendel.

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Da beleza que nós conseguimos ver

A plateia está em silêncio, exceto alguns comentários sussurrados aqui e ali. A atenção é voltada para o homem de casaca que acaba de subir ao palco, trazendo seu instrumento. O pianista está esperando e se levanta para cumprimentá-lo. O músico retribui seu cumprimento e vai para o centro do palco com seu violino. Silêncio. As notas começam a fluir de seu violino, acompanhado pelo piano bem afinado. As notas fazem parte da música Sad Romance, composta pelo músico vietnamita Thao? Nguyen Xanh.

Uma vez vi uma pichação que dizia "Somente o ser humano é capaz de fazer arte!". Isso é profundamente irônico, se levarmos em questão que era uma pichação feia e com erros de português (Somente o ser umanu é capaz de faser arte). Eu altero um pouquinho a frase e digo "Somente o ser humano é capaz de reconhecer arte". Para qualquer abelha, uma flor é apenas um supermercado e o belíssimo trinado dos pássaros é apenas um modo de eles chamarem outro pra porrada enquanto chamam a fêmea de gostosa (creio que foi o Átila, do Rainha Vermelha, quem falou isso. Não lembro).

A beleza das coisas está apenas nos nossos processos cerebrais; elas não existem enquanto coisas belas. Elas são o que são. Mas como isso acontece?

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Da beleza que nós não vemos

O cérebro é um projeto inteligente que demonstra como o projetista andava bêbado durante a sua criação. É um dos mais porcos sistemas jamais criados, incrivelmente feito na base da gambiarra macgaiverista. Qualquer dia, um exame mais profundo demonstrará que ele foi feito com chiclete, fita veda-tudo e cortado ao meio com um canivete suíço.

Nossos avós diziam que a beleza está nos olhos de quem vê (pergunte a qualquer mulher de jogador de futebol), mas o inverso também é verdade. Nossos olhos, tão malfeitos quanto nossos cérebros, são capazes de ver coisas que não existe, pois a Gambiarra-Mor processa tudo de qualquer jeito.

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Porcas, parafusos e pernas de insetos

Imagino que você tenha visto alguma vez um esqueleto. Nem que seja aquele esqueletinho de plástico cujas peças vêm em fascículos. Mesmo os mais desligados perceberam que os encaixes em boa parte das articulações são do tipo bola e soquete. Num mundo divinamente planejado, isso seria o bastante e nada afetaria as articulações; o problema é que as articulações resolveram ser ateístas e sacanear o Projeto Divino, onde até mesmo ombros saem do lugar.

Como se isso não bastasse, pesquisadores da Universidade Estadual de Baden-Wuerttemberg descobriram que a Natureza não só pode apresentar articulações de uma determinada forma, como ainda pode apresentar algumas surpresas, como algo similar a um parafuso.

O Manual do Ateu na missa católica

Estava eu filosofando sobre a vida, a morte e outras coisas (mentira, tava coçando o saco e lendo o twitter) quando me deparo com esse texto: O fantástico manual do Ateu/Agnóstico ou qualquer outro não-católico na missa.

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Grandes Nomes da Ciência: Martyn Poliakoff

Divulgadores de ciência sempre temos nossas personalidades favoritas. Nunca escondi que Carl Sagan é o modelo que todos os que escrevem sobre Ciência deveriam ser. É injusto, no mais das vezes, termos que escolher um ou outro como preferido, mas isso vai de nossa opinião, onde sabemos que isso em nada desmerece o trabalho de outros. Entretanto, posso escolher mais um, na categoria "Ainda Vivos".

O meu amigo oculto cientista vivo favorito é alguém bem conhecido e muito provavelmente você deve ter visto um vídeo dele (a não ser que você tenha perdido vendo vlogueiros mimizentos) e ele é um dos mais conhecidos por traduzir a Química de forma simples e elucidativa (depois de mim, claro). Seu nome é Martyn Poliakoff.

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As estrelas que passam por nossas vidas

Eu tenho uma visão romântica sobre o mundo. Acho-o fantástico pelo paradoxo que é sua simplicidade e complexidade que coexistem. A complexidade são as diferentes forças atuantes no planeta, moldando-o sem parar, onde sua topologia muda, ainda que beeeeeem lentamente. A simplicidade é que se trata de apenas um reles planeta terrestre, jogado num canto irrelevante de uma galáxia irrelevante. Se nosso planeta fosse especial de alguma forma, sua destruição seria uma perda para o universo, só que o universo sequer se daria conta disso. Qual importância tem uma coisa que ninguém sentirá falta? Ainda assim, vemos o amanhecer raiar do dia e o crepúsculo cair da noite. Vemos as fases da Lua, vemos até o eclipse ato da sombra da Terra impedir a luz do sol ser refletida pelo satélite.

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Pesquisadores estudam novas interações entre deficientes e máquinas

O Kinect da Microsoft é uma revolução no mundo dos jogos eletrônicos (no Cet.net não usamos anglicismos desnecessários. Se tu usas, és um idiota!). Se antes usávamos teclados, joysticks (este não tem uma tradução à altura e eu sugiro aportuguesá-lo para jóistique), alavancas e outros tipos de controle, hoje usamos a nós mesmos, coisa que nossos pais, avós e bisavós já faziam em termos de diversão. O próximo passo é facilmente imaginável, mas meio difícil de implantar: usar interfaces homem-máquina, onde nossas mentes se fundiriam a computadores e as ordens seriam transmitidas diretamente aos processadores e os softwares fariam o resto.

Arthur Clarke já tinha elaborado isso em seus romances da série 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Mas até que ponto isso fica no terreno da ficção?

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Governo do estado do Rio obriga bibliotecas a disponibilizar Bíblias

Estamos em tempos de mudança. Enquanto Monteiro Lobato é um porco racista e o Inácio de Loyola Brandão é um maníaco pervertido, enquanto livros de português podem sair com trocentos erros e defende quem fala errado, opondo-se a preconceituosos do idioma. Até mesmo a Justiça teve que intervir. Cultura, agora, é vista como inimiga do Estado, e só não a mandam pra Sibéria, pois a grana da passagem foi gasta levando políticos para passearem (isso quando não usam o jatinho do Eike Batista).

Cioso da formação educacional dos nossos perclaros pimpolhos (pronto, falei "perclaro"! Sou um burguês desgraçado.), o governo do estado do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições e respeitando a Constituição Federal, determinou que as bibliotecas estaduais serão obrigadas a terem disponíveis exemplares da Bíblia. Afinal, democracia se faz assim.

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Lésbicas sulafricanas são estupradas pra que virem mulheres de verdade

Sim, filhos, África. Nem mesmo o Brasil é tão tosco a este ponto (acho). Mais de dez lésbicas são violentadas por semana apenas na Cidade do Cabo, África do Sul. Se antes lá o problema era o apartheid, agora o lance é virar a bateria contra homossexuais, coisa muito normal em países "civilizados". De acordo com a Luleki Sizwe — uma organização de apoio a vítimas de violência sexual — muitos outros casos não são relatados ou porque as vítimas têm medo que a polícia as ridicularize ou que seus agressores voltem a procurá-las.

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